Ana Benavente escreve no Público ser “contra os exames desde que estudou, investigou e conheceu os trabalhos internacionais que revelam que os exames são o modo mais pobre de avaliação das aprendizagens“. Ana Benavente é apresentada no final do texto como socióloga e socialista: está tudo explicado.
Aquivos por Autor: João Sousa
E pronto, está feito
Os meus parabéns aos benfiquistas pela (até há pouco improvável) conquista do tricampeonato de futebol.
Calma, aí não se mexe
O governo da esquerda unida, que tem estado a reverter tudo o que foi feito pelo governo anterior (reverte exames, reverte avaliação de professores, reverte cortes, reverte feriados, reverte pagamento de dívida, etc.), não vai reverter “os compromissos assumidos com os colégios privados”. Parece que a fúria reversiva pára… à porta do Colégio Moderno.
Pessoal e intransmissível
O pequenino César dos Açores revelou o segredo menos escondido desde os seios de Cicciolina: que dá o seu apoio “pessoal” ao inexplicável Sampaio da Nóvoa. Afirma também que o PS “faz muito bem em não ter uma posição oficial de apoio a qualquer dos candidatos”. Fui dar uma olhada aos mandatários e apoiantes “pessoais” de Nóvoa. Só para citar alguns:
Correia de Campos
Gabriela Canavilhas
Isabel Moreira
Rui Vieira Nery
Rosa Mota
Carlos Lopes
Miguel Vale de Almeida
Lídia Jorge
António Pedro Vasconcelos
António Arnaut
Ana Gomes (deixou de ser altura de Portugal ter uma mulher presidente?)
Mário Soares
Jorge Sampaio
Augusto Santos Silva
Edite Estrela
Inês de Medeiros
João Galamba
Jorge Lacão
Vieira da Silva
Capoulas Santos
João Cravinho
José Carlos de Vasconcelos
(e etc, etc, etc…)
Esta lista de horror[es] que apoia[m], a “título pessoal”, o enevoado Nóvoa, mais não é que o PS histórico, o PS institucional e o habitual ramalhete de “independentes” eternamente pendurados na lapela do PS estatal. Mas que não haja dúvidas: o PS não tem posição oficial sobre os candidatos.
O vivaço Marcelo
Marcelo Rebelo de Sousa acha um escândalo que candidatos gastem centenas de milhar de euros nas campanhas presidenciais. Outras pessoas talvez achem um escândalo que um candidato ganhe centenas de milhar de euros numa campanha presidencial que atravessou longos anos e saltitou entre canais televisivos.
Não acredito em bruxas, mas que as há, há!
1) O Santander é um dos principais accionistas da Prisa. (Ambos são, por acaso mas só por acaso, próximos do PSOE).
2) A Prisa é proprietária da TVI, dirigida por Sérgio Figueiredo.
3) A TVI emite uma notícia falsa sobre o BANIF que provoca a este a perda de, pelo menos, mil milhões de euros (1.000.000.000 €) em poucos dias.
4) O BANIF entra em colapso.
5) O Santander “oferece-se” para comprar o BANIF a preço de saldo.
Estou a ver Sérgio Figueiredo, o auto-assumido amigo e admirador de Sócrates e antigo administrador da Fundação EDP, com a maior cara-de-pau fazer em directo um exercício de desfaçatez perante José Alberto Carvalho, o pivot que sempre tem estado umbilicalmente ligado a gentes do PS. Que não são eles os protagonistas, diz ele com olhar suplicante. Claro que não.
Minoritários
É claro que os novos donos da TAP não querem ser sócios minoritários da TAP. Serem sócios minoritários de uma TAP maioritariamente estatal (ainda para mais um Estado socialista) era um pouco como serem sócios minoritários de uma destilaria gerida por alcoólicos.
Não vou repetir por minhas palavras o que outros já disseram bem
“Toca mesmo a comédia a pseudoentrevista para limpeza de imagem de uma criatura mitómana que está mergulhada em sucessivos casos suspeitos de “mão na lata”. Mas ainda mais engraçado é pô-lo a comentar o País depois de o ter deixado na bancarrota. Infelizmente, isto não é suficientemente bom para fazer rir. Só consegue surpreender, e, mesmo assim, raramente. Já conhecemos a criatura.”
Gratidão
Pacheco Pereira foi nomeado pelo governo para a administração da Fundação de Serralves. A gratidão é uma coisa linda.
O dia em que votei em Garcia Pereira
Consigo precisar: foi no dia 14 de Janeiro de 2001 – as segundas presidenciais Sampaio.
Nunca me tinha abstido até aí e fazê-lo não era opção que me atraísse. Sampaio não me inspirava confiança com o seu ar de sonso que passa pelos pingos da chuva – como bem recordamos, o futuro veio a dar-me razão. Ferreira do Amaral era apenas um cordeiro sacrificial para o PSD marcar presença; Abreu o funcionário comunista que o PCP escolhera para se sentar numa cadeira; o onírico Rosas foi o Abreu do Bloco. No meio desta gente, o camarada Garcia, eterno candidato do MRPP a tudo o que é eleição e com quem eu nunca partilhei uma única opinião política, pareceu-me o único candidato com alguma genuinidade. Garcia Pereira, se assim o quisermos entender, era o Alencar do meu Ega. Portanto, optei pelo voto inútil.
Faz-me, por isto, um bocado de impressão todo este processo que desaguou na sua demissão do partido pelo qual sempre deu a cara. É, contudo, também verdade que este é o retrato fiel dos grupúsculos de estrema-esquerda: como pressupõem a verdade absoluta daquilo que defendem, se perdem a culpa só pode ser do mensageiro – pois a mensagem, essa, nunca está errada.
Não faz mal: Pacheco Pereira há muito que se perfila para tomar o seu lugar.
