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Freak show

Há quase dois anos, perguntei aqui a propósito de Conchita Wurz e o Festival da Eurovisão:

“Estará o Festival da Eurovisão, desde sempre um decadente certame de piroseira, a premiar a qualidade musical das canções – ou o circo mediático capaz de ser gerado pelos concorrentes?”

Este ano, o concorrente da Bielorrússia quer subir ao palco nu e acompanhado por dois lobos. Preciso de dizer mais alguma coisa?

As delicadas feições de Conchita Wurst

 

Sinceramente, não entendo a polémica criada em torno da vitória de Conchita Wurst no Festival da Eurovisão.

 

Pessoalmente, acho a personagem aberrante. No entanto, não creio que a finalidade da competição seja avaliar preceitos estéticos. Se o objectivo último é avaliar e premiar talento, então o intérprete até pode ser alguém tão medonho como Ana Gomes que, para além de barba, é senhora de uma portentosa queixada.

 

Entretanto, no Império Russo, os camaradas comunistas brindam-nos com mais uma pérola democrática: 

 

O deputado comunista Valeri Rachkine apelou às autoridades russas para abandonarem o concurso da Eurovisão e organizarem uma competição paralela, que seria designada como “Vozes da Euro-Ásia”.

Tudo está bem quando acaba bem.

A mulher barbuda

Em 1998, foi a transsexual israelita Dana International (imagino que isto não tenha contribuído para um aumento de popularidade de Israel entre a vizinhança). Em 2006, foram os diabos finlandeses Lordi. Este ano, foi a mulher barbuda que chegou da (por norma) entediante Áustria. Se eu quisesse ser mauzinho, diria que isto já vem desde 1988, quando a Suíça nos entregou Celine Dion.

 

Independentemente da qualidade artística dos citados (e, como há décadas que não acompanho o Festival, estou pronto a aceitar estarmos perante os novos Leonard Cohen), pergunto-me se não haverá aqui mais do que uma coincidência. Estará o Festival da Eurovisão, desde sempre um decadente certame de piroseira, a premiar a qualidade musical das canções – ou o circo mediático capaz de ser gerado pelos concorrentes?

 

Talvez Portugal, que sempre se queixa de pouco sucesso neste evento, devesse apresentar no próximo ano – um dueto de irmãs-siamesas.