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Portas

Quem me conhece e/ou leu textos meus aqui no blogue sabe que sou insuspeito de qualquer átomo de simpatia para com Paulo Portas. Estou, por isso, à vontade para dizer o que direi: se Paulo Portas, como afirma, cumpre escrupulosamente a lei nesta ida para a Mota-Engil, então nada há a apontar a Paulo Portas ou sequer à Mota-Engil.

 

Contudo, malditas sejam então as leis que permitem a vermes como Paulo Portas (no presente e Jorge Coelho no passado) saltarem de governos para esse charco do regime chamado Mota-Engil.

Os amigos são para as ocasiões

A Mota-Engil “de” Jorge Coelho, ainda recentemente noticiada como o grupo ligado à construção civil que mais cresceu no último ano, quer continuar a crescer. Mais especificamente, pretende aumentar o volume de negócios em 45% até 2015:

 

O objectivo no continente africano passa por alargar a actividade ao espaço da África Austral, com enfoque em projectos de dimensão para grupos multinacionais privados associados à mineração, assim como na expansão da actividade em Moçambique, Angola e Malawi para áreas como o ambiente, a logística e energia, como suporte à construção de infra-estruturas.

 

Reparem no país que destaquei neste parágrafo: Malawi. E nem por acaso:

 

Mota Engil é acusada de oferecer até 40 mil euros ao falecido Presidente do Malawi.

 

A construtora portuguesa Mota Engil foi acusada de fazer «pagamentos periódicos» ao falecido Presidente do Malawi Bingu wa Mutharika, mas a empresa justifica os depósitos bancários com «pagamento de livros» e uma «prenda de casamento».

 

Pagamento de livros e prendas de casamento juntar-se-ão, no metaforismo nacional, aos robalos e às alheiras.

 

Uma alma menos gentil diria que estas pessoas aperfeiçoaram a sua arte na mesma escola – quiçá com o(s) mesmo(s) mestre(s).