A narrativa

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Saem notícias de que o PIB “desacelerou”, de que a economia “estagnou”, e vem o depilado Galamba bolçar que é a narrativa da coligação negada pelos factos (ou algo parecido, nunca varia muito). E depois, lemos/ouvimos com atenção as notícias e percebemos que a economia afinal cresceu 1,4% em relação a igual período do ano passado (ou seja, comparando maçãs com maçãs e não nêsperas com dióspiros). Aposto que, daqui a uns meses, se a economia decrescer 1,5% em relação ao trimestre anterior mas crescer 0,03% em relação ao período homólogo do ano anterior, já não haverá estagnação e Galamba dirá “0,03% é positivo, é crescimento em relação ao ano passado” – e o nosso jornalismo engolirá até à última gota.

Fumar canabis tem efeitos nocivos no cérebro

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Noutras circunstâncias, eu diria que esta talhada de laurinda-alvice de Catarina Martins é um fartote de riso. Só que as circunstâncias actuais são esta criatura ser um dos pontas-de-lança da esquerda-nefelibata que marca o ritmo da esquerda-oportunista que finge governar. O que Costa está a fazer para safar a sua gordurosa pele política vai-nos custar muito, muito, muito caro – e vai-nos tornar a chacota da Europa.

Cinco? Cinco!

O antigo jornal de referência Público anda agora muito encanitado com a contratação de Sérgio Monteiro pelo Fundo de Resolução do Novo Banco. O Correio da Manhã, que é actualmente o único jornal que faz realmente jornalismo, também não se coibiu de fazer um pequeno exercício de chico-espertice quando chamou para a primeira página de ontem:

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Ora o que o Correio da Manhã escreve é factualmente correcto, tal como o descreve no corpo da notícia: Sérgio Monteiro vai, de facto, ganhar 20.000 euros quando ganhava 3.600 euros como secretário de Estado. Acontece que a notícia também diz que estes 20.000 euros eram o salário do mesmo Sérgio Monteiro antes de ir para o governo. O Correio da Manhã, portanto, poderia titular na primeira página com igual correcção:

“Ex-secretário de Estado ganha o mesmo que ganhava antes de entrada no Executivo.”

De igual forma, não me recordo de ter visto o Correio da Manhã, o Público, o DN, o Expresso ou qualquer outro escreverem há quatro anos:

“Secretário de Estado ganha 5 vezes menos com entrada no Executivo”.

O que o Correio da Manhã faz, e não vi o Público fazer, é noticiar que “outro assessor contratado por valores milionários é o escritório de Vasco Vieira de Almeida, que intervém no processo como consultor jurídico”. Como nos recordamos todos, este escritório já esteve envolvido no negócio Freeport, no negócio Submarinos e sabe-se lá em quantos mais: o nome Vasco Vieira de Almeida é tão omnipresente nos grandes negócios de regime como o de Proença de Carvalho ou José Miguel Júdice.

Já tínhamos percebido

Um estudo publicado esta sexta-feira, por investigadores do King’s College de Londres e pela Universidade Sapienza de Roma, prova que fumar canábis tem efeitos muito nocivos no cérebro. 

“Os investigadores, entre eles o português Tiago Reis Marques, concluem agora que o já conhecido aumento do risco de psicose associado ao consumo continuado de canábis pode ser explicado pelas alterações no funcionamento e na estrutura do cérebro.”

Já tínhamos percebido…

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Daniel Oliveira, o novo Galamba

Daniel Oliveira, um electrão livre que saltitou do Bloco e vai a caminho do PS, escreve:

“(…) hoje sabemos que, quando a banca e a Europa cercou o governo português, Teixeira dos Santos traiu o primeiro-ministro que o nomeou (…)”

Eu pergunto a Daniel Oliveira: um ministro das finanças deve mais fidelidade ao primeiro-ministro que o nomeou – ou ao país que está a servir? Talvez Daniel Oliveira não perceba este conceito: a fidelidade à hierarquia não justifica que se esqueçam princípios básicos. Se seguíssemos a teoria danielina, os criminosos que foram julgados em Nuremberga e invocaram estarem a cumprir ordens teriam sido todos ilibados.