
O ar de nojo que Cavaco Silva exibe durante a cerimónia de tomada de posse do perdedor Costa teria piada – se não implicasse um futuro tão triste para todos nós.

O ar de nojo que Cavaco Silva exibe durante a cerimónia de tomada de posse do perdedor Costa teria piada – se não implicasse um futuro tão triste para todos nós.
António Costa, dizem as notícias, já escolheu o ministro da Saúde. Mas alguém indigitou alguém para formar governo sem eu ter dado por isso?
O velho Soares dizia: se não há dinheiro, fabrique-se moeda – e já passa a haver dinheiro. Esta nova-velha esquerda diz: se a nossa loucura não se encaixa nos limites que temos para o défice – alterem-se os limites para o défice que permitam encaixar a nossa loucura.
O Público publica hoje que o PS promete “muralha de aço” erguida até segunda-feira. O partido que equivalia o putativo acordo a alcançar com o PCP a “deitar abaixo o resto do muro de Berlim” quer agora, com o mesmo partido, erguer uma muralha de aço – talvez todos saudosos da pretérita cortina de ferro.
Os socialistas não recebem lições do prof. Aníbal Cavaco Silva. Pois, o nosso problema tem sido precisamente esse…
O pequenino e nada augusto César dos Açores – sim, o tal que em Julho queria mudar a lei para impedir “detenções sem acusação” – diz que só mostra o acordo com o Bloco de Esquerda depois de António Costa ser indigitado Primeiro-Ministro.
Como é que é?
Mas esta gente acha-se mesmo dona disto tudo, e com um direito natural ao exercício de poder sem respeitar as regras e sem qualquer escrutínio! António Costa edil quis esconder documentos sobre decisões camarárias porque “abre caminho a que todas as decisões políticas e documentos que as corporizam fiquem sujeitas ao escrutínio público e, eventualmente, judicial, o que irá conduzir, inevitavelmente, à diminuição/perda da autonomia que deve caracterizar o exercício do poder político”. António Costa candidato a primeiro-ministro anunciou que tinha debatido soluções com os “lesados do BES” mas não as ia expor publicamente antes das eleições. O pretendente-a-indigitado António Costa afirma, pela boca do nosso Little Caesar, que pretende ser primeiro-ministro graças a um acordo – que só mostrará depois de ser primeiro-ministro.
Isto já não é um caso para o Ministério da Justiça – mas sim para o Ministério da Saúde.
A pressa de António Costa e sus muchachos deve-se apenas à egomania do primeiro não lhe permitir aceitar o seu absoluto fracasso? Ou tanta pressa deve-se ao núcleo duro de um partido político querer estancar, o mais depressa possível, isto?
(Imagens retiradas do portadaloja)
Costa, honra lhe seja feita, conseguiu múltiplos impossíveis: perdeu uma eleição que estava ganha à partida; pode vir a formar um governo – após fortemente derrotado nas urnas – mercê de uma leitura literal das leis que, até hoje, por cortesia nunca foi feita; e, mais impressionante, coloca o PS à beira do poder e, POR ISSO, transforma-o num autêntico saco de gatos.
É impressão minha ou António Costa passa mais tempo em entrevistas a agências noticiosas e em reuniões com embaixadores – do que na mesa de negociações?
A coligação está a fazer o possível – mostrar que António Costa, com Centeno a reboque, vão para a mesa de negociação dispostos a tudo menos à negociação.
António Costa foi-nos vendido pela máquina de propaganda socialista – e comunicação social – como o portador da luz que nos iria guiar para fora da noite austeritária. Como o outro “portador da luz”, vemos que também prefere reinar no Inferno.