Admirável mundo novo

Segundo leio no Público, a nova proposta de lei do Governo de “combate à discriminação racial e étnica e à xenofobia” tem esta particularidade:

Na proposta também está contemplada a questão do ónus da prova: sempre que se verifique um acto racista ou xenófobo, a vítima não tem necessidade de provar os critérios que os motivaram – ou seja, presume-se a intenção discriminatória, que pode ser rebatida nas entidades competentes.

Portanto, o alegado racista (acusado) é que tem de provar que não discriminou ou que não é racista. Esta Esquerda, que sempre se contorceu como um verme com qualquer coisa que lhe cheirasse a inversão do ónus da prova em casos de corrupção ou enriquecimento ilegal, acaba de o inverter para putativas discriminações.

Os grandes-educadores

Pedagogia – eis o que o Governo se propõe fazer junto dos doentes nas urgências hospitalares “para reduzir o número de doentes que procuram as instituições sem critérios de emergência médica”. Se fosse um governo de centro-direita a dizer algo assim, o que a esquerda não espumaria. Como é um governo da esquerda boazinha, já a culpa é do doente e faz-se “pedagogia”. Talvez para que ele, na próxima, não seja piegas…

Uma evolução?

O Público titula que “Ambiente falhou medição de enxofre no ar em Setúbal” a propósito do incêndio na Sapec Agro que libertou vastas quantidades de dióxido de enxofre. Fosse há um par de anos e o título seria algo do género “Cortes orçamentais deixam viatura avariada incapaz de medir enxofre no ar em Setúbal”. Mas talvez seja cinismo meu. Talvez isto não seja mais do que seriedade na linha editorial agora que David Diniz está ao leme.

Se Arquimedes o descobriu…

Os excelsos ciclistas urbanos que não param nas passadeiras precisam de interiorizar alguns conceitos de física básica. É certo que o seu momento linear tende a ser maior do que o meu, mercê de transitarem a uma velocidade superior. Contudo, os meus pés com tamanho 43, por me proporcionarem uma base de apoio muito maior e serem capazes de gerar atrito superior à superfície de contacto das rodinhas das suas biclas, permitem que não seja eu a experimentar os efeitos da gravidade e as consequências das primeira (inércia) e terceira (acção-reacção) leis de Newton quando os eminentíssimos, num arroubo de audácia, pretendem desafiar a velha lei de Arquimedes que postula a impossibilidade de dois corpos ocuparem o mesmo espaço – e tentam ocupar o espaço que já está ocupado por mim.