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A campanha alegre

O PS queria fazer campanha com “histórias reais” de emigrantes e desempregados. Para tal, achou por bem retratá-las recorrendo, sem pedir autorização, a rostos de pessoas – que são colaboradores numa junta de freguesia por si controlada. Aqui está a ironia de toda esta pulhice: o PS apresenta estas histórias com o slogan “respeitem as pessoas” – e faz campanha sobre desemprego e emigração usando a mesma metodologia que para uma campanha de sabonetes. Pior: pede respeito pelas pessoas – e é o primeiro a não respeitar os direitos daqueles que se prestaram a colaborar consigo.

 

Acrescentemos um facto que tem passado por entre os pingos da chuva: há Presidentes de Junta do PS que usam recursos materiais e humanos que pertencem ao Estado para a campanha socialista. Servem-se do Estado – quando o deviam estar a servir. Assim se explica como o director da campanha do PS, Ascenso Simões, planeia poupar 40% em relação aos gastos de 2011: o PS poupa – e nós gastamos.

 

[A propósito: este mesmo Ascenso Simões, director de campanha de António Costa, ainda quer que o Presidente de República condecore o distintíssimo cidadão José Sócrates Pinto de Sousa?]

 

E a meio de toda esta história criminosa, qual o grau de importância que os jornais de hoje lhe atribuíram? Vejamos a área nas primeiras páginas, assinalada com rectângulos azuis (clicar nas imagens para ampliar)…

cm_20150808.jpg dn_20150808.jpg i_20150808.jpg jn_20150808.jpgpub_20150808.jpg

O Correio da Manhã dá-lhe o mesmo destaque que a uma orca; o DN atribui-lhe o mesmo espaço que às canelas de Júlio Pomar; o I considera isto ao nível de um Vasco Santana; e o JN consegue o milagre de atribuir-lhe tanta superfície – como a uma foto de, entre todas as pessoas, Maria de Belém. De entre todos, o Público ainda é o que se porta mais benzinho – mas, mesmo assim, desterrou-o lá para o canto da esquerda, a ver se o leitor toma aquilo por um anúncio a aparelhos auditivos.

Esquizofrenia

Começa a parecer um caso de dupla personalidade: o José Alberto Carvalho que ontem entrevistou(*) Passos Coelho não é o mesmo José Alberto Carvalho que entrevistou(*) José Sócrates.

 

(*) Se é que podemos chamar entrevista à tentativa de debate de ontem e entrevista a… servir de teleponto humano a Sócrates.

Um título milimétrico

O título é todo um tratado de sacanice:

“Super bactérias mais resistentes devido a cortes na Saúde”.

Os editores de jornais online sabem muito bem que, nesta sociedade Google, raras vezes o leitor chega ao final do primeiro parágrafo de uma notícia – e que, quando esta entra no corrupio acéfalo de partilhas e reencaminhamentos nas redes sociais, o título será o único elemento de acesso imediato e pelo qual as pessoas se guiam.

 

Porquê eu chamar sacanice? Porque em vez de

Super bactérias mais resistentes devido a cortes na saúde

os editores poderiam ter optado, por exemplo, por um igualmente económico, muito mais informativo – e muito menos oblíquo

Mundo: Super bactérias mais resistentes devido a cortes na saúde

ou ainda

Super bactérias mais resistentes devido a cortes mundiais na saúde

O Expresso

O Expresso foi o jornal que, em Fevereiro de 2011, garantiu que o FMI já não vinha:

fmi_ja_nao_vem.jpg

 

 O Expresso foi o jornal que, em Abril de 2013, garantiu que o FMI vinha aí outra vez:

novo_resgate_mais_perto.png

 

O Expresso foi o jornal que, em Dezembro de 2012, pela pena de Nicolau Santos, garantiu que Artur Baptista da Silva era um alto quadro da ONU, economista encartado e uma voz que devia ser ouvida pelo Governo:

artur_baptista_da_silva.jpeg

O Expresso é o jornal que, em Junho de 2015, garante que Jorge Jesus irá para o Sporting e expõe os contornos do acordo como se tivesse estado na mesa de negociações: 

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Perante isto, e até ler declarações em contrário do treinador, do Sporting e do Benfica, vou assumir que Jorge Jesus já assinou a renovação com o Benfica.