Bola [3]

Messi, diz o título, desvaloriza o prémio de melhor jogador do Mundial. A verdade, contudo, é que ninguém mais o desvalorizou – do que a FIFA, ao atribuí-lo a Messi.

 

Messi não foi o melhor jogador do Mundial. Não foi sequer o melhor jogador da Argentina. Acho que poucas selecções não tiveram pelo menos um jogador que tenha estado melhor do que Messi. Nem se pode invocar como argumento que tivesse sido o melhor jogador na Final – a meio da segunda-parte, eu até me questionei se ele teria sido substituído ao intervalo, tal a sua invisibilidade.

 

Mas não. Como disse alguém noutro blogue (lamento não me recordar onde para poder atribuir a citação), um jogo nem precisa de começar para a FIFA de Blatter saber que Messi será o melhor.

O livro do apocalipse

 

Agora (mais) a sério: Soares perpetrou nova ofensa em forma de livro. Desta vez, fala de mudanças climáticas. O velho Soares invoca nevões, furacões e outros fenómenos extremos, afirmando resultarem da globalização e da actuação de alguns que “só querem ganhar dinheiro” (curiosa censura, vinda de quem vem).

 

A apresentação do livro, essa, foi um mero pretexto para exibir o seu corso de vaidade. Soares vestiu-se de cravo na lapela e arrastou a corte que o segue habitualmente: mulher, filhos, netos, Almeida Santos, Edite Estrela, Lidia Jorge, Seixas da Costa, Carlos Monjardino… só não vi referência ao bobo sobrinho-do-tio Alfredo Barroso – mas imagino que alguém terá que ficar na Fundação para apagar as luzes. Aquela repugnante plateia era um dos mais completos retratos da fauna que construiu a carreira dobrando o joelho perante este nosso rei bobeche. 

 

De tudo o que foi dito pelo idoso Soares, o mais espantoso foi: que sempre fez “o culto da amizade” e nem todos os amigos o trataram bem. Salgado Zenha, Manuel Alegre e Rui Mateus teriam e terão muito a dizer sobre isto. Soares cultiva amizades, sim – para derrubar quando perdem utilidade para a sua augusta pessoa, se recusam a ficar com a responsabilidade das suas pulhices, ou manifestam a mínima oposição à sua imensurável ambição.

O aríete do socratismo

Recordo-me de várias pessoas opinarem que a votação de Marinho Pinto nas europeias seria um voto de protesto contra os partidos. Pensei então que estavam errados e hoje, enquanto o vejo em entrevista na TVI24, mais convencido fico.

 

Quem votou em Marinho Pinto não o fez em protesto contra os partidos políticos. O voto em Marinho Pinto foi um voto de socialistas – em protesto contra a direcção do PS. Marinho Pinto, hoje como antes um dos mais fanáticos apóstolos de Sócrates, recebeu o voto dos socráticos que o premiaram por aquilo que Seguro, apesar de toda a sua invertebralidade, não se rebaixou a fazer: a apologia do consulado de um louco.

Marinho Pinto é, simplesmente, o aríete do socratismo.

António Costa, o Moderno

 

Tem sido divertido assistir ao frenesim noticioso à volta da campanha para as primárias do PS. Tão divertido que até passo por cima do facto de, enquanto cidadão que paga os seus impostos municipais em Lisboa, ter um Presidente da Câmara em modo saltimbanco, exibindo as suas habilidades pelas feiras e terreiros do país. Na realidade, talvez Lisboa esteja melhor sem ele.

 

Leva-me esta linha de raciocínio a uma afirmação de Costa, proferida em 2011: “o PS precisa de um secretário-geral a tempo inteiro e o município de Lisboa de um presidente com dedicação exclusiva”. Pode o incauto leitor ser levado a pensar que, em coerência com esta afirmação, Costa abandonará a Presidência da CML caso vença as primárias do partido. Nada mais errado.

 

Costa é coerente com a incoerência que caracteriza a sua ideologia política. Dá o dito por não dito com uma enorme facilidade. Considera hoje mentira o que ontem afirmou a pés juntos ser a mais honesta das verdades. É um político moderno e desempoeirado, que não se deixa atrapalhar por detalhes como a realidade. É um homem orientado para os resultados.

Henrique Neto está enganado

Henrique Neto, em entrevista na TVI24, diz que “O grupo que apoiou Sócrates tem má consciência”. Henrique Neto está enganado – duplamente enganado. O gangue que apoiou Sócrates não tem má consciência mas sim mau carácter – e, de resto, aquela gente não tem sequer consciência para a ter má.

Lógica

Há alguns anos, por ocasião de um Europeu ou Mundial de futebol, ouvi uma conversa entre dois ingleses que debatiam a eliminação da sua selecção na fase de grupos. Um deles disse “A verdade é que não merecíamos estar ali”, ao que o outro respondeu com esta extraordinária frase:

 

“Não, nós merecemos estar ali, o que não merecemos é ficar ali.”

 

Acho este um epitáfio adequado para a campanha da selecção portuguesa. Mereceram estar ali porque se qualificaram para tal – de forma sofrida, sofridíssima. Mas nada mais lógico do que uma selecção que se qualifica nessas condições soçobrar à primeira dificuldade. Casos como o da Dinamarca/92 são a excepção – não a regra.