A piada é tão fácil que nem vou fazê-la…
Sinceramente, não entendo a polémica criada em torno da vitória de Conchita Wurst no Festival da Eurovisão.
Pessoalmente, acho a personagem aberrante. No entanto, não creio que a finalidade da competição seja avaliar preceitos estéticos. Se o objectivo último é avaliar e premiar talento, então o intérprete até pode ser alguém tão medonho como Ana Gomes que, para além de barba, é senhora de uma portentosa queixada.
Entretanto, no Império Russo, os camaradas comunistas brindam-nos com mais uma pérola democrática:
O deputado comunista Valeri Rachkine apelou às autoridades russas para abandonarem o concurso da Eurovisão e organizarem uma competição paralela, que seria designada como “Vozes da Euro-Ásia”.
Tudo está bem quando acaba bem.
João, deixa o homenzito em paz. A boca não lhe foge só para a verdade, já lhe foge para todo o lado…
Tenho acompanhado, por osmose informativa inevitável, a histeria de certos sectores da nossa sociedade com o número de assinaturas da petição criada na sequência do manifesto assinado por 74 dos patetas que nos enfiaram no buraco em que estamos.
– ultrapassa as 16.900 assinaturas, ontem
Parecendo elevados, estes números são tão pequenos como os signatários do manifesto. Senão vejamos:
– Petição Contra o Abate do Pitbull Zico, 79.836 assinaturas
– Petição Desperdício Alimentar, 74.087 assinaturas
– Petição Katinka Simonse tortura e mata animais em nome da “arte”, 62.665 assinaturas
E uma das minhas preferidas:
– Petição Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP, 139.296 assinaturas
Ouvia hoje de manhã a reacção de Hollande, na sequência da inapelável sova com que o seu partido foi brindado nas eleições municipais.
A determinada altura do seu discurso, falou de uma crise cívica e até moral que assola a sociedade francesa.
Hollande a debitar prosa acerca de crise moral. Admiro-lhe a audácia.
Analisemos as seguintes declarações:
“O primeiro-ministro criticou a proposta (…) de reestruturar a dívida portuguesa, dado que isso significa um “calote aos credores e significaria que Portugal passaria a fazer parte da lista negra”. (…) reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria, desemprego e falências e, pior do que isso, significa pôr em causa o projecto europeu e a moeda única.”
E agora analisemos estas:
“Teria assinado o manifesto (que defende a reestruturação da dívida), porque estou de acordo com ele”
As primeiras pertencem a Sócrates, em 2011, quando ainda era primeiro-ministro. As segundas também (!), tendo sido proferidas no seu magazine domingueiro, em pleno 2014. Sócrates, o bandoleiro, está a perder qualidades: já demora 3 anos a dizer uma coisa e o seu contrário.
Francisco Assis, acima lembrado por uns gloriosos supapos que levou em Felgueiras, alinhou com o cinzento Seguro na construção de uma narrativa (que bela palavra: narrativa). Agora, a um mês e meio da comemoração dos 40 anos do 25/4, compara-se o actual governo ao Estado Novo, os seus líderes a Salazar e qualquer dia vem a conversa da PIDE (talvez hoje tenhamos esse privilégio, depois da manifestação dos polícias).
A determinada altura, Assis faz o paralelo entre o discurso do Governo que, em suma, defende que o país está melhor mas as pessoas ainda não sentem a diferença, com a postura do Estado Novo: povo pobre e cofres cheios de lingotes de ouro. Aqui, não o desminto. Se há alguém que percebe muito acerca dos lingotes de ouro nos cofres portugueses são os socialistas. Afinal, andaram a esbanjá-los durante mais de uma década.
O melhor texto acerca da patetice montada em torno da chorada partida de Fernando Tordo, por Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell.