Então, vamos lá a ver se eu percebo: aqueles que, há poucos anos, acusaram um adversário de procurar proveitos políticos no facto de a sua esposa não ocultar a doença grave de que padecia, são os mesmos que, agora, aplaudem como “corajosa”, “digna” e de uma imensa “dimensão intelectual” a exposição, por uma política da sua área, de factos da sua vida privada e que são anunciados pela própria com um assumidíssimo móbil político. É isto, não é?
Que farei quando tudo arde?
Que fazer quando tudo arde? Ora, sai-se do armário e, com um bocado de sorte, distrai-se o pagode.
Carrinhas vs. autocarros
Andam muitas vozes blogosféricas em polvorosa por causa de uma reportagem do Observador sobre carrinhas que foram usadas para recolher militantes nas eleições locais do PSD (aguardo semelhante dedicação jornalística em eleições locais do PS). É revelador que as mesmas vozes, blogosféricas e jornalísticas, se silenciem perante cortejos de autocarros fretados pelos sindicatos por ocasião de certas manifestações.
Pelos vistos, nem todos os burlões são iguais
Um burlão vai a um programa de entretenimento contar histórias da carocinha e é condenado a 12 anos. Um burlão vai a programas de jornalismo contar histórias da carochina e… alguma coisa?
Não há coincidências
Um avaliador de carácter
No JN de hoje, José Sócrates (ou alguém por ele) escreve um artigo de opinião defendendo Manuel Pinho no caso EDP. Por esta altura, Manuel Pinho deve pensar “isto era o pior que me poderia acontecer”.
Uma família ao nosso serviço
O nosso pequeno César dos Açores, Carlos de seu nome, a propósito do assalto em Tancos e do incêndio em Pedrógão Grande, aponta o PSD e o CDS como causadores da degradação dos serviços públicos.
Nós sabemos perfeitamente, e historicamente, que a matemática tem sido sempre o terror dos socialistas. Por isso, peço encarecidamente a alguém com jeito para criancinhas que explique ao pequeno César este pequeno detalhe: o PS é governo há 19 meses e meio. São quase dois anos, quase meia legislatura. Mesmo que PSD e CDS fossem culpados de alguma retracção dos serviços públicos (resultado dos cortes necessários após a bancarrota filha do anterior governo PS), nestes quase dois anos esses mesmo serviços públicos só têm piorado!
Mas, posto isto, demos a César o que é de César. Para ajudar na recuperação do glorioso passado dos serviços estatais, aí está, abnegada, toda a família César: o pai César, a mãe César, o filho César, a nora César, o irmão César e a sobrinha César. E acredito ainda que, algures numa repartição, esteja uma gaiola com o periquito César.
À espera de D. Marcelo I

Mas agora a sério: o que espera Marcelo para demitir a assembleia da república? Quererá ele maior exemplo de um irregular funcionamento das instituições do que estar um troglodita como Augusto Santos Silva ao leme do governo?
O triunfo do porco
Augusto Santos Silva, descobri agora ao percorrer na transversal as notícias, é o primeiro-ministro em exercício de Portugal.
A nódoa que cai no pano assim-assim
O Observador, por norma um dos poucos locais de jornalismo ainda razoavelmente asseados, titula: “Ativista que pediu demissão de Passos Coelho vai mesmo pagar 1.440 euros de multa”. Logo a seguir, o mesmo jornal subtitula em repetição: “Ana Nicolau vai ter mesmo de pagar a multa de 1.440 euros por ter pedido a demissão de Passos Coelho”. Todo o texto que se segue é um tempo de antena da condenada, muito orgulhosa do que fez (e não tenho nada contra isso, cada um é como é).
Acontece que Rita Porto, a jornalista responsável pela “notícia”, devia ter feito alguma pesquisa prévia antes de asnear. Por outras palavras, fazer jornalismo. Se o tivesse feito, por exemplo lendo esta outra notícia linkada no seu texto, saberia que a activista foi condenada por “perturbação de funcionamento de órgão constitucional”, não por ter pedido a demissão de Passos Coelho. Ou seja, foi julgada pelo LOCAL onde fez o seu protesto – não pelo teor do seu protesto. Como disse o juiz que leu a sentença original, “o que a sociedade não pode permitir é que essa atuação se faça dentro da Assembleia da República”.
Mas isto seria pedir demasiado ao jornalismo que temos.
