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Redundâncias

Os apologistas da geringonça, agora cansados com as manifs (pelos vistos, o direito à indignação tem limites impostos pela mediatriz política), acodem ao governo no assunto “ensino privado” com o argumento de que o Estado não deve ter gastos redundantes. Já o contribuinte que paga compulsivamente, quer usufrua dele quer não, o ensino público, pode ter gastos redundantes.

O impeachment

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A propósito do impeachment brasileiro, que vai permitir ao povo livrar-se de uma presidente arrogante, incompetente e corrupta, tenho assinalado a insurgência de eminentes figuras da esquerda portuguesa.

 

Parece que a história do recurso a um instrumento constitucionalmente previsto para derrubar uma força política eleita nas urnas só vale deste lado do Atlântico. 

Da coerência

Há pouco mais de um ano, todos queriam ser Charlie Hebdo e ai de quem não quisesse ser Charlie. Hoje, nenhum quer ser Henrique Raposo – e por vontade deles, nem o próprio o pode ser. Assim se vê a coerência desta esquerdinha. O direito à liberdade de expressão depende, afinal, do lado do espectro em que está situado aquele que se expressa. Há um ano cobriam a cabeça com cinzas. Hoje insultam, ameaçam, fecham contas de Facebook, obrigam a alterar o local da apresentação do livro e imagino-os mesmo sedentos de seguir o exemplo de uns outros cavalheiros que, em 1933, também decidiram manifestar o seu desagrado com certos livros:

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O bilhete

Vamos ver se eu pecebo.

 

Durante quatro anos, Pacheco Pereira pelejou contra os neoliberais que estavam a subjugar tudo à ditadura dos números. António Costa, apresentado como “uma lufada de ar fresco” pela artistalhada peticionária que se gosta de dizer independente e anti-sistema mas sempre apoia o que vem do Largo do Rato, era o novo Messias que iria heroicamente cortar as cabeças da hidra austeritária e traria de novo a Arte (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a arte é sempre maiusculada) para o quotidiano.

 

Pois o que faz, meses depois, o primeiro quando convidado para Serralves pelo segundo? Cobra entradas onde antes havia gratuitidade, subjugando o acesso do povo à Cultura (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a Cultura é sempre ministeriável) perante a ditadura dos números.