Por qué no te callan? [3]

E a boca lá lhe fugiu para a verdade.

 

O ancestral Soares, em mais uma intervenção pública da nova brigada dos reumáticos (em Salão Nobre, claro, pois os seus cansados arcaboiços já não se dão bem com o buliço da populaça), diz que é preciso derrubar este governo – não há mais nada a fazer:

 

À questão ‘e agora?’, Mário Soares retorquiu: “Agora é preciso derrubar este Governo, a resposta é muito simples. Estou a falar muitíssimo a sério. Não há mais nada a fazer.

 

Gosto desta ideia: o antepassado Soares, invocado por tanta gente como “o pai da nossa democracia”, quer deitar abaixo um governo legitimamente eleito e que, daqui a uns tempos, será sujeito a eleições, com o argumento de que “Eles fingem que são democratas mas querem um 25 de Abril a fingir”.

 

O velho Soares também diz que, por causa deste governo, já não temos SNS, estado social nem direitos do homem. Direitos do Homem! Soares não faz por menos.

 

Por isto é que digo que a boca lhe fugiu para a verdade. O senecto Soares rematou dizendo que “É indispensável acabar com este regime o mais depressa possível”. Como se pode ver, o nosso regime não é do agrado de Soares – é demasiado democrata.

Chantagem

– Sr. guarda, venho reportar um crime de que estou a ser alvo.

 

– Muito bem – senta, com um suspiro de alívio, o volumoso traseiro na cadeira e começa a escrever no computador, com dois dedos, à razão de quatro letras por minuto. – Qual é o crime?

 

– Estou a ser sujeito a chantagem.

 

– Chantagem? E pode identificar o chantagista?

 

– Sim: todos vocês.

Leite e mel

Se António José Seguro, que se pendurou em Hollande como o emplastro, tivesse um vestígio de vergonha na cara, estaria neste momento a cavar um buraco para se fechar nele durante um par de anos. A França, epicentro dos tais ventos de mudança anunciados pelo velho Soares desde a eleição de Hollande, o homem-providencial que iria colocar a sra. Merkel na ordem e transportar-nos para um futuro de leite e mel, afastados da austeridade e a crescer com a fúria de um feijoeiro, prepara-se para… congelar salários, pensões e fazer múltiplos cortes nas despesas sociais.

 

Na verdade, o único leite e mel que Hollande trouxe – terá sido para o seu pequeno-almoço nas casas das amantes.

A transparência segundo o PS

O PS, partido que garante saber como equilibrar as nossas contas, pagou 4 milhões de euros por ajuste directo à empresa de um ex-funcionário. Sejamos justos: este facto reporta-se ao período 2009/11, altura do consulado socrático. Mas não deixa de ser sintomático: o PS garante que sabe como equilibrar as nossas contas – para cujo desequilíbrio contribuiu com o pagamento de 4 milhões de euros, em três anos, a uma empresa de organização de eventos, assessoria e estudos de imagem cuja presença na Internet, tanto quanto consigo descobrir, se resume a páginas paupérrimas no Facebook e no Google+.

O Metropolitano de Lisboa anda a pedi-las

Ontem, ao apanhar o Metro em Picoas: “a circulação na linha amarela encontra-se com perturbações”. Hoje de manhã, ao apanhar o Metro no Cais do Sodré: “a circulação na linha verde encontra-se com perturbações”. Ao princípio da tarde, ao apanhar o Metro no Terreiro do Paço: “a circulação na linha azul encontra-se com perturbações”.

 

Hoje em dia, a perturbação na circulação começa a ser – haver circulação.