O António questiona-se sobre como foi possível a reeleição de Dilma. Eu não tenho respostas definitivas – mas sempre vou dizendo que não chamamos aos brasileiros “povo irmão” por acaso. Os brasileiros, apesar de todas as evidências, votaram pela manutenção do petismo; os portugueses, apesar de todas as evidências, mostram-se dispostos a votar o regresso dos socráticos. Onde está a diferença?
Pior do que está não fica?
Citius
O relatório do IGFEJ sobre o colapso do Citius indica que “chefias intermédias terão omitido informações importantes durante todo o processo”.
“(…) as suspeitas, a confirmarem-se […] poderão configurar a prática de ilícitos de natureza disciplinar ou criminal.”
Isto tem de ser investigado e bem investigado. Quando se afirma que podem ter existido ilícitos de natureza “disciplinar” ou “criminal”, está-se a lançar a suspeita de que pode ter havido negligência ou, muito pior, sabotagem. E eu quero saber, para lá de qualquer dúvida, se temos actores políticos na função pública suficientemente irresponsáveis e amorais para usarem um dos pilares do Estado de Direito nos seus joguinhos de poder.
Os amigos são para as ocasiões

O presidente da Câmara da Covilhã, eleito pelo PS, achou Sócrates merecedor de uma medalha de ouro municipal. Por coincidência, na mesma cerimónia a Câmara entregou uma medalha de mérito à Universidade da Beira Interior. Por coincidência, Sócrates é membro do Conselho Geral desta universidade (na qualidade de personalidade externa). Por coincidência, esta universidade, em cujo Conselho Geral está a personalidade externa Sócrates, atribuiu no dia seguinte um doutoramento “honoris causa” a Zeinal Bava, tristemente conhecido nestes dias como um dos mais influentes carrascos da PT e, talvez, o mais fiel executante da estratégia socrática para a empresa.
O corajoso povo da Covilhã
Curiosamente, muito pouco tempo depois de António Costa transformar o PS numa espécie de albergue para os defuntos socráticos, eis que emerge o nosso bandoleiro favorito.
Homenageado na Covilhã, pelas mãos do edil socialista, pois claro, Sócrates, o Magnífico, falou de dívidas de gratidão, relações desequilibradas e de ajustes de contas.
Juntamos a esta narrativa o passado azarado deste aplicado estudante e vemos que entregar-lhe as chaves da cidade foi um verdadeiro acto de coragem.
Moda que dá vómitos
Esta não-questão que cresceu após as críticas feitas à forma física que Jessica Athayde apresentou na Moda Lisboa gera respostas a dois níveis distintos. Um, claramente o primeiro, mais emotivo e irracional, manifesta-se no meu post anterior. Sem construções, sem elaborações mais ou menos complexas, sem filtros. É inacreditável que uma mulher com um corpo como o da Jessica Athayde seja criticada por ter um corpo como o da Jessica Athayde.
Depois de calar a revolta do animal que nos habita, podemos entregar-nos a alguma interpretação.
O mundo da moda é isto. Longe do glamour, dos holofotes e das passarelles, esconde-se um grupo de homossexuais ressabiados, frustados e zangados com a vida. Acompanhados de algumas mulheres gastas antes do tempo, consumidas pelo abuso de substâncias ilegais, trilham este percurso de redução da imagem da mulher à de um cabide para pendurar roupa. À sua lamentável incapacidade de exibir seios generosos ou uma anca digna de registo, respondem com a censura desesperada de quem acha que calças roxas que se enfiam no rabo estão muito bem. A perversa eliminação de todos os traços femininos do corpo da mulher ganha facilmente adeptos/as junto de adolescentes mais ou menos ignorantes, se for introduzida como condição sine qua non para aceder ao universo luminoso dos desfiles em Milão ou Paris. É um gigantesco jogo de exibição, frustração e prostituição no qual, infelizmente, é impossível voltar à casa de partida.
Nota: a senhora da imagem chamava-se Isabelle Caro. Escrava dos preceitos da moda, cedo caiu na armadilha da anorexia. Passou os últimos anos da sua miserável existência a lutar para que outras jovens não lhe seguissem as pisadas. Morreu em 2010, com 28 anos, por todas as razões erradas.
Moda Lis BOA!
Que lindo, parece Veneza!
Há uns meses, o alcaide António Costa queria para si a gestão do Metro e da Carris. Até nisto se percebe a sua incompetência. Pelo que foi evidente nestas últimas semanas, António Costa tem muito mais necessidade – da Transtejo.
O Império contra-ataca
Um lapso freudiano
Li algures que António Costa, no discurso de vitória, terá dito que “Estas eleições primárias só têm um vencedor: o PS“. Concordo em absoluto – e deve ser a primeira vez que concordo com António Costa.





