Arquivo da Categoria: seguro

Falta de vergonha

António José Seguro, acima fotografado em todo o seu magnetismo enérgico, diz que Passos Coelho quer fugir às suas responsabilidades. Seguro, recorde-se, lidera o partido que arrombou os cofres do Estado, provocou a hecatombe que obrigou ao resgate financeiro, liderou as negociações com a troika – e depois fugiu, afirmando-se agora contra tudo o que assinou e, cobarde, não teve coragem de aplicar.

Reserva de 2003

A deputação do PS já carrega um longo historial de substâncias alteradoras do comportamento. Glória Araújo achou por bem conduzir o seu carro com uns vestígios de sangue diluídos em álcool. Isabel Moreira pediu a palavra e começou, à laia de intróito, por balbuciar que estava sob a influência de drogas – lícitas, afirmou ela. Vozes maldosas acusam José Lello de estar constantemente no limiar do delirium tremens – mas eu defendo-o: aquilo não é (só) embriaguez, é simplesmente grunhice.

 

Contudo, o que se passou ontem é demasiado grave. Há que tomar medidas: exigem-se testes do balão à entrada dos deputados no hemiciclo. Quer seja no início da sessão, depois do almoço (principalmente depois do almoço) ou no regresso de uma pausa rápida para responder a um chamamento da natureza, é necessário estabelecer a regra: o deputado quer assentar os quadris na cadeira respectiva, terá primeiro que apor os lábios ao bocalzinho e soprar. Pois manchas destas não se podem permitir na credibilidade de um país. Não se pode permitir que um deputado, ainda por cima líder do principal partido da oposição, vá ao Parlamento e gorjeie enormidades como

 

Há uma Primavera a despontar, há um Abril a nascer em Portugal.

 

É óbvio que isto não é uma posição política, nem sequer é má poesia; são apenas devaneios que se esperam ouvir, não na casa da Democracia, mas sim numa qualquer taberna de aldeia, choramingados por um vulto meio-tombado sobre o banco corrido.

Christine é boazinha

Confesso que a grande novidade acerca da resposta de Lagarde a Seguro foi o facto de haver uma resposta de Lagarde a Seguro.

 

No contexto nacional, já quase toda a gente aprendeu a tratar Seguro com o carinhoso desdém que ele merece. O mesmo desdém adoptado, aliás, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia. 

 

Analisando um pouco do conteúdo, facilmente se verifica que Lagarde “chove no molhado”. Fala do díficil equilíbrio entre ajustamento orçamental e aposta em políticas de crescimento e de mais dois ou três lugares comuns. A posição do FMI sobre o assunto é clara (embora muitos queiram lançar o véu da dúvida) e só a ingenuidade pueril do líder a prazo do PS o levou a expor-se ao ridículo de balbuciar algumas coisas acerca de uma carta que tinha enviado. Sobre as eventuais respostas, nada!

 

Seguro, seguindo a linha socialista que nos conduziu à indigência, exigia a presença de responsáveis políticos na análise à situação económica do país. Os políticos, porventura os mesmos que, como ele, assistiram, impávidos e serenos, à viagem rumo à fossa onde hoje estamos atolados. Os políticos que, ao invés de estarem presentes nesta ou naquela avaliação, talvez devessem ser presentes à barra dos tribunais.