Mohammed Saeed al-Sahhaf garante que os norte-americanos estão longe de Bagdad…
Mohammed Saeed al-Sahhaf garante que os norte-americanos estão longe de Bagdad…
Curiosamente, muito pouco tempo depois de António Costa transformar o PS numa espécie de albergue para os defuntos socráticos, eis que emerge o nosso bandoleiro favorito.
Homenageado na Covilhã, pelas mãos do edil socialista, pois claro, Sócrates, o Magnífico, falou de dívidas de gratidão, relações desequilibradas e de ajustes de contas.
Juntamos a esta narrativa o passado azarado deste aplicado estudante e vemos que entregar-lhe as chaves da cidade foi um verdadeiro acto de coragem.
Esta não-questão que cresceu após as críticas feitas à forma física que Jessica Athayde apresentou na Moda Lisboa gera respostas a dois níveis distintos. Um, claramente o primeiro, mais emotivo e irracional, manifesta-se no meu post anterior. Sem construções, sem elaborações mais ou menos complexas, sem filtros. É inacreditável que uma mulher com um corpo como o da Jessica Athayde seja criticada por ter um corpo como o da Jessica Athayde.
Depois de calar a revolta do animal que nos habita, podemos entregar-nos a alguma interpretação.
O mundo da moda é isto. Longe do glamour, dos holofotes e das passarelles, esconde-se um grupo de homossexuais ressabiados, frustados e zangados com a vida. Acompanhados de algumas mulheres gastas antes do tempo, consumidas pelo abuso de substâncias ilegais, trilham este percurso de redução da imagem da mulher à de um cabide para pendurar roupa. À sua lamentável incapacidade de exibir seios generosos ou uma anca digna de registo, respondem com a censura desesperada de quem acha que calças roxas que se enfiam no rabo estão muito bem. A perversa eliminação de todos os traços femininos do corpo da mulher ganha facilmente adeptos/as junto de adolescentes mais ou menos ignorantes, se for introduzida como condição sine qua non para aceder ao universo luminoso dos desfiles em Milão ou Paris. É um gigantesco jogo de exibição, frustração e prostituição no qual, infelizmente, é impossível voltar à casa de partida.
Nota: a senhora da imagem chamava-se Isabelle Caro. Escrava dos preceitos da moda, cedo caiu na armadilha da anorexia. Passou os últimos anos da sua miserável existência a lutar para que outras jovens não lhe seguissem as pisadas. Morreu em 2010, com 28 anos, por todas as razões erradas.
Há vários tipos de esquerda. Em Portugal, temos essencialmente dois.
Um deles é representado pelo PS e pelos estafermos que vão trocando de cadeiras nos seus orgãos de liderança. Trata-se daquela esquerda que não é bem esquerda mas também não é direita. Não se querem chatear com nada e estão convencidos que, independentemente do cavalo em que apostem, chegarão ao poder por osmose. Arrastam-se pelos bastidores da política, tentando agarrar-se à única carreira profissional na qual terão alguma real oportunidade.
O outro tipo de esquerda que Portugal alberga, de forma algo desafortunada, é corporizado pelos tontinhos do “eu é que sou o mais revolucionário”, actuais e anteriores líderes, dissidentes e promotores dos 37.651 partidos que procuram orbitar a cada vez menos gravítica esfera de influência do Bloco de Esquerda.
Os felizes integrantes do primeiro grupo tornaram-se quase caricatos. A disputa interna, uma versão ordinária das primárias promovidas na política norte-americana, tem sido um espectáculo doloroso de assistir. Já cansou toda a gente e colocou em risco a vitória nas eleições legislativas face a uma coligação que, provavelmente, as perderia contra uma cadeira de escritório do IKEA.
Os segundos, elementos notáveis da burguesia portuguesa, são alvo do merecido desprezo da população. Os eleitores têm olhado para eles com o carinho que dedicam a Raymond, a personagem brilhantemente interpretada por Dustin Hoffman no filme Rain Man (1988), embora incapazes de lhes reconhecer o esporádico bilhantismo savant do irmão autista de Charlie Babbitt. Há, no entanto, manifestações de desonestidade intelectual que não devem passar em claro. É o caso da reacção da meia líder do Bloco Catarina Martins, após o anúncio da medida de resolução do Banco de Portugal, como resposta à situação do Grupo Espírito Santo.
De forma razoável, a crise será contida, pelo menos do ponto de vista teórico, dividindo o grupo em dois, ficando os principais accionistas responsáveis pelas perdas, com a criação de um badbank, sendo o BES recapitalizado com recurso a um empréstimo proveniente do fundo de recapitalização da banca nacional, criado para o efeito aquando do resgate português. É a única solução que protege os contribuintes e “chama à pedra” os principais accionistas do grupo, responsáveis pelas tomadas de decisão que criaram o caos. Catarina Martins, desonesta, desgrenhada e com os nervos à flor da pele, foi a primeira a tomar o palco, balbuciando um chorrilho de disparates, debitando uns soundbytes dirigidos a quem, de forma legítima, não compreende os contornos da operação.
É por causa de gentalha como esta que a política portuguesa é uma merda.
Eles aí estão: os dados referentes à evolução da taxa de desemprego no segundo trimestre de 2014.
Longe de brilhantes, os números são encorajadores. Desde logo porque a taxa de desemprego desce para 13,9%, a mais baixa desde 2011. Tratando-se de uma taxa elevada é, pelo menos, honesta em relação à real condição do país, sendo hoje menos afectada pelo emprego fictício na Administração Pública e nas empresas do sector do Estado do que era no pré-Troika.
Outro elemento positivo prende-se com os números do emprego. Sabemos que a nossa mui fragmentada esquerda gosta de justificar a descida da taxa de desemprego com a emigração. Desta feita, este fenómeno foi acompanhado de um aumento da percentagem da população activa de 0,5% e de aumentos homólogos e em cadeia de 2% do número de pessoas empregadas. Significa isto que, ao longo deste segundo trimestre, foram criados quase 90 mil postos de trabalho na economia nacional.
Posto isto, é importante sublinhar que a taxa de desemprego se mantém elevadíssima, incomportável considerando o nível de produtividade que Portugal precisa de alcançar para conseguir honrar os compromissos que assumiu.
Tem sido divertido assistir ao frenesim noticioso à volta da campanha para as primárias do PS. Tão divertido que até passo por cima do facto de, enquanto cidadão que paga os seus impostos municipais em Lisboa, ter um Presidente da Câmara em modo saltimbanco, exibindo as suas habilidades pelas feiras e terreiros do país. Na realidade, talvez Lisboa esteja melhor sem ele.
Leva-me esta linha de raciocínio a uma afirmação de Costa, proferida em 2011: “o PS precisa de um secretário-geral a tempo inteiro e o município de Lisboa de um presidente com dedicação exclusiva”. Pode o incauto leitor ser levado a pensar que, em coerência com esta afirmação, Costa abandonará a Presidência da CML caso vença as primárias do partido. Nada mais errado.
Costa é coerente com a incoerência que caracteriza a sua ideologia política. Dá o dito por não dito com uma enorme facilidade. Considera hoje mentira o que ontem afirmou a pés juntos ser a mais honesta das verdades. É um político moderno e desempoeirado, que não se deixa atrapalhar por detalhes como a realidade. É um homem orientado para os resultados.
Eles aí estão: os cães de fila socialistas. Correm, desenfreados, de olhos vítreos e com baba a disparar em todas as direções. O alvo da sua fúria: o inofensivo Seguro.
Escrevi aqui, no início de 2013, que era muito previsível que isto acontecesse. Demorou, confesso, mais tempo do que estava à espera.
Seguro pôs-se a jeito: desligado da realidade e das pessoas, monocórdico e enfadonho, rejubilando para as câmaras após a insignificante vitória de domingo. Seguro não tem argumentos, não tem projecto e não apresenta resultados (acredito que, face a partidos que suportam um Governo que impôs as medidas que este impôs ao longo dos últimos anos, até um saco de plástico conseguiria cavar uma diferença superior aos magros 3,5% alcançados por Seguro). O programa de “governo” que apresentou foi uma patetice. Ao associar estas eleições às legislativas, pôs as fichas todas em cima da mesa e os (poucos) eleitores que votaram mandaram-no para casa descalço.
Milagrosamente, é possível que se safe. Não pelas suas competências políticas, quiçá menos desenvolvidas que as de Manuela Ferreira Leite (muito mais acutilante na sua oposição ao Governo), mas talvez pelas fracturas estruturais que existem dentro do PS e que promovem o aparecimento de anti-corpos sempre que alguém se levanta do outro lado da trincheira. Veremos.
Para já, chamo a atenção para a assustadora lista de apoiantes de Costa: Vieira da Silva, Santos Silva, Sérgio Sousa Pinto, José Lello, Marcos Perestrelo, Pedro Nuno Não Pagamos! Santos, Capoulas Santos, Edite Estrela e João Galamba, entre outros “notáveis”.
Isto não é uma lista de apoiantes, é o elenco de um remake manhoso do “Império Contra-Ataca”. Imagine-se quem será o Darth Vader desta fita…