Medina diz-se perplexo com a falta de civismo dos condutores em Lisboa – por estacionarem em locais indevidos. Eu aguardo o anúncio de igual perplexidade de Medina com a falta de civismo dos ciclistas – por circularem em locais indevidos e não respeitarem regras básicas.
Aquivos por Autor: João Sousa
Admirável mundo novo
Segundo leio no Público, a nova proposta de lei do Governo de “combate à discriminação racial e étnica e à xenofobia” tem esta particularidade:
Na proposta também está contemplada a questão do ónus da prova: sempre que se verifique um acto racista ou xenófobo, a vítima não tem necessidade de provar os critérios que os motivaram – ou seja, presume-se a intenção discriminatória, que pode ser rebatida nas entidades competentes.
Portanto, o alegado racista (acusado) é que tem de provar que não discriminou ou que não é racista. Esta Esquerda, que sempre se contorceu como um verme com qualquer coisa que lhe cheirasse a inversão do ónus da prova em casos de corrupção ou enriquecimento ilegal, acaba de o inverter para putativas discriminações.
O mistério dos contos proibidos
O livro de Cavaco Silva Quinta-feira e outros dias esgotou a primeira edição. A Porto Editora já veio anunciar que irá distribuir uma segunda edição. Ou seja: o livro de Rui Mateus “Contos Proibidos – Memórias de um PS desconhecido” continua a ser o único caso no mundo da edição de um sucesso de vendas que nunca foi reeditado.
Os grandes-educadores
Pedagogia – eis o que o Governo se propõe fazer junto dos doentes nas urgências hospitalares “para reduzir o número de doentes que procuram as instituições sem critérios de emergência médica”. Se fosse um governo de centro-direita a dizer algo assim, o que a esquerda não espumaria. Como é um governo da esquerda boazinha, já a culpa é do doente e faz-se “pedagogia”. Talvez para que ele, na próxima, não seja piegas…
Amnésia
Mick Jagger terá escrito um livro de memórias na década de 80 – mas afirma não se lembrar de o fazer. Já José Sócrates não escreveu livros – e lembra-se de o ter feito.
Perspectiva

Manuela Ferreira Leite defende que Centeno não está fragilizado (e gosto de ver como, agora, a esquerda arremessa as palavras da outrora “velha” como um farol de clarividência). Mas desta vez concordo com Ferreira Leite: estar fragilizado agora implicaria que, algures no tempo, teria estado fortalecido.
Uma borbulha mal explicada
Há três dias, apareceu-me uma pequena borbulha na barriga da perna. Vou seguir o conselho de Sócrates e pedir explicações por isto a Cavaco Silva.
Uma evolução?
O Público titula que “Ambiente falhou medição de enxofre no ar em Setúbal” a propósito do incêndio na Sapec Agro que libertou vastas quantidades de dióxido de enxofre. Fosse há um par de anos e o título seria algo do género “Cortes orçamentais deixam viatura avariada incapaz de medir enxofre no ar em Setúbal”. Mas talvez seja cinismo meu. Talvez isto não seja mais do que seriedade na linha editorial agora que David Diniz está ao leme.
Q.E.D.

O esganiçado Galamba acusar Marcelo de estar tão implicado como Centeno é, para mim, a mais indiscutível prova de que Marcelo está inocente.
Se Arquimedes o descobriu…
Os excelsos ciclistas urbanos que não param nas passadeiras precisam de interiorizar alguns conceitos de física básica. É certo que o seu momento linear tende a ser maior do que o meu, mercê de transitarem a uma velocidade superior. Contudo, os meus pés com tamanho 43, por me proporcionarem uma base de apoio muito maior e serem capazes de gerar atrito superior à superfície de contacto das rodinhas das suas biclas, permitem que não seja eu a experimentar os efeitos da gravidade e as consequências das primeira (inércia) e terceira (acção-reacção) leis de Newton quando os eminentíssimos, num arroubo de audácia, pretendem desafiar a velha lei de Arquimedes que postula a impossibilidade de dois corpos ocuparem o mesmo espaço – e tentam ocupar o espaço que já está ocupado por mim.