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O Público tornou-se o Luta Popular

O editorial de hoje do Público mostra um jornal que já foi de referência a estatelar-se no chão – e continuar a escavar. Escrito num linguajar que não destoaria na página web do Bloco de Esquerda (ou num blogue de João Galamba), afirma que Bruxelas tem uma “agenda autista” e que os credores, membros da troika, “escrevem uma coisa e fazem outra, como inimputáveis em permanente risco de surto psicótico”. Mas o auge do delírio é o magnífico parágrafo final:

É fundamental que Bruxelas perceba que a vontade dos portugueses conta e que há um antes e um depois de 4 de Outubro de 2015. Um Governo que não faça valer a sua legitimação nas urnas não está só a defraudar os eleitores, mas a contribuir também para a criação de uma caricatura da própria democracia. Mas quem se quer fazer respeitar e ouvir não pode enviar sinais errados. As 35 horas e a reintrodução dos feriados são mesmo prioridades?

O Público quer que “Bruxelas perceba que a vontade dos portugueses conta” – quando o próprio governo que temos resulta de a vontade dos portugueses não ter sido levada em conta. O Público afirma que “Um governo que não faça valer a sua legitimação nas urnas” (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja legitimidade resulta de ter sido derrotado nas urnas) “não está só a defraudar os eleitores” (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja existência defrauda os eleitores) “mas a contribuir também para a criação de uma caricatura da própria democracia.” (está, suponho, a falar do governo de Costa cuja criação, depois de pesadamente derrotado nas urnas, resulta de uma visão caricatural da democracia).

 

Eu continuo a não compreender a relação que Belmiro de Azevedo tem para com o Público. 

All Hail Centeno

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Centeno surpreendeu tudo e todos com o esboço do orçamento de Estado para 2016. Porquê? Porque prevê uma revisão em baixa do défice de 2015 para 2,6% e, sabe Deus como, um crescimento do PIB de 2,1%(!) em 2016 acompanhado de uma redução da dívida pública para 126% do Produto Interno Bruto. 

 

Importa recordar que tudo isto sucederá paralelamente à reposição dos cortes salariais na Função Pública, redução do horário de trabalho para 35 horas, reposição dos feriados, aumentos de pensões (ainda que vestigiais), reversão das concessões dos transportes, negociação com os donos da TAP para controlo da maioria do capital da empresa (custos desconhecidos), entre outros mimos para adoçar a boca ao eleitor.

 

Com olhos no futuro, Centeno é o homem certo para mediar e resolver o conflito israelo-árabe, converter os militantes do estado islâmico à fé cristã, acabar com o flagelo da fome no Mundo ou provar que o Elvis está mesmo vivo. Depois de executar um orçamento com estas premissas, o céu é o limite!

Considerações acerca da situação política actual – o Presidente

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  • Licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeira.
  • Doutorado em Economia pela Universidade de York, Reino Unido.
  • Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
  • Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa.
  • Diretor da revista Economia, da Universidade Católica Portuguesa, entre 1977 e 1985
  • Investigador da Fundação Calouste Gulbenkian.
  • Dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal.
  • Ministro das Finanças e do Plano em 1980-81 no Governo do Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro.
  • Presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984.
  • Exerceu funções como Primeiro-Ministro entre 1985 e 1995.
  • Doutor Honoris Causa pelas Universidades de York (Reino Unido), La Coruña (Espanha), Goa (Índia), León (Espanha) e Heriot-Watt (Edimburgo, Escócia).
  • Membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas de Espanha, do Clube de Madrid para a Transição e Consolidação Democrática e da Global Leadership Foundation.
  • Distinguido na Alemanha com o Prémio Carl Bertelsmann que a Fundação Bertelsmann decidiu atribuir a Portugal pelo sucesso das políticas de melhoria do mercado de trabalho e de luta contra o desemprego.
  • Prémio Joseph Bech (1991), no Luxemburgo, e a medalha Robert Schuman (1998), pela sua contribuição para a construção europeia.
  • Freedom Prize (1995), na Suíça, concedido pela Fundação Schmidheiny, pela sua ação como político e economista.
  • Distinguido, em Nápoles, com o Prémio Mediterrâneo Instituições (2009), atribuído pela Fundação Mediterrâneo, “em reconhecimento pelo seu empenho e ação no reforço da solidariedade e de uma ativa cooperação entre os países mediterrânicos, em favor da promoção do desenvolvimento e da Paz, nessa região”.
  • Autor de vasta obra relevante nas áreas de Economia e Finanças.

 

Sei que para muitos o mérito é algo totalmente irrelevante, mas é este o currículo do homem que agora se sujeita, sem precisar desta merda para nada, a ser invectivado por pequenas e sabujas criaturas, subprodutos de um sistema político perverso e corrupto.

 

Alguns usam o seu nome em tom mesquinho e jocoso. Eu uso-o para lhe agradecer. Muito obrigado, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva.