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Em plena luz do dia

O governo designou quatro novos membros para o conselho consultivo do Banco de Portugal. Uma questão menor: o mesmo governo que pretende impor quotas de género na administração de empresas (privadas) cotadas em bolsa, anuncia quatro homens – e zero mulheres – para o conselho consultivo de uma entidade pública.

 

Agora, vamos à questão maior. Quatro nomes: Francisco Louçã, guru do Bloco de Esquerda; Francisco Murteira Nabo, militante do Partido Socialista; e Luis Nazaré, militante do Partido Socialista. João Talone, o quarto, talvez esteja lá para a coisa não se tornar risível.

O eterno fado do corno

Segundo é noticiado, o governo encontrou uma “solução” para os “lesados do BES”. A solução será anunciada na próxima sexta-feira por António Costa. Por outras palavras: na próxima sexta-feira, aqueles (os contribuintes) que irão realmente pagar a “solução” para os “lesados do BES” ficarão a saber o que foi decidido para o seu dinheiro. O corno é sempre o último a saber…

A nova máquina de spin do Governo

Não fosse irmos pagar pesadamente toda esta farsa governativa, eu sentir-me-ia tentado a aplaudir Costa pelo que sucedeu há três dias: o PCP veio a público congratular-se e garantir o controlo da execução orçamental. Ou seja: Costa conseguiu tornar o PCP na sua máquina de spin, juntando António Filipe ao esganiçado Galamba na defesa daquilo que não passa de uma burla.

Também eu…

Catarina Martins, num dos mais espectaculares exercícios de hipocrisia de que me recordo, afirma-se diariamente “arrependida da criação da geringonça“. Também eu, todos os dias, me arrependo da criação desta geringonça (des)governativa. A diferença é que eu não tenho responsabilidade nenhuma no facto e irei pagá-lo com a carteira, enquanto Catarina Martins não só foi aríete da sua criação, como surge nos intervalos do arrependimento a defender o governo com ainda mais empenho do que o próprio.

 

Esta senhora pode ter sido uma actriz medíocre – mas demonstra tudo o que é necessário para uma carreira política de sucesso.

O regresso do doutor marteladas

Centeno é um ministro socialista, não há dúvida. Lê-se hoje na primeira página do DN:

 

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Ou seja, voltamos aos tempos em que eram feitos truques contabilísticos para maquilhar as contas desgovernadas. E se a Europa permitir isto, perderá toda e qualquer credibilidade que lhe restasse.

 

Adenda: quem é que ainda acredita que o défice, com CGD ou sem CGD, ficará minimamente perto dos 2,2%?

Consumir de preferência antes de…

O PS desconfia do apoio de Marcelo ao governo. O mesmo PS estaria escandalizado se Marcelo hostilizasse o governo. Mas aquilo que preocupa o PS não é a hipótese de Marcelo ter dado à geringonça um prazo de validade até às autárquicas. O que realmente deve estar desesperando o PS é saber que terá de governar até às autárquicas – e dessa forma demonstrar, com a realidade de dois anos de governação, como a política actual é suicida.

A cauda que abana o cão

Os rapazes e as raparigas do Bloco de Esquerda, há muito sem “causas e desígnios fracturantes” razoáveis, vieram agora para a praça pública/terreiro público exigir a criação de uma novilíngua ou um novidioma: mudar o nome do Cartão de Cidadão porque é “sexista”.  O ministro-adjunto Eduardo Cabrita, ao saber disto, saltou da cadeira onde repousava a sua corpulência – e de pronto acocorou-se.

 

Permitam-me não ser sexista ao afirmar que as raparigas e rapazes do Bloco de Esquerda – não passam de imbecis e palermas (ambas palavras/ambos vocábulos sem género definido para não chocar as alminhas/os espíritos das raparigas e dos rapazes do Bloco de Esquerda).

A transparência segundo António Costa [2]

Costa negociou com os “lesados” do BES sem que o eleitor faça a mais pequena ideia do que foi combinado e acha-o perfeitamente normal; Costa chamou um amigo para intermediar negociações em nome do Estado (amigo esse com ligações profissionais e negociais que sugerem, no mínimo, conflito de interesses) sem haver sequer um contrato para eleitor ver e acha-o perfeitamente normal; Costa fez uma lei à medida para um caso particular, combinou com Marcelo reter a promulgação enquanto as partes no BPI tentavam um acordo e acha-o perfeitamente normal.

 

Fosse isto num governo da chamada “Direita” e era ver o nosso jornalismo a esganiçar-se de indignação. Sendo Costa um homem “de esquerda”… tudo isto são peanuts que não sairão dos rodapés.

Naturalmente esperou sentado

João filho-do-pai Soares lá apresentou a demissão. Não o fez por achar que tivesse feito alguma coisa mal, mas por “solidariedade com o executivo” – o que evidencia as prioridades do molusco. António Costa lá aceitou “naturalmente”, segundo o próprio, a demissão do primeiro. O problema nem é Costa ter aceitado “naturalmente” a demissão do filho-do-pai. O problema maior foi a “naturalidade” com que António Costa convidou tal alimária para o ministério da Cultura.