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Considerações acerca da situação política actual – a extrema-esquerda

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A extrema-esquerda está finalmente a mostrar de que massa é feita. Movida não pelo desejo de dar um contributo construtivo num momento particularmente sensível da nossa história política, mas antes pela sede de vingança, sem olhar a meios, que sempre alimentou, mal disfarçada, nos seus obscuros corredores. É a mais pura anti-política.

 

Qualquer força extremista, totalmente descompassada face aos preceitos democráticos que nos guiam e orientada unicamente pelo impulso destruidor de se definir contra algo e nada mais deveria ser ilegalizada. É verdade para o nazismo e outros movimentos radicais e xenófobos, também o deveria ser para a extrema-esquerda, responsável, por esse Mundo fora, por algumas das maiores atrocidades que a humanidade conheceu. Uma força política que não recrimina de forma inequívoca e veemente o regime comunista soviético ou a selvajaria de Pyongyang não deveria existir. Simplesmente. Assumo esta opinião sem qualquer reserva.

 

Há quem goste de pensar que Portugal é um país de “esquerda”. Acontece que Portugal é um país de burgueses, pseudo-burgueses e proto-burgueses. Quando juntamos estes dois ingredientes, a mistura fétida que resulta é um estilo de esquerda caviar, intimamente hipócrita. Cavaco salvar-nos-á de um governo de esquerda (ou, pelo menos, nisso quero acreditar), e é só por esse motivo que Portugal continuará a ser um país de esquerda. Nenhum país, em nenhum continente, que tenha sofrido os horrores da governação comunista é de esquerda, pelo menos de forma voluntária. O mesmo se passaria em Portugal. Perante o caos, esta pequena turba burguesa voltar-se-ia rapidamente para a direita, como já fez no passado, por bem menos.

 

PCP e Bloco, que há menos de um mês, e com uma agenda muito própria, vilipendiavam o anafado golpista Costa, são os mesmos que agora se propõem a viabilizar um governo seu. A vontade de canibalizar o PS é indisfarçável. Não simpatizo com o PS mas tenho, contrariado, de lhe reconhecer o peso que tem no centro-esquerda democrático. Está esse peso sob fogo cerrado. PCP e Bloco, mais separados do que juntos, soltaram amarras e procuram capitalizar este momento. Ao aceitar, de forma maliciosa ou ingénua, negociar com esta trupe de circo, Costa torna o voto no PS completamente inútil e, pior do que isso, perigoso. Será este o seu legado.

Oh pá, não me lixem!

Mas passaria seriamente pela cabeça de alguém que uma pessoa com a experiência do José Rodrigues dos Santos faria uma “piada” deste tipo em directo? Eu sei que a rapaziada do PS em particular e da Esquerda em geral está com o dos Santos entalado desde a tareia que ministrou a Sócrates. Contudo, se querem atacá-lo com um mínimo de verosimilhança, façam-no por causa dos livros com que nos vem atormentando – não por causa da iliteracia de um estagiário que transcreve os textos para o teleponto.

Fartinho desta gente

O Presidente da República olhou para os resultados, que dão a coligação PSD/PP com mais deputados, e convidou o líder da coligação a negociar uma solução que ofereça “estabilidade política e governabilidade”. A extrema-esquerda esbraceja. João Oliveira, do PCP, protesta que “não cabe ao Presidente, mas sim aos partidos políticos, criar condições para um novo Governo” – e eu a pensar que sim, que o Presidente tinha pedido ao líder do partido mais votado que criasse condições para um novo Governo. Mariana Mortágua, deslumbrada com o estrelato recente, parece querer que o Presidente convide primeiro a formar governo – o Bloco de Esquerda com os seus 10% de votos.

 

Porque é que esta gente não vai p’rá merda?

Uns e outros

Por um lado, o típico defensor do Syriza afirma não ter sido este que deixou a Grécia na penúria. Por outro lado, os mesmos, ao atacarem o governo de Passos Coelho, já se esquecem convenientemente não ter sido este a deixar Portugal na penúria.

O longo arrastar do Arrastão

O Arrastão, esse farol da blogosfera Esquerda, vai fechar. Daniel Oliveira, escrevendo em nome da Comissão Liquidatária, justifica o fecho com o facto de o estaminé já ter tido melhores dias e a produtividade actual não justificar a sua manutenção.

 

Tem alguma piada: Daniel Oliveira justifica a sua decisão com o mesmo argumentário que critica nas privatizações. Gosto destas pessoas que defendem um capitalismo para a sua própria microeconomia mas um socialismo para a macroeconomia de todos.

A falta de ambição do Tribunal Constitucional

Agora que o Tribunal Constitucional “virou o bico ao prego”, lá se vai a legitimidade pela janela fora.

 

“CGTP diz que cabe a trabalhadores lutar pela redução do horário de trabalho”

 

“PCP vai propor no parlamento reposição das 35 horas semanais na Função Pública”


Ao validar o regime das 40 horas de trabalho para a Função Pública, o TC não foi ambicioso. Ao invés, deveria ter proposto o seu alargamento para 44, como em Cuba, ou o início do dia de trabalho com reuniões políticas de uma hora e o seu encerramento com sessões de auto-crítica, como sucede na Coreia do Norte, esses bastiões da democracia de esquerda.

Cara e coroa

Na sua edição de Novembro, a Ler, dirigida pelo ex-Secretário de Estado da Cultura deste perigoso governo neo-liberal, publicou uma entrevista de oito páginas a Maria Teresa Horta – e com honras de capa.

 

Deixem-me refrasear: neste país governado pela Direita Radical, uma revista privada e independente, dirigida por um ex-governante, deu oito páginas de exposição (e fotografia de capa) a uma escritora politicamente nos antípodas do Poder vigente, e que exibiu o despeito por este de forma bem pública e publicitada.

 

Agora, façamos um exercício…

 

Fosse este país sob um regime tão do agrado de Maria Teresa Horta, não existiria uma revista privada, muito menos independente, para promover o trabalho de qualquer um; um opositor ao Poder não teria a liberdade de fazer o número que Maria Teresa Horta fez; e as oito páginas que Maria Teresa Horta teria sobre si seriam as da transcrição do seu (sumaríssimo) julgamento, após o qual iria em viagem para um campo de reeducação.

C3H5(NO2)3

 

Isabel do Carmo é de Esquerda, claramente de Esquerda, ultramente de Esquerda.

 

Isabel do Carmo é uma médica ultra-esquerdista, e como tal uma defensora acérrima do serviço nacional de saúde – que nunca se impediu de ter actividade simultânea na clínica privada.

 

Isabel do Carmo é uma mulher de convicções fortes – que, quando questionada se voltaria à luta armada, responde, com risos, que “agora não lhe apetecia ser presa”. A força das convicções, como é bom de ver, rapidamente esmorece quando coloca em risco o conforto do sofá e da mantinha sobre os joelhos.

 

Isabel do Carmo foi condecorada pelo então Presidente Jorge Sampaio – estou certo que não pela sua participação nos ataques bombistas perpetrados pelas Brigadas Revolucionárias.

 

Isabel do Carmo diz que hoje a estrutura do capitalismo é demasiado ampla para se pôr bombas – e quase ouço, nestas palavras escritas, o tom de desalento da sua voz.

 

Mas Isabel do Carmo, plena de moral, nega-se bombista. Confirma que transportou o material explosivo para as bombas, esteve integrada nas acções, fez observações dos locais. “Participei completamente na organização, mas nunca instalei”, diz orgulhosa – e isso, para a coerente Isabel do Carmo, é suficiente para a desqualificar como bombista. Isto é a mesma linha de raciocínio daquela gente que fuma charros mas, como não prende o fumo, afirma que nunca se drogou. Ou, num registo mais sério, seria uma linha de raciocínio que ilibaria Bin Laden do epíteto de terrorista – pois não foi a sua mão que dirigiu os aviões contra as torres.

 

A neo-burguesa Isabel do Carmo pode já não ser a bombista que foi – mas é, seguramente, uma hipócrita cara-de-pau.

A Esquerda Caceteira

Primeiro, a nossa Esquerda Caceteira disse matem-no e esfolem-no porque a Presidência da República teria apresentado condolências pela morte de António Borges – e não pelos três bombeiros mortos em serviço. Depois, quando se viram desmentidos pelos factos e se soube que a Presidência da República apresentara, no recato da privacidade, condolências às famílias dos bombeiros, a Esquerda Caceteira disse matem-no e esfolem-no porque seriam condolências de segunda, por comparação com as de primeira apresentadas a propósito de Borges.

 

Alguém duvida de que, caso a Presidência da República tivesse apresentado condolências publiquíssimas pela morte dos bombeiros, esta mesma Esquerda Caceteira diria matem-no e esfolem-no, pois Cavaco Silva estaria a aproveitar-se da tragédia que caíra sobre as famílias dos bombeiros para proceder a uma operação de charme?