António Costa diz que “deixa casa arrumada” na Câmara de Lisboa e que Lisboa “recuperou a sua auto-estima”. Parece que António Costa decidiu aderir à tradição do 1º de Abril.
A renúncia de Costa
António Costa renuncia quarta-feira ao mandato na Câmara de Lisboa.
Ora… é um facto óbvio que António Costa já tinha renunciado ao mandato ainda antes de ter sido eleito.
Incómodos
(excerto do Plano Inclinado de 12.02.2011, imediatamente “repensado” pela direcção)
Para mim, não há melhor atestado às qualidades de um homem – do que vê-lo a ser atacado por este PS.
O que diz o PS da sua candidatura à Presidência da República? O alcaide Costa tenta ignorar com um “não tenho nenhum comentário a fazer” – seguindo a velha tradição socialista de varrer os problemas para debaixo do tapete na esperança de ninguém dar por eles. José Lello, o baladeiro José Lello, o sempre elegante José Lello, chama-lhe o “Beppe Grillo português”. Augusto Santos Silva, o da fina ironia, afirma-o um anónimo que apenas “deseja aproveitar quinze minutinhos de fama”. Um ex-governante de Sócrates desconfia “logo dessas pessoas que dizem que vêm dos bons costumes” – é muito apropriado ver um socratista desconfiar “dos bons costumes”.
Ora quem é Henrique Neto para causar tal reboliço no PS? Desde logo, é um empresário que não precisa da política para viver – e o PS sempre olha com desconfiança e, mesmo, desdém, para aqueles que não necessitam dos jogos de cadeiras para fazerem a sua vidinha. Depois, Henrique Neto é um socialista que não se coíbe de acusar os podres do seu partido – e isto, para o PS, é imperdoável, pois um canalha dos seus é um bom canalha. Henrique Neto criticou a clique soárica; foi um crítico da flacidez do guterrismo; foi também uma voz crítica do protofascismo socrático e da imensa promiscuidade política/negócios que foi apanágio desse regime. Henrique Neto apoiou António José Seguro – ninguém é perfeito! -, mas demos-lhe um desconto: fê-lo com a esperança de que Seguro limpasse o PS de todo o lixo humano incrustado no partido desde o socratismo.
Santos Silva, o Augusto (não confundir com o Carlos), diz que Henrique Neto pretende ter quinze minutinhos de fama. Lamentável exercício de desconversa! Henrique Neto, ao contrário do coiso que opinou, é um empresário que se fez e cuja opinião é muitas vezes procurada por ser respeitada – não por ser eternamente parte dos corsos partidários. Não precisa de “quinze minutinhos” de fama porque já teve muitas vezes isso no passado e continuará, esperemos, a tê-los no futuro. A não ser, claro, que a imprensa marcadamente alinhada com Costa o passe a ignorar. Nada que me surpreenda, pois após a sua presença no programa “Plano Inclinado” da Sic-Notícias, durante o qual se dedicou a expor as ligações umbilicais entre os políticos (no geral e do PS em particular) e a maçonaria, a Sic-Notícias de Balsemão e dirigida pelo soarista António José Teixeira imediatamente suspendeu o programa e anunciou o seu “repensamento”.
Sim, Henrique Neto deixou o PS desconfortável com a sua candidatura à Presidência da República. Aliás, também ME está a deixar desconfortável, pois dada a concorrência que se perfila, pondero assim o – até hoje – inédito: votar num socialista.
Crónica de uma bancarrota anunciada
O pequeno soba dos Açores Carlos César já anuncia: se o PS for governo, vai pagar o dinheiro do BES. A caça ao voto aí está em toda a sua pujança. Este PS começa a parecer obsessivo-compulsivo, sempre com a compulsão de limpar os cofres.
A ironia
O advogado do recluso 44 diz, em entrevista ao jornal I, que:
“Jornalistas e comentadores falam sobre o caso Sócrates como se fossem bêbados”
Isto, vindo de quem vem…
A lista [1]
No Sábado, ao passar por um televisor sintonizado na SIC-Notícias (onde mais?), li em rodapé (e daí não deveria ter passado): “Oposição quer que Paulo Núncio e ministra das Finanças retirem consequências políticas”.
Ora: e porquê ficarmo-nos por aqui? Porque não sermos realmente ambiciosos, por uma vez? Porque não exigir também a demissão do primeiro-ministro que nomeou a ministra que escolheu o Secretário de Estado que manteve o Director? E porque não exigir a renúncia do Presidente da República que deu posse ao Primeiro-Ministro que nomeou a ministra que escolheu o Secretário de Estado que manteve o Director? E porque não exigir a demissão do eleitorado estulto que votou no Presidente da República que deu posse ao Primeiro-Ministro (também eleito por esse eleitorado ingrato) que nomeou a Ministra que escolheu o Secretário de Estado que manteve o Director?
Copo meio-cheio
O presidente do sindicato dos trabalhadores dos impostos diz que os responsáveis pela (agora) famosa lista-VIP “atentaram contra o Estado de direito e contra os interesses dos portugueses”. Curiosamente, não me recordo de ainda ter ouvido o senhor presidente do sindicato dizer, dos funcionários que acederam sem justificação processual a dados confidenciais de alguns contribuintes por auto-recreação, tédio ou pura malícia, que “atentaram contra o Estado de direito e contra os interesses dos portugueses”.
A cartilha
O ministro das finanças grego apresentou uma medida para combater a fraude fiscal: contratar domésticas, estudantes e turistas, equipá-los com microfones e câmaras, e mandá-los à caça de dissidentes. Perdão – infractores fiscais. Mas é um lapsus linguae aceitável, já que Varoufakis foi buscar inspiração às suas referências políticas e pretende recriar a Stasi da Alemanha de Leste.
Directo e diferido
Pinto Balsemão, Ricardo Costa e Nicolau Santos sabem perfeitamente que uma mentira dita em directo vale muito mais do que o desmentido em diferido.
Risota
Ver Sócrates acusar Passos Coelho de estar “próximo da miséria moral”…

… é como ver a Cicciolina acusar outra mulher de ser “um tanto badalhoca”.