Li há pouco que o novo secretário de estado da Cultura será Miguel Honrado, até hoje presidente do conselho de administração do Teatro Nacional D. Maria II. Se o ministro é o nº 185 da petição A Cultura Apoia António Costa, o secretário de estado é o nº 367 da mesma petição. Parece que a petição era, afinal, uma agência de emprego.
Aquivos por Autor: João Sousa
Nº 185
Francisco José Viegas, pessoa inteligente e que conhece bem o meio cultural, escreveu na sexta-feira a propósito da demissão do filho-do-pai Soares:
António Costa irá finalmente indigitar um daqueles que lhe garantiram que «a cultura está com António Costa», porque, lá está, ou são os proprietários da cultura, ou a cultura os informou da sua preferência, ou entre eles e a cultura não há diferenças essenciais.
Dois dias depois, eis que é anunciado o novo ministro da Cultura: Luís Filipe Castro Mendes. Pessoa que sabe usar talheres e assoar-se num lenço (ao contrário do seu antecessor), o embaixador é retratado pelo próprio Francisco José Viegas como “uma escolha muito sensata, em termos políticos, e uma pessoa muito adequada ao cargo”. Não tendo razões para não dar o benefício da dúvida ao sr. embaixador, não posso deixar de acrescentar um detalhe: Luís Filipe Carrilho de Castro Mendes foi o signatário nº 185 da petição “A Cultura Apoia António Costa”.
Onde já vi isto antes?
Teixeira dos Santos, o homem que estava na pasta das Finanças e que pediu o último resgate, diz não antever “risco significativo” para novo resgate. Bom, talvez tenha razão – afinal, hoje em dia ele é, por (in)acção própria, um dos grandes construtores de resgates financeiros que temos no país.
Por outro lado, não consigo evitar a sensação de que este “não há risco significativo” (o que implica, pelo adjectivo, que não inexiste o risco) é um pouco como os dirigentes de futebol que “reiteram a confiança” num treinador que vem perdendo jogos – uma semana antes de o despedirem.
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O Expresso titula na sua primeira página que “Centeno usa medidas de Passos para travar défice”. Claro, seguramente não seria com as medidas de Costa que Centeno travaria o défice…
Naturalmente esperou sentado
João filho-do-pai Soares lá apresentou a demissão. Não o fez por achar que tivesse feito alguma coisa mal, mas por “solidariedade com o executivo” – o que evidencia as prioridades do molusco. António Costa lá aceitou “naturalmente”, segundo o próprio, a demissão do primeiro. O problema nem é Costa ter aceitado “naturalmente” a demissão do filho-do-pai. O problema maior foi a “naturalidade” com que António Costa convidou tal alimária para o ministério da Cultura.
Um cretino é sempre um cretino
O suposto Ministro da Cultura renova a promessa de “bofetadas” a um crítico cultural que, pelos vistos, não lhe presta a vassalagem devida. Recordo: num passado já longínquo, quando o destino da nação estava nas mãos de um homem digno, o primeiro-ministro Cavaco Silva demitiu um ministro por causa de uma mera anedota sem piada.
Previsões
O Banco de Portugal revê em baixa as previsões económicas para este ano – que são muito abaixo das (miragens) apresentadas pelo governo. Torna-se evidente o problema que António Costa tem com Carlos Costa: o que lhe convinha era um dócil Constâncio II para apresentar, sem problemas de consciência, os números que o “patrão” lhe soprasse ao ouvido.
Cobardia na Alemanha
Em consequência do ataque sexual em massa registado na passagem do ano, a Mitteldeutsche Regiobahn criou uma carruagem exclusiva para mulheres (e crianças até 10 anos). Isto não é tentar resolver o problema pela causa – é tentar resolvê-lo pela consequência. Imagino que daqui a uns tempos vai-se proibir as mulheres de usarem calças de ganga justas ou mini-saia.
Freak show
Há quase dois anos, perguntei aqui a propósito de Conchita Wurz e o Festival da Eurovisão:
“Estará o Festival da Eurovisão, desde sempre um decadente certame de piroseira, a premiar a qualidade musical das canções – ou o circo mediático capaz de ser gerado pelos concorrentes?”
Este ano, o concorrente da Bielorrússia quer subir ao palco nu e acompanhado por dois lobos. Preciso de dizer mais alguma coisa?
Com e sem
O título é um défice de 4,4% no ano passado. O subtítulo:
“Sem efeito do Banif, maior do que o esperado, défice seria 3% do PIB – o que poderia permitir saída de Portugal do procedimento por défice excessivo.”
Talvez alguns comecem a perceber o porquê de enjorcar o caso BANIF.