Havia há meses uma conta satírica no Twitter chamada Costa, PM. Havia – mas está suspensa. Como não me parece que o Twitter ande a prestar especial atenção a contas que satirizam personalidades públicas deste pequenino rectângulo, só posso concluir que se tratou de uma denúncia (chibanço, delação, queixinha) de alguém ansioso pela “liberdade respeitosa” de outros tempos. Ah, se isto tivesse sido com uma personalidade ligada à Direita, a cinza que já não estaria a ser lançada aos ares…
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O faz-tudo
Pelo que se está a ver no Twitter, António Costa tornou-se uma espécie de Martha Stewart à portuguesa: tem conselhos para todos os gostos.
A nossa Marie Antoinette

António Costa, a propósito do aumento de impostos (que ele prometeu não haveria, portanto deve ser uma ilusão de óptica), terá aconselhado os portugueses a “usarem mais transportes públicos, deixarem de fumar e moderarem o recurso ao crédito”. Primeiro: o que diriam os “comentadeiros” do costume se fosse um político de direita a dizer uma coisa destas? Segundo: onde se escondeu o jornalismo que deturpava toda e qualquer declaração de Passos Coelho? Terceiro: irá o governante António Costa dar o exemplo e usar transportes públicos? (Resposta: claro que não, é o contribuinte quem lhe paga o imposto que consome). Quarto: como podem os portugueses usar mais os transportes públicos se, ao reverter as privatizações destes, deixa os passageiros de novo reféns do sindicalismo que se acoitou no sector? Quinto: irá o governante António Costa dar o exemplo e moderar o recurso ao crédito?
E já agora, por onde anda o jornalismo que permite a António Costa o descaramento de declarar “que tivemos de fazer cedências, com certeza, ninguém pode fazer uma negociação e chegar a acordo no pressuposto de que são os outros que fazem cedências”? Perante isto, sabendo como sabemos que António Costa não mente nunca (e quando o parece fazer, é a realidade que está errada), só podemos concluir que a sua absoluta intransigência nas “negociações” com a coligação após as eleições significava que ele foi para essas negociações – sem qualquer intenção de negociar. O que, na minha modesta terrinha, se chama – hipocrisia.
O novo tempo
Em Bruxelas, um horrorizado jornalista filmou clandestinamente o pequeno choque com a realidade que as negociações do orçamento representaram para C&C (Costa e Centeno, Centeno e Costa):
Freud explica isto muito bem
António Costa, no debate de hoje, referiu-se por duas vezes a Pedro Passos Coelho como “senhor primeiro-ministro”. O subconsciente é uma coisa tramada, não é senhor deputado António Costa?
Martelos já há – faltam as foices
Aquilo que os técnicos da UTAO concluíram é aquilo que já esperávamos desde o início desta engenhoca governativa: que as contas do orçamento estavam pesadamente marteladas e maquilhadas.
O optimista
Bruxelas desmente as previsões da dupla maravilha Costa&Centeno e afirma que o défice português irá chegar aos 3,4%. Eu acho que Bruxelas está a ser extremamente optimista.
There’s nothing to see here
António Costa diz que esta visita da troika “não tem nada a ver com as visitas anteriores“. Tem razão. As anteriores serviam para acompanhar a saída da bancarrota; esta e as próximas vão servir para acompanhar a (re)entrada em bancarrota.
Todos os animais são iguais mas… [2]
Paulo Portas diz umas coisas vaguíssimas – e a CNE salta logo em defesa dos inocentes eleitores. O velho Soares-pai-do-filho, numas antigas autárquicas, apelou explicitamente ao voto no jovem Soares-filho-do-pai – e a CNE limitou-se a fazer beicinho. Nas últimas legislativas António Costa apelou, de forma bastante implícita, ao voto no seu partido – e a CNE fez de conta que estava a ver as horas.
A CNE, como se vê, é muito vigilante – quando lhe apetece.
Zero
Costa e Centeno dizem que o Orçamento de Estado começa do zero. Não, não vem do zero – mas vem de zeros.