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Tirar do sério

O que aconteceu ontem no Parlamento é mais uma evidência de que a Esquerda radical, que fala amiúde em “debate” e arvora a pose pedante dos “campeões da democracia”, não tem qualquer interesse no debate e só reconhece uma democracia quando está no poder – mesmo que tenha chegado lá sem eleições.

 

As atitudes desta Esquerda são de rufia; os argumentos, pela boca de Ana Avoila e Mário Nogueira, de esgoto. Esta Esquerda só se sente bem a fuçar no chiqueiro.

Comunista sofre

Um estudo realizado em Coimbra mostra que quem mais sofre com eventuais sobrecargas de trabalho são as mulheres e, pasme-se… indivíduos que seguem ideologias de esquerda.

 

Não deixa de ser paradoxal o efeito que uma carga excessiva de trabalho exerce sobre o bem-estar dos fiéis seguidores vermelhos. Paradoxal porque, sempre que um acidente lhes permite chegar ao poder num qualquer país que, fruto das circunstâncias, se encontra sem rei nem roque, impõem cargas de trabalho absolutamente monstruosas e, por sinal, não muito bem remuneradas, aos povos desses países. Como em tudo, nisto o bom comunista é hipócrita: trabalhar muito é bom… mas para os outros!

Uma questão de fé

A esquerda-lírica tem executado piruetas de cachalote por causa da campanha de ontem das lojas Pingo Doce (quanta publicidade gratuita…). Fazem-no por variados argumentos, cada um deles tolo e facilmente rebatível. Mas o que mais me diverte é este: “ofende a dignidade do Dia do Trabalhador”.

 

Para esta esquerda, que gosta de se exibir ateia, o Dia do Trabalhador parece então ser uma espécie de Sabat, durante o qual o povo se deve recolher em contemplação de São Marx, escutar o sermão de Frei Arménio Carlos, e entoar em coro a Internacional. Ou seja: um dia reservado à fé.

Retrato a cores e em alta resolução

Maria Filomena Mónica, em entrevista ao jornal I, quando questionada sobre o desempenho da oposição que vamos tendo, responde certeira e lapidar:

 

A oposição desapareceu. O PS não existe, nem sei o que é aquilo. O líder não tem carisma, não sabe o que há-de fazer, está condicionado pelo acordo com a troika. E sucede a um delinquente político chamado Sócrates, o pior exemplo que jamais, na História de Portugal, foi dado ao país: ir para Paris tirar um curso de “sciences po”, depois daquela malograda licenciatura – à qual não dou a menor importância, pois há muitos excelentes políticos que não são licenciados. O engenheiro Sócrates foi o pior que a política pode produzir. Depois de tantos processos em que mentiu, aldrabou, não depôs, ninguém percebeu o que se passou com o Freeport, os portugueses perguntam-se onde foi ele buscar dinheiro para estar em Paris. Quem é que lhe paga as despesas e o curso? A esquerda socialista tem ali este belo exemplar a viver no 16ème, e um sucessor que não inspira ninguém. O PCP vive num mundo antes da queda do Muro de Berlim, e o Bloco de Esquerda habita em Marte.

 

Só discordo em parte minúscula da formulação: Sócrates foi um delinquente político – mas também foi um político delinquente.