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As promessas do dia

Costa promete acabar com prova de acesso à carreira docente. Sugere que irá acabar com o exame de inglês no Ensino Básico. Afirma que irá evitar “descontinuidade no sistema educativo” – até tremo só de pensar nos possíveis significados para esta talhada de coisa nenhuma. Proponho que Costa prometa acabar com os exames de entrada na faculdade. E já agora, porque não acabar também com os exames – teórico e prático – da carta de condução?

 

Na Finlândia, o governo presenteia todas as mulheres grávidas com uma caixa de cartão que inclui roupas, lençóis e brinquedos. António Costa que prometa incluir também uma carta de condução e um diploma universitário com o nome do curso em branco – para o rebento poder depois escolher o que será conforme a sua vocação.

Costa perdeu as eleições

As sondagens valem o que valem, mas valem alguma coisa. De forma unânime, vão dando empate técnico com ligeira vantagem para a coligação. As que desafinam, dão uma vitória clara da coligação. É engraçado ouvir os comentadeiros especialistas afirmando que não se pode dizer que a coligação siga na frente, pois a sua vantagem (mesmo quando ronda os 6/7%) está enquadrado no intervalo de erro da sondagem. Não deixa de ser verdade. O que também é verdade e legítimo é que se aplicarmos essa margem de erro em sentido inverso a vantagem é de 14%…

 

A única certeza que há, para já, é que António Costa vai perder as eleições. Mesmo que ganhe! E é preciso ser um político fantástico para conseguir perder as eleições, mesmo quando as ganha. Até para Costa, habituado a dizer uma coisa e o seu contrário e a deambular entre a ala mais moderada e a mais radical do PS de acordo com os ventos da conveniência, esta é uma façanha digna de registo. Perante um Governo obrigado a aplicar medidas austeritárias faraónicas e que cortou tudo o que havia para cortar, até um banco de cozinha do IKEA ganharia facilmente as eleições, com uma margem confortável. Mas o PS não elegeu como líder um banco de cozinha do IKEA. Lamentavelmente, elegeu Costa…

 

O PS convenceu-se, há cerca de dois anos, que seriam favas contadas. António Costa dedicou-se mais à purga interna e às execuções em praça pública do que a explicar aos portugueses porque poderia ser uma alternativa válida. Não o fez também porque não o é. Hoje, as pessoas veêm-se na contingência de votar na coligação. Ou de ir à praia. Ou de ficar a ver a bola. Se dúvidas houvesse, Costa tratou de as esclarecer, quando decidiu ameaçar o eleitorado…

O que eu andei para aqui chegar

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António Costa diz que não chegou à política vindo de “empresas obscuras”. Tem razão. António Costa chegou à política vindo do berço. Inscreveu-se no PS aos 14 anos, com uma carreira política desde sempre acompanhada de perto por Guterres. Esteve com Constâncio quando este liderava o PS. Esteve com Sampaio quando este liderava o PS, tendo chegado a estagiar no seu escritório de advocacia. Reaproximou-se de Guterres quando lhe pressentiu a chegada ao poder. Aproximou-se de Sócrates quando lhe pressentiu a chegada ao poder. Não se aproximou de Seguro porque este nunca teve sequer uma miragem de poder. António Costa tem um talento inegável: como um catavento, percebe para onde se deve orientar e a sua carreira é um longo rol de aproximações por conveniência, manobras de bastidores e facadas nas costas.

Costa ganhou? Sim e não…

Acompanhei o enfadonho debate de ontem. Uma hora e meia sem uma única ideia para a próxima legislatura, nem de um lado nem do outro. Uma hora e meia de lavagem de roupa suja e conversas patetas acerca do passado. Uma hora e meia vazia, que nos faz arrepender de não termos estado a fazer qualquer outra coisa.

 

Costa ganhou o debate, quanto mais não seja porque conseguiu manter Passos Coelho permanentemente a reboque das suas acusações. Tomou a liderança, Passos seguiu, de forma ingénua. Explicou-se demais, normalmente mal, e acabou por não conseguir fazer passar a sua mensagem. Costa esteve agressivo e acutilante, embora raras vezes honesto, e Passos foi… passivo, talvez demasiado confortável com a tendência nas intenções de voto, que se mostra consistentemente favorável. Por isso, Passos terá entrado para não perder, para o empate. Como normalmente sucede com quem entra para empatar, perdeu.

 

Mas é importante analisar esta vitória. Costa ganhou no estilo, ganhou na postura, mas não no conteúdo. Não conseguiu, por um segundo que fosse, dissociar-se do legado socrático que paira sobre si como um fantasma inquieto, não apresentou uma única ideia ou medida concreta para os próximos 4 anos e até teve aquele deslize do “se tem saudades do eng. Sócrates vá visitá-lo e debata com ele…”, de uma deselegância que nos fez recordar que estavámos, afinal, na presença de um socialista.

 

Costa ganhou, é verdade, mas foi uma vitória pífia. Dificilmente terá convencido eleitores a votar em si, simplesmente porque não apresentou qualquer alternativa viável. Dificilmente terá sido suficiente para inverter a tendência que se tem verificado nas sondagens. Fica, no entanto, o aviso a Passos Coelho. Relaxar em cima dessa tendência pode ser uma estratégia perigosa. Colar Costa ao ex-recluso 44 não chega e a procissão ainda vai no adro.

 

Falta menos de um mês. A ver vamos!

A campanha alegre

O PS queria fazer campanha com “histórias reais” de emigrantes e desempregados. Para tal, achou por bem retratá-las recorrendo, sem pedir autorização, a rostos de pessoas – que são colaboradores numa junta de freguesia por si controlada. Aqui está a ironia de toda esta pulhice: o PS apresenta estas histórias com o slogan “respeitem as pessoas” – e faz campanha sobre desemprego e emigração usando a mesma metodologia que para uma campanha de sabonetes. Pior: pede respeito pelas pessoas – e é o primeiro a não respeitar os direitos daqueles que se prestaram a colaborar consigo.

 

Acrescentemos um facto que tem passado por entre os pingos da chuva: há Presidentes de Junta do PS que usam recursos materiais e humanos que pertencem ao Estado para a campanha socialista. Servem-se do Estado – quando o deviam estar a servir. Assim se explica como o director da campanha do PS, Ascenso Simões, planeia poupar 40% em relação aos gastos de 2011: o PS poupa – e nós gastamos.

 

[A propósito: este mesmo Ascenso Simões, director de campanha de António Costa, ainda quer que o Presidente de República condecore o distintíssimo cidadão José Sócrates Pinto de Sousa?]

 

E a meio de toda esta história criminosa, qual o grau de importância que os jornais de hoje lhe atribuíram? Vejamos a área nas primeiras páginas, assinalada com rectângulos azuis (clicar nas imagens para ampliar)…

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O Correio da Manhã dá-lhe o mesmo destaque que a uma orca; o DN atribui-lhe o mesmo espaço que às canelas de Júlio Pomar; o I considera isto ao nível de um Vasco Santana; e o JN consegue o milagre de atribuir-lhe tanta superfície – como a uma foto de, entre todas as pessoas, Maria de Belém. De entre todos, o Público ainda é o que se porta mais benzinho – mas, mesmo assim, desterrou-o lá para o canto da esquerda, a ver se o leitor toma aquilo por um anúncio a aparelhos auditivos.

Falta de paciência (2)

António Costa considera “dramática” a situação do emprego em Portugal. O desemprego em Abril/2015, governo PSD/PP e após um doloroso ajustamento, desceu para 13%; em Abril/2011, governo PS pré-bancarrota e após esbanjamentos eleitoralistas, estava em 12,4%. Gostaria que algum jornalista lhe perguntasse o porquê de estes 0,6% de diferença fazerem, para António Costa, a separação entre “herança de que se orgulha” e “situação dramática”.

Falta de paciência

Sim, estou com falta de paciência para com António Costa – e para com o jornalismo que lhe permite as maiores tretas e pulhices.

 

Hoje, Costa diz:

Chamo a atenção que estamos numa circunstância política muito especial, já que em condições normais daqui a três semanas este Governo cessaria funções. Só por circunstâncias excecionais previstas na Constituição é que este mandato se vai prolongar por mais alguns meses (…)

 

Suponho que Costa, com a sua carinha de sapo de La Fontaine, se refere ao facto de o Governo estar prestes a cumprir quatro anos de legislatura (foi eleito em 5 de Junho). Acontece que eu gostaria que algum jornalista, não me interessa saído de onde, lhe perguntasse:

Dr. António Costa, não teria ainda mais razão para protestar em 2009, dado que o governo de Sócrates havia sido eleito em Fevereiro de 2005?