Aquivos por Autor: João Sousa

Nº 185

Francisco José Viegas, pessoa inteligente e que conhece bem o meio cultural, escreveu na sexta-feira a propósito da demissão do filho-do-pai Soares:

António Costa irá finalmente indigitar um daqueles que lhe garantiram que «a cultura está com António Costa», porque, lá está, ou são os proprietários da cultura, ou a cultura os informou da sua preferência, ou entre eles e a cultura não há diferenças essenciais.

Dois dias depois, eis que é anunciado o novo ministro da Cultura: Luís Filipe Castro Mendes. Pessoa que sabe usar talheres e assoar-se num lenço (ao contrário do seu antecessor), o embaixador é retratado pelo próprio Francisco José Viegas como “uma escolha muito sensata, em termos políticos, e uma pessoa muito adequada ao cargo”. Não tendo razões para não dar o benefício da dúvida ao sr. embaixador, não posso deixar de acrescentar um detalhe: Luís Filipe Carrilho de Castro Mendes foi o signatário nº 185 da petição “A Cultura Apoia António Costa”.

Onde já vi isto antes?

Teixeira dos Santos, o homem que estava na pasta das Finanças e que pediu o último resgate, diz não antever “risco significativo” para novo resgate. Bom, talvez tenha razão – afinal, hoje em dia ele é, por (in)acção própria, um dos grandes construtores de resgates financeiros que temos no país.

 

Por outro lado, não consigo evitar a sensação de que este “não há risco significativo” (o que implica, pelo adjectivo, que não inexiste o risco) é um pouco como os dirigentes de futebol que “reiteram a confiança” num treinador que vem perdendo jogos – uma semana antes de o despedirem.

Naturalmente esperou sentado

João filho-do-pai Soares lá apresentou a demissão. Não o fez por achar que tivesse feito alguma coisa mal, mas por “solidariedade com o executivo” – o que evidencia as prioridades do molusco. António Costa lá aceitou “naturalmente”, segundo o próprio, a demissão do primeiro. O problema nem é Costa ter aceitado “naturalmente” a demissão do filho-do-pai. O problema maior foi a “naturalidade” com que António Costa convidou tal alimária para o ministério da Cultura.

Freak show

Há quase dois anos, perguntei aqui a propósito de Conchita Wurz e o Festival da Eurovisão:

“Estará o Festival da Eurovisão, desde sempre um decadente certame de piroseira, a premiar a qualidade musical das canções – ou o circo mediático capaz de ser gerado pelos concorrentes?”

Este ano, o concorrente da Bielorrússia quer subir ao palco nu e acompanhado por dois lobos. Preciso de dizer mais alguma coisa?