A greve do Metropolitano foi, parece, desconvocada. O secretário de estado respectivo vem regozijar-se. Acontece que eu quero saber, com total transparência, quais os custos adicionais que isto implicará para o contribuinte.
Aquivos por Autor: João Sousa
Oh senhora acidentada, desapareça!
A história conta-se de uma penada: na tarde de quinta-feira, o carro (pago com os nossos impostos) onde seguia o velho Soares abalroou, ao mudar de faixa, a viatura de uma senhora (jurista na Câmara Municipal de Lisboa). Perante o nervosismo da senhora, o motorista (pago com os nossos impostos), acatando as manifestações de pressa de Sua Alteza Soárica El-Rei D. Soares, atirou displicentemente pela janela um papel com o número de telemóvel (desligado) e largou a toda a brida.
Alguém ouviu alguma coisa de especial sobre o assunto? Com excepção do Correio da Manhã que fez jornalismo sobre ele, alguns outros (poucos) meios de comunicação social limitaram-se a retransmitir cobardemente a notícia como uma pequena nota de rodapé que esqueceram imediatamente. Parece que o JQT (jornalismo que temos) não acha de interesse público que o geronte Soares, que se faz transportar diariamente num automóvel pago por todos nós, incite o seu motorista pago por todos nós a abandonar o local de um acidente que provocou, deixando como única forma de contacto um número de telefone que está sempre desligado. O JQT também não acha relevante que, quando questionada sobre o assunto, a assessora paga por todos nós do Imperador Soares “não tenha nada para dizer”.
O JQT também não acha digno de interesse que a senhora jurista da Câmara de Lisboa, que no próprio dia relatara os factos aos jornalistas, tenha algum tempo depois “reflectido” e se mostrasse contra a publicação de notícias, classificando agora como “um pequeno incidente de viação” o que antes a enervara até às lágrimas.
Acontece que a notícia não é sobre um “pequeno incidente de viação”. Sê-lo-ia se, a seguir, tivesse acontecido o normal nestas circunstâncias: as partes preencheriam a declaração amigável, trocariam contactos ou esperariam pela polícia. O sucedido, pelo contrário, foi uma das partes, precisamente a parte com “influência”, dizer com grosseria que se tinha de “despachar” e abandonar o local de um acidente que acabara de provocar sem manifestar qualquer sinal de preocupação pela condição em que se encontrava a acidentada – ou por aquilo que está escrito na lei.
Noutros tempos, se um azarado ficava esmagado pelo rodado de uma carruagem da nobreza, podia-se dar por satisfeito se um par de moedas fosse lançado pela janela. Hoje, com uma lei que é, supostamente, igual para todos, lança-se pela janela um número de telemóvel incontactável.
Soares é, como sempre foi, intocável. Soares sabe-se acima da lei e do escrutínio público porque o nosso jornalismo, sabujo e obediente, fecha os olhos a todo e qualquer comportamento prepotente e mafioso deste nosso auto-proclamado “pai da democracia”.
O regresso do filho pródigo
Pacheco Pereira, vindo da extrema-esquerda para o PSD nos tempos de Cavaco Silva e, agora, acérrimo opositor do PSD com um discurso próximo da estrema-esquerda, será um dos oradores num fórum organizado pela candidatura de Marisa Matias. Eu faço uma pergunta: se Pacheco Pereira não quer sair do PSD, não era altura do PSD ponderar sair do Pacheco Pereira?
Já?!
O quê, já estão a inventar desculpas?
Mais uma promessa de Soares fechada na gaveta
Os trabalhadores (serão mesmo?) do Metro irão fazer três dias de greve parcial na próxima semana, de 9 a 11. Curiosamente, são os dias a seguir ao feriado, mas não vamos lançar suspeições de conveniência. Ora é o PS que está no governo – mas não dizia o geronte Soares, ainda há meio ano, que “com o PS no governo não haveria mais greves”?
A narrativa

Saem notícias de que o PIB “desacelerou”, de que a economia “estagnou”, e vem o depilado Galamba bolçar que é a narrativa da coligação negada pelos factos (ou algo parecido, nunca varia muito). E depois, lemos/ouvimos com atenção as notícias e percebemos que a economia afinal cresceu 1,4% em relação a igual período do ano passado (ou seja, comparando maçãs com maçãs e não nêsperas com dióspiros). Aposto que, daqui a uns meses, se a economia decrescer 1,5% em relação ao trimestre anterior mas crescer 0,03% em relação ao período homólogo do ano anterior, já não haverá estagnação e Galamba dirá “0,03% é positivo, é crescimento em relação ao ano passado” – e o nosso jornalismo engolirá até à última gota.
Zero
Costa e Centeno dizem que o Orçamento de Estado começa do zero. Não, não vem do zero – mas vem de zeros.
Fumar canabis tem efeitos nocivos no cérebro
Noutras circunstâncias, eu diria que esta talhada de laurinda-alvice de Catarina Martins é um fartote de riso. Só que as circunstâncias actuais são esta criatura ser um dos pontas-de-lança da esquerda-nefelibata que marca o ritmo da esquerda-oportunista que finge governar. O que Costa está a fazer para safar a sua gordurosa pele política vai-nos custar muito, muito, muito caro – e vai-nos tornar a chacota da Europa.
Cinco? Cinco!
O antigo jornal de referência Público anda agora muito encanitado com a contratação de Sérgio Monteiro pelo Fundo de Resolução do Novo Banco. O Correio da Manhã, que é actualmente o único jornal que faz realmente jornalismo, também não se coibiu de fazer um pequeno exercício de chico-espertice quando chamou para a primeira página de ontem:

Ora o que o Correio da Manhã escreve é factualmente correcto, tal como o descreve no corpo da notícia: Sérgio Monteiro vai, de facto, ganhar 20.000 euros quando ganhava 3.600 euros como secretário de Estado. Acontece que a notícia também diz que estes 20.000 euros eram o salário do mesmo Sérgio Monteiro antes de ir para o governo. O Correio da Manhã, portanto, poderia titular na primeira página com igual correcção:
“Ex-secretário de Estado ganha o mesmo que ganhava antes de entrada no Executivo.”
De igual forma, não me recordo de ter visto o Correio da Manhã, o Público, o DN, o Expresso ou qualquer outro escreverem há quatro anos:
“Secretário de Estado ganha 5 vezes menos com entrada no Executivo”.
O que o Correio da Manhã faz, e não vi o Público fazer, é noticiar que “outro assessor contratado por valores milionários é o escritório de Vasco Vieira de Almeida, que intervém no processo como consultor jurídico”. Como nos recordamos todos, este escritório já esteve envolvido no negócio Freeport, no negócio Submarinos e sabe-se lá em quantos mais: o nome Vasco Vieira de Almeida é tão omnipresente nos grandes negócios de regime como o de Proença de Carvalho ou José Miguel Júdice.
Isto vai ser divertido… [2]
Os projectos de lei relativos à Procriação Medicamente Assistida vão ser discutidos na especialidade – porque os partidos da Frente de Esquerda não se entendem sobre o assunto.
Assim se vê a profundidade do “histórico” acordo de esquerda.
