Quaresma estragou os planos. Fernando Santos estava a tentar replicar no Europeu a estratégia costista: trazer a taça sem uma única vitória.
Brexit
Anda muita gente a clamar contra a loucura dos ingleses. Permitam-me, em contraponto, chamar a atenção para alguns detalhes. Enquanto decorre o campeonato da Europa de Futebol, e no qual participam algumas das suas selecções, o Reino Unido debateu publicamente um assunto com a importância da saída ou permanência na União Europeia. Chegado ao dia do referendo, mais de 70% dos eleitores fizeram a sua escolha.
Nós, por cá, temos isto:

Vamos à bola
Eu sei que o programa político de António Costa é transformar o país numa outra Grécia – mas não era preciso estender isso até ao futebol…
On Brexit
Vamos à bola
Não sei o porquê de andar tanta gente a puxar o cabelo com os três empates. Indo aos arquivos disponíveis (vulgo Wikipedia), podemos recordar que a Itália foi, em 1982, campeã do mundo depois de passar a fase de grupos com empates nos três jogos. E foi, para aumentar a blasfémia, quem eliminou o tão artístico Brasil que tantos suspiros suscita ainda hoje.
O contexto tem as costas largas
O primeiro-geringonço António Costa disse há um dia ou dois:
“(…) alargar o ensino da língua portuguesa nas escolas francesas (…) é também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, não têm trabalho em Portugal e podem encontrar trabalho aqui.”
O primeiro-geringonço António Costa diz hoje:
“Eu também não apelei à emigração!“
Costa diz agora o que Passos Coelho dizia em 2011. A diferença é que a Esquerda que, em 2011, puxava os cabelos pelas declarações de Passos Coelho, coloca-se agora do lado de quem o disse porque “o contexto é diferente”. O contexto, como é bom de ver, é a Esquerda estar no poder.
Afectou?
A frente de esquerda justifica o voto contra as hipotéticas sanções a Portugal por “injusto face à grave crise económica e social que afetou Portugal”. Ora permito-me divergir da frente num ponto que pode sugerir algum hipersimplismo na sua análise: a grave crise económica e social que até obrigou a um resgate financeiro não “afectou” Portugal – foi causada por Portugal e pelo desvario do governo socrático de então. E o problema é que a frente de esquerda está a fazer todos os possíveis para “afectar” Portugal com nova e idêntica crise económica e social.
Portas
Quem me conhece e/ou leu textos meus aqui no blogue sabe que sou insuspeito de qualquer átomo de simpatia para com Paulo Portas. Estou, por isso, à vontade para dizer o que direi: se Paulo Portas, como afirma, cumpre escrupulosamente a lei nesta ida para a Mota-Engil, então nada há a apontar a Paulo Portas ou sequer à Mota-Engil.
Contudo, malditas sejam então as leis que permitem a vermes como Paulo Portas (no presente e Jorge Coelho no passado) saltarem de governos para esse charco do regime chamado Mota-Engil.
O gerente da loja
Li agora (o nojo tem-me mantido afastado das notícias) que Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, há já cinco dias, que o programa do PS “não está assim tão longe daquilo que o anterior Governo fez”. Deve ser por o governo não estar “assim tão longe do que foi feito” que pouco mais tem feito do que desfazer o que estava feito.
O triste nisto tudo é saber que todos os outros candidatos ainda eram piores do que Marcelo Rebelo de Sousa.
Criancices
Catarina Martins é, claro, contra as hipotéticas sanções a Portugal pela UE. A sra. vice-primeira-ministra empertiga o nariz e questiona:
“Bruxelas dizia que a austeridade era ser bom aluno. E agora quer sancionar aquilo que foi feito de acordo com o que dizia?”
Alguém com paciência para criancinhas que explique à sra vice-primeira-ministra que não, as sanções não são pelas correcções que fizemos e nos permitiram reduzir o défice. O que está a fazer a UE puxar da palmatória é, precisamente, o inverso: que este simulacro de governo esteja a fazer tudo em desacordo com o que foi feito e com os resultados desastrosos que já se notam.
