Os apologistas da geringonça, agora cansados com as manifs (pelos vistos, o direito à indignação tem limites impostos pela mediatriz política), acodem ao governo no assunto “ensino privado” com o argumento de que o Estado não deve ter gastos redundantes. Já o contribuinte que paga compulsivamente, quer usufrua dele quer não, o ensino público, pode ter gastos redundantes.
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O impeachment [2]
Não, António, para a esquerdinha a legitimidade do “recurso a um instrumento constitucionalmente previsto para derrubar uma força política eleita nas urnas” não depende do lado do Atlântico em que está a força a ser derrubada – depende, sim, do lado do espectro político em que tal força está.
O impeachment
A propósito do impeachment brasileiro, que vai permitir ao povo livrar-se de uma presidente arrogante, incompetente e corrupta, tenho assinalado a insurgência de eminentes figuras da esquerda portuguesa.
Parece que a história do recurso a um instrumento constitucionalmente previsto para derrubar uma força política eleita nas urnas só vale deste lado do Atlântico.
Intérpretes do tempo novo
Da coerência
Há pouco mais de um ano, todos queriam ser Charlie Hebdo e ai de quem não quisesse ser Charlie. Hoje, nenhum quer ser Henrique Raposo – e por vontade deles, nem o próprio o pode ser. Assim se vê a coerência desta esquerdinha. O direito à liberdade de expressão depende, afinal, do lado do espectro em que está situado aquele que se expressa. Há um ano cobriam a cabeça com cinzas. Hoje insultam, ameaçam, fecham contas de Facebook, obrigam a alterar o local da apresentação do livro e imagino-os mesmo sedentos de seguir o exemplo de uns outros cavalheiros que, em 1933, também decidiram manifestar o seu desagrado com certos livros:
O bilhete
Vamos ver se eu pecebo.
Durante quatro anos, Pacheco Pereira pelejou contra os neoliberais que estavam a subjugar tudo à ditadura dos números. António Costa, apresentado como “uma lufada de ar fresco” pela artistalhada peticionária que se gosta de dizer independente e anti-sistema mas sempre apoia o que vem do Largo do Rato, era o novo Messias que iria heroicamente cortar as cabeças da hidra austeritária e traria de novo a Arte (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a arte é sempre maiusculada) para o quotidiano.
Pois o que faz, meses depois, o primeiro quando convidado para Serralves pelo segundo? Cobra entradas onde antes havia gratuitidade, subjugando o acesso do povo à Cultura (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a Cultura é sempre ministeriável) perante a ditadura dos números.
Apreciemos enquanto podemos
Apreciemos o humor de “Mário Sentino” enquanto o Twitter não suspender a conta porque alguém se indigna. Finjamos não reparar que é proibida a indignação com contas satíricas sobre políticos de direita.
Já?!
O quê, já estão a inventar desculpas?
As regras da esquerda
O velho Soares dizia: se não há dinheiro, fabrique-se moeda – e já passa a haver dinheiro. Esta nova-velha esquerda diz: se a nossa loucura não se encaixa nos limites que temos para o défice – alterem-se os limites para o défice que permitam encaixar a nossa loucura.
Muralhas… muros… cortinas…
O Público publica hoje que o PS promete “muralha de aço” erguida até segunda-feira. O partido que equivalia o putativo acordo a alcançar com o PCP a “deitar abaixo o resto do muro de Berlim” quer agora, com o mesmo partido, erguer uma muralha de aço – talvez todos saudosos da pretérita cortina de ferro.


