Aquivos por Autor: João Sousa

A máquina de propaganda a todo o vapor

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Vi salvo erro na Sexta-Feira, com estes dois olhos que a terra há-de comer, que o programa da tarde na Sic tinha convidado para perorar à sua audiência de donas-de-casa e funcionários públicos – Isabel Moreira! Já há um par de semanas, o jornal de grande informação Dica da Semana tinha na capa – Vieira da Silva! A isto se pode chamar “asfixia propagandística”.

Da infantilização


The First Rule of Con
: Find somebody who wants something for nothing, then give him nothing for something.

 

Os “lesados do BES” propõem-se processar o Banco de Portugal porque, afirmam, as reportagens da SIC provam que sabia dos seus problemas e não procedeu como devia. Tem piada: eu pensava, cá na minha inocência, que a gestão do BES teve muito mais responsabilidade em “não proceder como devia”…

O desinvestimento da automatização

O problema do actual contexto político com os actuais actores políticos é notícias, provavelmente feitas com boa-fé, poderem dar azo a interpretações manhosas.

 

Um exemplo. O Jornal Económico apresenta-nos isto:

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Depois, lemos a notícia e nada mais é apresentado senão números e estatísticas retiradas da Pordata. Não é feita nenhuma contextualização, nada. Imagino já, num qualquer próximo debate parlamentar, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa esganiç… dizerem em voz alta e de dedinho em riste: aqui está a evidência do desinvestimento nos transportes públicos. A interpretação da realidade: aqui está a evidência da automatização e modernização dos equipamentos.

Haja alguém que lhes explique

São José Almeida escreve no Público:

“O escândalo dos dez mil milhões de euros que foram colocados em contas offshore por bancos portugueses entre 2011 e 2015, sem que dessas transferências tenha sido tributado um tostão, é apenas um sintoma dessa impunidade.”

Alguém com paciência para falar a criancinhas que explique isto à senhora e restantes camaradas dela que se limitam a amplificar a desinformação da esquerda parlamentar: transferir dinheiro para um offshore não é um acto ilícito nem obriga automaticamente ao pagamento de qualquer imposto. O dinheiro das pessoas que o enviam para um offshore é delas, não é do Estado, do PS ou do fisco.

“A priori” é o oposto de “a posteriori”

O jornal Sol diz, a propósito das negociações à Esquerda para as presidenciais francesas, que Esquerda tenta geringonça em França. O jornal Sol está errado. A nossa geringonça foi um acordo negociado em segredo antes das eleições e nunca assumido perante o eleitorado (a habitual transparência à Costa). Os esquerdistas franceses, pelo contrário, estão a fazer a coisa às claras e perante toda a gente – o eleitorado francês, ao contrário do português, vai para as urnas plenamente informado.

Ah, cá está o Ralha

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O título da notícia é uma certeza caça-cliques: “Lista VIP impediu acompanhamento da saída de 10 mil milhões para offshores”. Depois, lê-se a notícia e a certeza, afinal, é a certeza de Paulo Ralha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos. O I podia ter titulado –  “O sindicalista Paulo Ralha afirma que Lista VIP impediu acompanhamento da saída de 10 mil milhões para offshores”? Poder podia – mas não era a mesma coisa.

 

Ralha, na sua tão típica atitude bloquista, diz-se não surpreso pela fuga dos tais 10 mil milhões para offshores. Ralha quer fazer-nos esquecer, com este palavreado, que os tais milhões que toda a gente de esquerda anda a esganiçar terem “fugido” foram reportados pelos bancos, pelo Banco de Portugal, e os dados estão de facto nos servidores do fisco. Isto seria um pouco como alguém fugir de uma cadeia e passar pela guarita dos guardas deixando-lhes um papel com a morada onde estaria escondido e o seu número de telemóvel – mas, desta esquerda, não se pode pedir melhor.

 

Ralha diz que o dinheiro não foi controlado. Ora se não foi controlado, não foi por não terem as informações necessárias. Mais, se não foi controlado, pode ainda ser durante muitos anos – pois foi o governo PSD/CDS que ampliou o período de prescrição de quatro para doze anos. Ralha talvez não tenha reparado que, se ainda estivesse em vigor a regra deixada pelo governo de Sócrates, então sim já não seria possível controlar estes movimentos. Mas lembrar tal seria, para Ralha, desmentir a sua verdade alternativa.

 

A mim choca-me que gente como Ralha venha dizer, por exemplo, barbaridades como “uma parte do trabalho de combate à evasão fiscal é feita através de tiros no escuro” como álibi para atribuir ainda mais poder sem escrutínio aos funcionários da polícia fiscal. Ralha acha que os funcionários do fisco devem, a bem dos tais “tiros no escuro”, poder aceder indiscriminadamente aos dados de todo o contribuinte. Ralha acha bem que funcionários fiscais possam aceder livremente aos dados do Presidente da República porque “tinham curiosidade em saber quanto ele ganha”. Ralha não se importa que o meu vizinho, funcionário nas finanças, tenha a liberdade de ir bisbilhotar os meus dados fiscais – talvez para me tentar chantagear na próxima reunião de condomínio. 

 

Ralha denuncia a interferência política no trabalho. Ralha fala em intimidação pelos dirigentes políticos. Ralha não fala, muito convenientemente, disto:

A lista VIP terá sido criada com o objetivo de monitorizar acessos indevidos aos processos dos cidadãos em causa, depois de vários funcionários das Finanças terem sido descobertos a fazer consultas irregulares. O caso foi descoberto depois de uma notícia do i que divulgou informações do IRS de Passos Coelho e levou a demissões na Autoridade Tributária, obrigando o governo a lançar com urgência um novo concurso.

Mas talvez Ralha não tenha culpa de não saber disto. Afinal, o jornal I relegou, para o final de um texto que se prolonga por quatro ecrãs, a parte que desmente toda a credibilidade do sindicalista.

Em plena luz do dia

O governo designou quatro novos membros para o conselho consultivo do Banco de Portugal. Uma questão menor: o mesmo governo que pretende impor quotas de género na administração de empresas (privadas) cotadas em bolsa, anuncia quatro homens – e zero mulheres – para o conselho consultivo de uma entidade pública.

 

Agora, vamos à questão maior. Quatro nomes: Francisco Louçã, guru do Bloco de Esquerda; Francisco Murteira Nabo, militante do Partido Socialista; e Luis Nazaré, militante do Partido Socialista. João Talone, o quarto, talvez esteja lá para a coisa não se tornar risível.