2009 repetido

No próximo ano lectivo, o governo afirma que vai distribuir gratuitamente os manuais escolares até ao 12º ano. Generoso como sempre é o PS com o dinheiro dos outros (pois convém recordar que os manuais não serão “gratuitos” – serão pagos por todos nós com o dinheiro dos nossos impostos), o PS prepara milimetricamente mais uma maravilhosa – e dispendiosa – medida que terá a sua aplicação, como é fácil perceber, mesmo em cima das eleições.

Backups? O cão comeu-os.

Num país que se desse ao respeito, a notícia de que desapareceu do sistema informático Citius todo o histórico de atribuições do processo Marquês estaria na capa de todos os jornais e faria abertura em todos os noticiários. Muito convenientemente desaparecido, e muito convenientemente desaparecido na altura em que se pode enterrá-lo no meio da correria final de compras e de notícias sobre supostos défices (aldrabados) zero, coletes amarelos que não saíram da caminha em dia frio e Benficas que já não vão ser acusados, só falta mesmo um qualquer (ir)responsável socialista seguir as pisadas de Azeredo e dizer que “no limite, nem chegou a haver processo”.

Apurar

Marcelo Rebelo de Sousa diz que é necessário “apurar tudo” sobre a queda do helicóptero do INEM. O mesmo Marcelo que dizia ser necessário “apurar tudo” sobre o incêndio de Pedrógão Grande? O mesmo Marcelo que dizia ser necessário “apurar tudo” sobre as armas de Tancos? O mesmo Marcelo que queria apurar responsabilidades na derrocada de Borba? Parece assim garantido que nunca viremos a saber o que se passou ontem em Valongo.

12 milhões

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Com a cara-de-pau que é endémica aos motoristas que se vão revezando na condução desta gerigonça, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas (curiosa denominação, dada a falta de planeamento que existe na manutenção dos transportes públicos e a degradação crescente e visível das nossas infraestruturas) Pedro Marques disse que o governo PS já tinha investido “12 milhões de euros na recuperação de material circulante fluvial”.

 

Para começar, temos o clássico embuste: o governo PS, ao contrário do que a excelência ministerial diz, não “investiu” dinheiro algum – foi o contribuinte que o pagou.

 

Mas o mais insultuoso, e é claro que o jornalismo que temos não vai pegar nestes números nem com pinças, é o ministro que tem a soberba de falar em 12 milhões de euros gastos, ao longo dos três anos de legislatura, na manutenção de um transporte que serve anualmente milhões de passageiros, pertencer ao governo que se orçamentou, para viagens que fará em 2019, com 116 milhões de euros (quase o décuplo). Por comparação, em 2018 o governo gastou 89 milhões de euros em viagens. Ou seja: os 12 milhões de euros que o governo gastou em três anos na manutenção dos cacilheiros não cobrem nem metade da diferença (27 milhões de euros) entre os orçamentos de 2018 e 2019.

 

Já agora, uma pequena comparação. No ano (2015) em que mais gastou em viagens, o governo de Passos Coelho ficou-se pelos 70 milhões de euros, nunca tendo superado os 60,4 entre 2011 e 2015.

Sentido de Estado

Cavaco Silva interrompeu o seu silêncio para declarar que achou o processo político de não recondução da Procuradora Geral da República “estranhíssimo”. Convém recordar que, já em Fevereiro, Cavaco Silva achava “estranhíssimo falar-se da substituição da PGR com 10 meses de antecedência”.

Marcelo Rebelo de Sousa respondeu, porque Marcelo é incapaz de não responder ao que quer que seja. E o que disse Marcelo? Que faltou “sentido de Estado” a Cavaco Silva.

Vou repetir, para ver se consigo acreditar no que li. Este Marcelo:

Marcelo Flash Interview

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acusou Cavaco Silva (de entre todas as pessoas!) de não ter sentido de Estado. Que homenzinho ridículo.

Um telefonema

Sexta-feira passada, ainda não eram seis horas da tarde, recebi um telefonema da minha mãe: queria saber quem fora o juiz sorteado para o processo Marquês. Quando lhe disse ter sido Ivo Rosa, ela exclamou: “Bolas… lá vai aquele pilantra do Sócrates safar-se.”. Que a minha mãe, pessoa que nunca dedicou à política mais do que um vago interesse, o suficiente apenas para ver “quem tem cara honesta”, soubesse algo tão rebuscado como a data de um sorteio de juízes (ou será mais apropriado escrever “sorteio”?) e as previsíveis consequências do seu resultado, denota bem o impacto deste assunto-Sócrates.

O substantivo e adjectivo não são comutativos

O título da notícia diz “Multa pesada para Guardiola por apoiar presos políticos da Catalunha” mas o título está enganado. Na Catalunha não há presos políticos mas sim políticos presos. Nenhum daqueles políticos, profissionais ou amadores, está preso por delito de opinião – no caso, a sua militância pela independência da Catalunha. Eles estão presos, sim, por terem desrespeitado a lei.