
Isto foi verdade? Digam-me, por favor, que isto é uma montagem. Por favor…

Isto foi verdade? Digam-me, por favor, que isto é uma montagem. Por favor…

E eis que, muito antes do previsto, o ensurdecedor silvo do afiar de facas toma conta do maior açougue da política portuguesa…
Boaventura Sousa Santos escreve hoje no Público sobre o que é ser-se de esquerda ou de direita. Também escreve:
“Não conheço outro país na Europa onde os jornais de referência dêem tanto espaços a comentadores de direita.”
Desculpem a minha confusão: estava convencido de que o suplemento humorístico Inimigo Público era publicado às sextas-feiras.
Quando cheguei a Lisboa, a linha amarela do Metro estava com “perturbações” cuja resolução “poderia ser prolongada”. Também soube que a circulação na linha azul “se encontrava normalizada” – o que significava que também esteve “perturbada”.
Chamem-me cínico, mas não me admiraria que até Domingo houvesse, depois dos dias mais recentes de razoável acalmia, muitas “perturbações” na circulação do Metro de Lisboa. Talvez até algumas carreiras da Transtejo suprimidas por “avaria na embarcação”.
Portanto, o Expresso quer fazer-me acreditar nisto: o PCP aceitou como director de campanha – o PSD.
Há pouco, meti-me num deslocador transversal para visitar o universo paralelo em que Cavaco Silva anunciou aquilo que fará no pós-eleições. Muitos dos que neste o acusam de não dizer o que fará – naquele, acusavam-no de estar a condicionar o voto dos portugueses.
Curiosamente, neste mesmo universo, muitos daqueles que encararam com normalidade o candidato Costa reunir-se com os “lesados do BES”, ter debatido com eles “soluções” para o caso de ser eleito e não esclarecer o eleitorado a esse respeito – estão agora a esbracejar porque Cavaco Silva não diz o que pensa fazer conforme os vários resultados eleitorais.
Anders Breivik, a jóia de moço norueguês que matou 77 pessoas, ameaça fazer greve de fome até morrer. Ainda estou à espera que alguém me diga onde está a desvantagem…
A própria notícia o diz: “Assim, a empresa adiou o impacto para exercícios futuros,(…)“. Mas o que interessa é dizer no título que o governo “escondeu prejuízos”, até para não percebermos que se estava a falar de previsões. E também para não reparamos que 150 milhões de euros pouco mais são do que um erro de aproximação no valor total do défice que tanta preocupação, segundo a notícia, estava a causar. Défice que, já agora, ficou abaixo do necessário em bem mais do que estes 150 milhões de euros.
Se eu gosto de espertezas em contas, mesmo em se tratando de cagagésimos? Não, porque me faz lembrar demasiado os malabarismos negociais das PPPs socráticas. Se eu gosto que este problema tenha sido criado pela ideia militante do governo de Sócrates de nacionalizar o BPN, quiçá como resultado de alguns pequenos-almoços com figuras gradas? Ainda menos.
Se eu gosto de esta notícia ter estado a ser cozinhada algures em banho-maria, até uma “fonte” ter achado que era boa altura para a tornar pública? Nadinha mesmo. Eu já antes comentei sobre os timings da espera, por isso não me vou repetir.
Pedro Nuno Santos, o tal da imagética rica e que queria deixar os credores com as pernas a tremer, vem dizer que a revisão em alta do défice do ano passado, consequência do registo da injecção de capital no Fundo de Resolução do Novo Banco, será uma “herança pesada” (ele que acha, portanto, que o défice de 11% deixado por Sócrates foi uma mera brisa em tarde de Verão).
Façamos de conta que acreditamos em Pedro Nuno Santos. Façamos de conta que não sabemos que o dinheiro que foi contabilizado no défice de 2014 é um empréstimo. Façamos de conta que não sabemos que, se o PS for governo e esse dinheiro regressar com juros, o PS irá dizer, tal como disse em Lisboa sobre os milhões de dívida camarária assumidos pelo Estado, serem as suas mágicas capacidades financeiras.