Inquestionável

Marcelo disse hoje, na abertura da Banking Summit em Lisboa, que:

 

“(…) a Governação em 2015 deixou com inquestionável mérito um trilho aberto e começado a percorrer de drástica redução do défice, de sensibilização para a prioridade nacional do saneamento das contas públicas e de crescimento da economia portuguesa.”

 

Marcelo, que passou os primeiros dois anos de mandato de braço dado com Costa a fazer uma pútrida guerrilha contra Passos Coelho, fala agora do seu “inquestionável mérito”. Que inquestionável canalha é este Marcelo!

Não é só falta de informação

João Abel de Freitas, economista (o que quer que isso signifique hoje em dia) que publica regularmente no Jornal Económico, diz-se apreensivo. Apreensivo, diz-se ele, pelo destino dos CTT e da TAP privatizados (curiosamente, não se diz apreensivo por um sistema de Saúde e por uma Educação em pantanas consequência das cativações públicas). O problema (bom, um dos muitos problemas) de todo aquele longuíssimo texto ideológico de João Abel de Freitas é que parte logo de uma falácia repetida até à náusea pelos esquerdistas:

“O governo anterior privatizou os CTT, contra tudo o que era inteligente, actuando apenas numa base ideológica, camuflando-a de eficiência económica e de melhoria de serviços. Na realidade, havia uma fome de privatização.”

Eu sei perfeitamente que um esquerdista nunca se desdiz perante essa coisa menor chamada “factos”, mas aqui vai um excerto de uma notícia publicada em Maio de 2011 (ainda era governo o PS de Sócrates que tinha acabado de assinar o acordo com a troika):

“Plano prevê receitas de 5,5 mil milhões em privatizações. Da lista de empresas a vender estão a já previstas pelo Governo: ANA, TAP, CP Carga, Galp, EDP, REN, CTT, Caixa Seguros e algumas participadas do Estado de menor dimensão”

Uma mentira dita mil vezes nunca se tornaria verdade – se houvesse uma comunicação social realmente preocupada com a verdade.