Aquivos por Autor: António Pinto

Um PS partido

O PS, aquele partido que ocupa uma faustosa sede no Largo do Rato em Lisboa, está partido.

 

De um lado, uma ala com um líder que virou subterrâneo, exilado até, mas cuja influência se faz claramente sentir. É esse líder que têm em comum seres como silva pereira, josé lello e ricardo rodrigues, entre outras destacadas figuras do plantel do PS de sócrates. Afirmam estes que o PS deve votar contra o OE de 2012 pois um voto de sentido oposto seria a admissão de responsabilidade rosa no buraco financeiro por onde se vai escoando o País. Para estas sumidades, é perfeitamente lógico que os que governaram o rectângulo nos últimos 6 anos não têm qualquer responsabilidade pelo estado a que o Estado chegou. Deliciosas idiossincrasias.

 

Do outro lado, uma ala que não tem líder, apesar de ter eleito um. Seguro, cujo momento alto da liderança foi, até agora, “roubar” uma entrevista em directo a antónio costa, consegue o pleno da inutilidade: não une o partido, não faz uma proposta palpável, não assume uma posição clara em relação às decisões estratégicas nacionais. Nada! Veio, ontem, afirmar que o OE tem uma folga de 1.000 milhões de euros que devia ser, desde já, “torrada”. São assim, estes socialistas que temos, dinheiro a mais no Estado é para derreter, a bem ou a mal.

 

 

7.000 milhões

Não de euros, mas ao que parece, de pessoas. Nasceu hoje, ou vai nascer, ou já nasceu há uns meses, ninguém sabe bem, a pessoa 7.000 milhões. Somos, descontando aquela malta que nunca é contabilizada para as infografias giras, cerca de 7.000 milhões de seres humanos sobre a Terra. Em 1798, 6 anos antes da estimativa de população ter atingido o primeiro milhar de milhões, Malthus publicou o seu “Ensaio sobre a população”, alertando, imagine-se, para os perigos iminentes da explosão demográfica. Mais ou menos o mesmo fez Erich, em 1968, quando a população atingia já perto de uns robustos 4.000 milhões.

 

Alheia a todo isto, a massa humana continuou a estender-se, muito para além, sabe-se agora, da capacidade de sustentação do planeta. Falar, portanto, de desenvolvimento sustentável, da forma como habitualmente se fala de desenvolvimento sustentável, parece dar a ideia de que estamos preocupadíssimos a aparar o arbusto, quando toda a floresta arde violentamente atrás de nós. Seguimos, algo despreocupados, algo ignorantes, para um beco sem saída. Esgotando recursos, avançando para outros territórios e lá explorando e corrompendo tudo o que puder ser aproveitável, vamos trilhando o nosso percurso.

 

Existe, curiosamente, outro organismo que se comporta assim: o vírus.

 

 

K(Quê?)MG?

Mais uma rábula socialista: Paulo Campos usou dados que afirmou terem sido apresentados pela consultora KPMG (ou KMG, nos dizeres do enfadonho testa de ferro Basílio Horta), num estudo entregue à Estradas de Portugal, para justificar, numa Comissão Parlamentar, algumas das trapalhadas que assinou como então membro do Governo. A KPMG, pela letra de um dos seus administradores, veio desmentir publicamente o sr. Paulo Campos, afirmando que nenhum dos dados apresentados consta de qualquer dos relatórios que entregou.

 

Basílio Horta, uma espécie de espectro rosa que agora está em todo o lado, veio a terreiro defender a sua dama, confirmando que os “gráficos” não faziam parte dos relatórios, mas que “o dr. Paulo Campos se tinha baseado em dados dos relatórios da KMG (?) para os efectuar“. Ficámos, antes de mais, a saber que o dr. Paulo Campos sabe fazer alguma coisa, gráficos, quanto mais não seja. Destapou-se, por outro lado, mais uma fantochada sem pés nem cabeça.

 

Querem, agora, os socialistas, também pela voz de Basílio Horta, ver o administrador da KPMG responder perante os deputados. A KPMG que se cuide: quem se mete com o PS, leva…

 

O perdão da dívida

A cimeira dos líderes europeus, surpresa das surpresas, resultou na tomada de decisões. Depois de meses e meses de arrastamento e marasmo, alguém se lembrou de tirar a cabeça da areia e, bem ou mal, tentar fazer alguma coisa para travar a incessante galopada da crise das dívidas soberanas. A consequência mais imediata das deliberações levadas a cabo (nomeadamente a respeitante ao perdão de 50% da dívida helénica), cá no burgo, será, com certeza, uma exaltação do coro da nossa esquerda marxista, quais arautos da inevitabilidade, afirmando que há muito tinham definido esse como o único caminho possível. Daí a deduzir que se foi possível para a Grécia também será possível para Portugal será um minúsculo passo. A ver!

 

No chorrilho de críticas feitas por pessoas que nada percebem acerca de coisa nenhuma, que aparece sempre que alguém faz alguma coisa, já li, algures, que o reforço do Fundo de Estabilização para 1 bilião de euros (valor que, pela sua dimensão, manifestamente, ninguém consegue sequer compreender) iria implicar uma contribuição portuguesa e, consequentemente, mais medidas de austeridade. Lendo até ao fim, bom hábito que se foi perdendo com o passar dos anos, fica claro que o reforço do fundo não será efectuado com recurso a contribuições adicionais por parte dos países da zona Euro, mas sim por um misto de privados e investimentos financeiros de larga escala. Mas pedir a esta gente para ler qualquer coisa é, claramente, pedir demais.

 

Enfim… democracia!

O Conselho Nacional de Transição líbio anunciou, finalmente, a libertação do país das garras de um pérfido regime, que o estrangulou durante mais de 40 anos.

 

Eu rejubilei.

 

Nunca mais teremos de suportar o encerramento de instituições de ensino superior porque alguém da cúpula do regime a usou como fachada para as suas supostas habilitações académicas, nunca mais veremos inspectores da polícia de investigação afastados, destruídos e enxovalhados em praça pública por investigarem temas “quentes”, nunca mais veremos déspotas a subtrair aos jornalistas o seu material de trabalho porque as perguntas são incómodas, nunca mais homens como Chávez ou Robert Mugabe serão recebidos com honras de Estado, nunca mais orgãos independentes de comunicação social serão processados por “destapar a careca” ao regime, nunca mais ouviremos expressões como “quem se mete connosco, leva” e nunca, nunca mas nunca mais veremos um líder impecavelmente vestido e aprumado, preocupadíssimo com o melhor ângulo para a câmara, rodeado da sua terrível “entourage”, a dizer os maiores disparates que se possam imaginar.

 

Caramba, viva a liberdade, viva a democracia!

 

 

Os campeões da democracia

Parece, agora que o homem morreu, que alguém se lembrou que a Caixa Geral de Depósitos tem cerca de 1.300 milhões de euros líbios no cofre. Ao todo, cerca de 2% de todo o capital depositado no banco. A absoluta clareza desta hipocrisia deixa-me estupefacto. Por um lado, fazemos parte do coro de vozes que apelidou Kaddhafi de facínora anti-democrata, líder tribal sem escrúpulos. Pelo outro, vamos fazendo uns trocos com o dinheiro que o facínora foi depositando nos nossos bancos e deixamo-lo montar um aparato digno de registo num edíficio de valor histórico inegável. Recebemo-lo de braços abertos e ainda enviamos altos (?) dignatários à sua tenda. Bom, nada de admirar vindo de líderes que ordenam o encerramento de universidades quando a coisa resvala…

 

Nota: quase todos os telejornais de ontem abriram com imagens de um cadáver ensaguentado a ser arrastado pelas ruas por uma multidão em festa. Para mim, é incompreensível. Mas a “malta” agora é assim, a geração Casa dos Segredos é isto. Lamentável.

Sindicatos Avante!

Existem 4 modelos essenciais de relações laborais na Europa: o nórdico, o britânico, o aplicado na Europa Central e o doce modelo mediterrânico. Este último, que faz furor em países como Grécia e Portugal, representa a mais saliente evidência de um atraso civilizacional tremendo. Os sindicatos, vistos noutros países como verdadeiros parceiros sociais, entidades de quem se pode esperar cooperação e apresentação de alternativas, estão, aqui no rectângulo, aglutinados nas poeirentas CGTP e UGT, centrais intersindicais que mais não são do que fantoches aguerridos da esquerda parlamentar, chaimites vermelhos de um exército que (felizmente!) já não existe, personificadas pelos eternos e mui enjoativos carvalho da silva e joão proença.

 

O apelo à contestação pela contestação, à greve geral, ao tumulto, é a face visível desta forma de estar, talvez útil num passado mais ou menos distante, mas completamente ultrapassada pelo tempo, pelas circunstâncias, pela classe política e pelos próprios trabalhadores. A massa crítica produtiva deste país (a verdadeiramente produtiva, não aquela “malta porreira” que se vê nas “manif’s”) jamais se reverá nesta forma de estar, jamais aceitará o texto já gasto da cassete, jamais pegará em cocktails molotov. Desiludam-se, portanto, os que anseiam pelo remake do sonho grego em Portugal.

 

Seguiremos o nosso caminho, honraremos os nossos compromissos e, no final, esta crise trará algo de bom: provará quão obsoletos são alguns “líderes” que temos por aí.