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Léxico insuficiente

O despudor desta criatura abjecta é tal que eu não encontro na língua portuguesa palavras suficientemente fortes para exprimir as sensações que me desperta (“asco” e “repulsa” não chegam a lascar a superfície):

 

José Sócrates diz que “Vemos hoje tudo o que perdemos por ter pedido ajuda externa: níveis de desemprego, de falências, ratings da República, dos bancos: quantos anos vamos demorar a regressar aos níveis de há um ano?” (in Público)

 

E quantas décadas, pergunto eu, teremos de penar para regressarmos aos níveis de antes do daninho Sócrates?

Compulsão

Eu tento. Eu juro que bem tento, até por não querer transmitir a ideia errada de Sócrates ser uma qualquer fixação minha. Mas leio notícias como esta publicada no jornal I… e os textos quase se escrevem por si próprios.

 

O que foi que me despertou a atenção? Não foi a disponibilidade de Sócrates para testemunhar. Nem sequer foi o pormenor (de conhecimento geral) de ter como advogado Daniel Proença de Carvalho – a imagem viva de Mefistófeles.

 

Não. O que me intrigou foi este parágrafo:

 

Proença de Carvalho alega que só tomou conhecimento de que Sócrates devia ser ouvido hoje pela comunicação social, na passada sexta-feira, motivo que o levou a enviar domingo um fax para o tribunal a comunicar que o ex-primeiro-ministro, a residir em Paris, não podia comparecer hoje nem terça-feira no Tribunal do Monsanto, Lisboa.

 

Esta gente parece ter uma estranha compulsão para resolver os seus problemas com faxes domingueiros.

Um PS partido

O PS, aquele partido que ocupa uma faustosa sede no Largo do Rato em Lisboa, está partido.

 

De um lado, uma ala com um líder que virou subterrâneo, exilado até, mas cuja influência se faz claramente sentir. É esse líder que têm em comum seres como silva pereira, josé lello e ricardo rodrigues, entre outras destacadas figuras do plantel do PS de sócrates. Afirmam estes que o PS deve votar contra o OE de 2012 pois um voto de sentido oposto seria a admissão de responsabilidade rosa no buraco financeiro por onde se vai escoando o País. Para estas sumidades, é perfeitamente lógico que os que governaram o rectângulo nos últimos 6 anos não têm qualquer responsabilidade pelo estado a que o Estado chegou. Deliciosas idiossincrasias.

 

Do outro lado, uma ala que não tem líder, apesar de ter eleito um. Seguro, cujo momento alto da liderança foi, até agora, “roubar” uma entrevista em directo a antónio costa, consegue o pleno da inutilidade: não une o partido, não faz uma proposta palpável, não assume uma posição clara em relação às decisões estratégicas nacionais. Nada! Veio, ontem, afirmar que o OE tem uma folga de 1.000 milhões de euros que devia ser, desde já, “torrada”. São assim, estes socialistas que temos, dinheiro a mais no Estado é para derreter, a bem ou a mal.