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Um grunho

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Reversões em massa de toda e qualquer medida que reduzisse a influência do Estado na atribuição de benesses ao seu funcionalismo; compra, com o dinheiro do contribuinte, de lugares em empresas privadas; nivelação por baixo do ensino; perseguição ao governador do Banco Central; regresso à subsidiodependência dos agentes culturais; saneamento do director do CCB, etc, etc.

 

O que estamos a observar no nosso rectangulozinho com Costa, Santos Silva, Centeno, Soares, César e etc, é a História que se repete. Quando um ditador sobe ao poder, quando um líder sabe que não tem a legitimidade moral para exercer o cargo, limita-se a governar pela força e a eliminar, pela mera hipótese de uma dissonância, todos os que possam minar a ilusão de poder do “Grande Chefe”, substituindo-os nos cargos de decisão por apaniguados bem amestrados.

 

O comportamento do pseudo-Ministro da Cultura João-filho-do-pai-Soares ao longo deste processo CCB é… soárico. O anafado filho-do-pai sabe que, não fosse pertencer à “família real” da nossa República, estaria votado a uma vida de insignificância no canto de um qualquer escritório de advogados a fazer reconhecimento presencial de assinaturas. Todo o achincalhamento público que praticou sobre o pretérito director António Lamas é próprio da sua figurinha: o medíocre escritor erótico; o ridículo que queria cobrir Lisboa com ladrilhos; o grunho que recordava, com um risinho boçal, as putas do Parque Eduardo VII e rejeitava o vermelho porque “para vermelho já lhe bastava as gajas uma vez por mês“; o filho do soba que gostava de mandar desaparecer o senhor guarda. Ver João Soares a liderar um Ministério da Cultura desperta-me a mesma sensação que ver uma poia a boiar num reservatório de água.

Saber o que dizer

O pequenino e nada augusto César dos Açores diz: “o que ficou hoje evidenciado é que o PSD e o CDS não sabem o que dizer sobre este Orçamento”. Ora tendo em conta aquilo que foi afirmado e desmentido, nos últimos dias, por Costa e Centeno e restantes muchachos, é o próprio PS que não faz a mínima ideia do que dizer sobre o seu próprio Orçamento.

35 horas? Digam antes 20…

Centeno diz que a aplicação das 35 horas semanais será “gradual” e “sem custos”. António Costa diz que a aplicação das 35 horas semanais será imediata já a partir de Julho. O secretário de estado do orçamento diz que a aplicação das 35 horas semanais será “gradual” e “sem acréscimo de custos”.

 

Eu nem vou falar da maravilhosa sintonia entre os elementos do governo. Vou apenas confidenciar estar convencido de que as 35 horas semanas já estão sendo aplicadas há muito tempo – dada a dificuldade que tenho em marcar uma mera consulta de rotina no meu Centro de Saúde…

A simbologia

O nosso ministro da Cultura João filho-do-pai Soares considerou, quando foi nomeado, “positiva a existência de um Ministério da Cultura no executivo de António Costa”. Soares disse também que “a Cultura esteve completamente abandonada e numa situação completamente lamentável durante o governo de coligação PSP/CDS”. Deve ser para reforçar o simbólico da Cultura (com C maiúsculo) que o orçamento do Ministério, descontado o dinheiro que a RTP irá sugar, é inferior em 20% ao orçamento da Secretaria de Estado que a havia votado ao abandono.

 

Já agora: serei a única pessoa do país que se sente desconfortável pelo governo ter colocado a comunicação social pública sob a alçada de um Ministério? Ainda por cima um ministério regido por um membro do clã Soares e que faz parte da ala esquerda mais caceteira do partido? E que relação têm a informação pública, o gordo Fernando Mendes, a insuportável Catarina Furtado, o menos gordo José Carlos Malato, o matemático António Perez Metello e o Trio d’Ataque com – Cultura?