Este é o homem que quer liderar a nação:
(via 31 Da Armada)
Recordo-me de várias pessoas opinarem que a votação de Marinho Pinto nas europeias seria um voto de protesto contra os partidos. Pensei então que estavam errados e hoje, enquanto o vejo em entrevista na TVI24, mais convencido fico.
Quem votou em Marinho Pinto não o fez em protesto contra os partidos políticos. O voto em Marinho Pinto foi um voto de socialistas – em protesto contra a direcção do PS. Marinho Pinto, hoje como antes um dos mais fanáticos apóstolos de Sócrates, recebeu o voto dos socráticos que o premiaram por aquilo que Seguro, apesar de toda a sua invertebralidade, não se rebaixou a fazer: a apologia do consulado de um louco.

Marinho Pinto é, simplesmente, o aríete do socratismo.
Tem sido divertido assistir ao frenesim noticioso à volta da campanha para as primárias do PS. Tão divertido que até passo por cima do facto de, enquanto cidadão que paga os seus impostos municipais em Lisboa, ter um Presidente da Câmara em modo saltimbanco, exibindo as suas habilidades pelas feiras e terreiros do país. Na realidade, talvez Lisboa esteja melhor sem ele.
Leva-me esta linha de raciocínio a uma afirmação de Costa, proferida em 2011: “o PS precisa de um secretário-geral a tempo inteiro e o município de Lisboa de um presidente com dedicação exclusiva”. Pode o incauto leitor ser levado a pensar que, em coerência com esta afirmação, Costa abandonará a Presidência da CML caso vença as primárias do partido. Nada mais errado.
Costa é coerente com a incoerência que caracteriza a sua ideologia política. Dá o dito por não dito com uma enorme facilidade. Considera hoje mentira o que ontem afirmou a pés juntos ser a mais honesta das verdades. É um político moderno e desempoeirado, que não se deixa atrapalhar por detalhes como a realidade. É um homem orientado para os resultados.
Henrique Neto, em entrevista na TVI24, diz que “O grupo que apoiou Sócrates tem má consciência”. Henrique Neto está enganado – duplamente enganado. O gangue que apoiou Sócrates não tem má consciência mas sim mau carácter – e, de resto, aquela gente não tem sequer consciência para a ter má.
Li algures num rodapé da Sic Notícias que António José Seguro quer separar os negócios e a política.
Como? O estrondear das minhas gargalhadas incomoda o leitor? Lamento por isso, mas é mais forte do que eu. O riso é a única reacção que consigo ter quando ouço a promessa de “separar a política e negócios” ao homem que, com olhos semicerrados de volúpia e os braços bem abertos, acolheu o regresso de – Jorge Coelho.

O ex-Querido-Líder José Sócrates veio a público garantir-nos que António Costa não é vaidoso nem ambicioso. Aliás, Sócrates até diz que é uma vergonha pensarmos isso. Mas será Sócrates, realmente, a pessoa adequada para ver a vaidade ou ambição de outrém? Sócrates está na mesma posição de alguém sentado na superfície do Sol: a luz deste ofusca tudo o resto e é impossível ver o ténue brilho das estrelas.
Eles aí estão: os cães de fila socialistas. Correm, desenfreados, de olhos vítreos e com baba a disparar em todas as direções. O alvo da sua fúria: o inofensivo Seguro.
Escrevi aqui, no início de 2013, que era muito previsível que isto acontecesse. Demorou, confesso, mais tempo do que estava à espera.
Seguro pôs-se a jeito: desligado da realidade e das pessoas, monocórdico e enfadonho, rejubilando para as câmaras após a insignificante vitória de domingo. Seguro não tem argumentos, não tem projecto e não apresenta resultados (acredito que, face a partidos que suportam um Governo que impôs as medidas que este impôs ao longo dos últimos anos, até um saco de plástico conseguiria cavar uma diferença superior aos magros 3,5% alcançados por Seguro). O programa de “governo” que apresentou foi uma patetice. Ao associar estas eleições às legislativas, pôs as fichas todas em cima da mesa e os (poucos) eleitores que votaram mandaram-no para casa descalço.
Milagrosamente, é possível que se safe. Não pelas suas competências políticas, quiçá menos desenvolvidas que as de Manuela Ferreira Leite (muito mais acutilante na sua oposição ao Governo), mas talvez pelas fracturas estruturais que existem dentro do PS e que promovem o aparecimento de anti-corpos sempre que alguém se levanta do outro lado da trincheira. Veremos.
Para já, chamo a atenção para a assustadora lista de apoiantes de Costa: Vieira da Silva, Santos Silva, Sérgio Sousa Pinto, José Lello, Marcos Perestrelo, Pedro Nuno Não Pagamos! Santos, Capoulas Santos, Edite Estrela e João Galamba, entre outros “notáveis”.
Isto não é uma lista de apoiantes, é o elenco de um remake manhoso do “Império Contra-Ataca”. Imagine-se quem será o Darth Vader desta fita…

Se António José Seguro, que se pendurou em Hollande como o emplastro, tivesse um vestígio de vergonha na cara, estaria neste momento a cavar um buraco para se fechar nele durante um par de anos. A França, epicentro dos tais ventos de mudança anunciados pelo velho Soares desde a eleição de Hollande, o homem-providencial que iria colocar a sra. Merkel na ordem e transportar-nos para um futuro de leite e mel, afastados da austeridade e a crescer com a fúria de um feijoeiro, prepara-se para… congelar salários, pensões e fazer múltiplos cortes nas despesas sociais.
Na verdade, o único leite e mel que Hollande trouxe – terá sido para o seu pequeno-almoço nas casas das amantes.
O PS, partido que garante saber como equilibrar as nossas contas, pagou 4 milhões de euros por ajuste directo à empresa de um ex-funcionário. Sejamos justos: este facto reporta-se ao período 2009/11, altura do consulado socrático. Mas não deixa de ser sintomático: o PS garante que sabe como equilibrar as nossas contas – para cujo desequilíbrio contribuiu com o pagamento de 4 milhões de euros, em três anos, a uma empresa de organização de eventos, assessoria e estudos de imagem cuja presença na Internet, tanto quanto consigo descobrir, se resume a páginas paupérrimas no Facebook e no Google+.