Um retrato do país

Alguém achou por bem assinalar com pompa e cerimónia os 40 anos do 1º Governo Constitucional. O geronte Soares, por lhe cheirar a adulação, marcou presença e toda uma tropa sinistra acorreu ao beija-mão: o afectuoso Marcelo, António Costa, Ferro Rodrigues, Pinto Balsemão, múltiplos ministros… Se alguém quisesse perceber como este país chegou ao triste estado actual, bastava ter ido ver a plateia: estavam lá o passado, o presente e o futuro da desgovernação de Portugal.

Painel de esquerda

Faço zapping e passo pela TVI24. José Alberto Carvalho modera um pequeno debate chamado “Portugal depois da vitória” em que os intervenientes são: Fernando Medina, Isabel Moreira, Ricardo Araújo Pereira e um eclesiástico cujo nome não apanhei. A TVI do amigo Figueiredo já nem tenta disfarçar.

O ópio do povo

Marcelo, espertalhão, vai cobrir a selecção nacional com comendas pela conquista do título europeu de futebol. Espero, claro, o anúncio de que Marcelo vai também comendar Sara Moreira e Patrícia Mamona pela conquista dos seus respectivos títulos europeus em atletismo.

O Diabo está nos detalhes

São publicados textos a explicar as duas razões que tramaram Miguel Relvas – e depois mencionam apenas uns detalhes jurídicos.

 

Sejamos honestos. As duas razões que tramaram Miguel Relvas foram: termos um primeiro-ministro chamado Pedro Passos Coelho que, perante dúvidas sobre o currículo académico do seu braço-direito político, deu carta-branca ao ministro da Educação para fazer uma investigação séria; e termos um ministro da Educação chamado Nuno Crato que, incumbido de tal tarefa, não hesitou em agir em conformidade e decretar a nulidade do diploma daquele que era – repito – tão somente o braço-direito político do seu primeiro-ministro.

 

Comparemos: quando o currículo académico do primeiro-ministro Sócrates esteve sob escrutínio, ele “ordenou” ao ministro Mariano Gago uma “investigação” – e este inventou uns pretextos manhosos para fechar a universidade em questão e enterrar as informações relacionadas com o caso.

 

No fim de tudo, o que fica é isto: durante quatro anos tivemos um primeiro-ministro e um ministro da Educação íntegros; nos seis anos antes, tivemos um manhoso como primeiro-ministro e um pau-mandado como ministro do ensino superior.

Vamos à bola

Cinco jogos, quatro empates e uma vitória (após prolongamento).

 

Uma das questões frequentes em conversas sobre futebol é “porquê fulano não foi colocado de início”. Parece clara, tendo em conta o palmarés desta selecção neste Europeu, a razão para Quaresma não ter sido colocado de início contra a Polónia: foi castigado por Fernando Santos por ter marcado o golo que impediu o empate contra a Croácia. Fernando Santos não queria ser “apenas” campeão. Fernando Santos procurava a imortalidade como o único treinador a ser campeão da Europa sem ganhar um único jogo.

Um lapso temporal

A propósito da detenção do director do Museu da Presidência por suspeitas de vários crimes, as caixas de comentários são logo invadidas por gente a ligá-lo a Cavaco Silva. Estas almas bondosas, no seu afã de tentar salpicar Cavaco com qualquer tipo de porcaria possível, parecem querer que nos esqueçamos de que Diogo Gaspar foi escolhido pessoalmente por Jorge Sampaio, não por Cavaco Silva – e isto em 2001. É um pequeno lapso temporal que convém não deixar passar em claro.

Os bifes

Acho piada como aqueles que, sempre que um lunático descarrega uma arma ou se deixa explodir em nome de Alá, são os primeiros a dizer que “o Islão não é aquilo”, andam agora, a propósito de uns labregos ingleses que fazem comentários racistas, a insinuar que aquela é a face de todo um povo que se deixou de conter.