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Por Qué No Te Callas [9]

Quando a única ferramenta de que se dispõe é um martelo, tudo serve de prego.

 

O antigo Soares regressou do seu período de baixa para nos alegrar o dia. Manhoso como os abutres, sabe que a moda do momento entre os “descontentes” é a Grândola. Resultado: tudo é pretexto para se colar a ela, seja a morte de um esquerdista, a vitória do Real Madrid em Barcelona, ou a unha do pé encravada.

 

Agora, foi a morte de Stéphane Hessel, entre outras coisas autor dos livros Indignai-vos e Empenhai-vos (e nós sabemos como o verbo empenhar, para os nossos socialistas, tem o valor de lei). Disse o idoso Soares que:

 

Quando se está a cantar a “Grândola, Vila Morena”, uma das pessoas que será lembrada é com certeza ele.

 

Não deixa de ter a sua piada: a maioria dos actuais cantadeiros de Grândola nem sequer se consegue lembrar da letra de Grândola, quanto mais de quem foi Stéphane Hessel. 

Por Qué No Te Callas [8]

O ancestral Soares diz que:

 

(…) é preciso “pôr os mercados no lugar” sob pena de o mundo poder caminhar para um terceiro conflito à escala mundial (…)

Soares, confuso e demente, já sonha com a Terceira Guerra Mundial. É muito cruel, esta sociedade moderna, na qual as famílias não se dignam prestar os cuidados devidos aos seus velhos e os deixam andar por aí, perdidos, a exibirem-se nestes tristes espectáculos.

Prazo de validade expirado

Como qualquer produto cujo prazo de validade expirou há muito, Mário Soares já devia ter sido retirado da circulação pública.

 

Fui questionado sobre o porquê de não ter comentado as recentes actuações do velho Soares. A razão é simples de explicar: ao contrário do que acontece ou sempre aconteceu com este, eu tenho necessidade de trabalhar para sobreviver. Numa impressionante (e lamentável) demonstração de vitalidade para alguém com a sua idade, o antigo Soares fez de comentar as suas manifestações de pulhice – um trabalho a tempo inteiro. O que explica a caterva de jornalistas que o segue em procissão.

 

Mas tenho-o visto e lido. Principalmente lido. Li a famosa carta-aberta, que se pressente composta pelo próprio dinossauro de tão pobre é o vocabulário que já vai minguando. E, principalmente, li a mais recente homilia publicada no DN.

 

Sobre ele e esta, Duarte Marques, líder da JSD, afirmou:

 

“Em Portugal, a Mário Soares parece que tudo se perdoa, mas há limites para a estupidez.”

 

Admitamos que Einstein estava errado, que eu estou errado e que Duarte Marques está certo. O problema é que mesmo havendo um limite para a estupidez humana, o que não há certamente é um limite para a vileza do obsoleto Soares – em si, a própria definição do infinito. Por isso, eu acho que Duarte Marques foi muito contido. Se eu estivesse no seu lugar, teria dito

 

“Em Portugal, a Mário Soares parece que tudo se perdoa, mas devia haver limites para a filha-putice”.

Por Qué No Te Callas [7]

Soares já com olhar vago

Soares anda no paraíso. Os jornalistas acorreram a colocar-lhe o microfone à sua frente e, como um velho comediante decadente sempre pronto a mais uma pilhéria, Soares não nos desiludiu: diagnostica o Governo como estando moribundo e quer que Cavaco Silva nomeie um governo sem recurso a eleições antecipadas. Estas últimas são curiosas palavras vindas de quem sempre tem afirmado que o voto popular é soberano.

 

A verdade é que não vou censurar a performance do velho Soares. Soares é como é e como sempre foi; há coisas que são como são, está na sua natureza. Esperar que o jurássico Mário Soares não seja um canalha é tão irrealista como esperar que uma vaca se torne, de súbito, caçadora.

 

Não; o que coloco em análise é a quase inexistência do nosso jornalismo. E apresento apenas dois (de vários possíveis) argumentos.

 

Primeiro, cada vez mais as notícias são meras retransmissões da mesma fonte. Isso é particularmente óbvio na presença online dos jornais: é um título chamativo para caçar cliques e subir no ranking da Google; é a colocação de uma história sem qualquer confirmação da mesma; é a mera colagem de um texto que já veio preparado de algures.

 

Neste caso, é evidente. Público, I, Sol, Expresso (e certamente mais alguns, mas não tive tempo para ser exaustivo), todos eles transcreveram online a mesma história mastigada pela Lusa – ipsis verbis:

 

Sol: Mário Soares quer substituição de Governo ‘moribundo’ sem eleições antecipadas

 

Expresso: Mário Soares diz que Governo está “moribundo” e deve demitir-se

 

I Online: Mário Soares sugere nomeação de novo governo sem recurso a eleições antecipadas

 

Público: Soares diz que Governo está “moribundo” e deve ser substituído

 

Segundo, já quase não há jornalistas. Atente-se nesta notícia: Soares diz o que bem entende, como o entende dizer e sem qualquer contraditório. Soares, ao invés de ser interrogado, deixa ele perguntas aos jornalistas. Parece que ninguém nas redacções ensina a estes novos “jornalistas” que o seu papel, quando se justifica, é escrutinar o que lhes é dito; é pedir explicações sobre as contradições de quem está à sua frente; é ter a coragem de não se deixar amedrontar ou impressionar com o entrevistado.

 

Estes jornalistas, quiçá uns miúdos estagiários que tentam ganhar uns trocos, olham para o senescente Soares com o temor reverencial que é inspirado por um enorme celacanto falante – e bloqueiam. Ou talvez, simplesmente, não possuam qualquer conhecimento da História recente.

 

Como, pergunto eu, como é possível que um qualquer jornalista que se ache merecedor de tal título tenha ouvido de Soares, como justificação para a substituição do Governo:

 

“A crise está instalada. Querem maior crise do que o país a gritar ‘vão-se embora’ e a chamar ‘gatunos’ aos membros do Governo? Foi o que aconteceu no sábado”

 

sem lhe perguntar imediatamente:

 

Mas então, em que é que isto é diferente de 83-85, era o senhor Primeiro-Ministro, o FMI estava cá, as manifestações sucediam-se, as greves seguiam em fila indiana, o povo pichava nas paredes “Governo Soares/Mota Pinto rua!” e “FMI fora de Portugal” – e o senhor permaneceu no poder sem sentir a sua legitimidade minimamente beliscada?

Por Qué No Te Callas [6]

Digam lá se não estavam cheios de saudades dele.

 

O velho Soares diz, na sua melhor personificação Laurinda Alves, que a Europa pode sair da crise com a condição de crer em si mesma. Tudo muito New-Age, muito Zen. Provavelmente foi buscar inspiração a’O Segredo. A Soares, na velhice, deu-lhe para incorporar o esoterismo no seu arsenal de politiqueiro.

 

O antigo Soares também diz que o povo clama e reclama por outro e melhor Governo. Aparentemente, para Soares, umas poucas dúzias de maduros desocupados que se entretêm nos seus jogos políticos subsistindo à custa dos seus sindicalizados, têm precedência sobre essa coisa chamada eleições. Para Soares e as suas claques (mais ou menos) organizadas, estas coisas chamadas “eleições” e “legitimidade democrática” só são vinculativas quando é o seu lado que ganha – caso contrário, tornam-se empecilhos. Deve ser por isso que não me recordo de ver Soares, nos idos de 80, acorrer às solicitações de “Governo Soares/Mota Pinto rua!” pichadas nas paredes.

 

O sáurio Soares também se indigna: “Como é que é possível? Um cidadão diz-se licenciado numa universidade, e depois verifica-se que não foi lá, que pagou, e ainda por cima depois vangloria-se. Para mim não é possível.” Só não percebi de quem falava: se de Relvas, se de Sócrates.

Por Qué No Te Callas [5]

Se não é na homilia semanal do DN, é na SIC-Notícias, ou numa inauguração, ou numa apresentação, ou numa comemoração:

 

(…) Mário Soares considerou que o país está actualmente pior do que há um ano atrás (…)

 

O que o nosso velho de estimação parece querer omitir é que se tivéssemos continuado com Sócrates, estaríamos muito pior do que agora. E a demagogia de Soares quer ocultar que as dificuldades são por estarmos a corrigir os recentes desvarios socialistas: aeroportos que (felizmente) nunca chegaram a existir; aeroportos que (infelizmente) existem; Parque Escolar; TGVs que nunca saíram do papel mas já custaram milhões em estudos e arriscam custar mais em indemnizações; PPPs; ajustes directos; Magalhães; SCUTs;  Allgarves; energias alternativas que ficam bem na lapela mas têm de ser subsidiadas pelo contribuinte; etc, etc. 

 

Ao dar a entender que o país está pior por causa do Governo, Soares é como aquelas pessoas que beberam dois litros diários de aguardente – e depois queixam-se do médico por os tratamentos serem dolorosos.

Por Qué No Te Callas [4]

Soares faz lembrar aquelas (também muito velhas) anedotas que já ouvimos múltiplas vezes – mas que nos fazem sempre sorrir quando as ouvimos de novo.

 

Soares, sempre ele, escreve esta semana de Passos Coelho:

 

(…), tem visitado, como primeiro-ministro, mas mais parece como comerciante, alguns Estados ibero-americanos, para que lhe comprem ações de empresas do Estado português.

 

Façamos, como brincadeira, uma pequena substituição:

 

(…), tem visitado, como primeiro-ministro, mas mais parece como comerciante, alguns Estados ibero-americanos, para que lhe comprem netbooks Magalhães.

 

Soares, pelos vistos, censura agora uma postura que exaltava antes. Soares, recordemos, que não se coibiu de funcionar como anfitrião de Chávez na sua Fundação (sua – mas sustentada em grande parte por todos os outros). Soares, como sempre, sem qualquer vergonha na cara.

Por Qué No Te Callas [3]

Isto pode parecer um contra-senso, mas não o é: agora que andamos a retirar feriados, proponho que passemos a celebrar o 20 de Junho de 2012. Afinal, penso ser justíssimo celebrar um dia em que Mário Soares não diz uma idiotice e…

 

… esqueçam. Falei cedo demais:

 

(…) o que a troika faz é ganhar o seu dinheirinho

 

“Vento democrático” sopra desde eleição de Holande

 

(…) está na hora de ela [Merkel] regressar à Alemanha de Leste, onde nasceu.