Meter o nariz onde não diz respeito

Catarina Martins diz que é preciso limitar os leques salariais das empresas. Pois eu digo: se Catarina Martins comprar uma quota das empresas com dinheiro do seu bolso, então pode meter o bedelho nos tais “leques salariais”. Enquanto for apenas vice-primeira-ministra à boleia da geringonça, não tem nada que tentar meter as suas patinhas públicas em empresas privadas.

Um triste senador

“Fartei-me do Santana como PM, estava a deixar o país à deriva”, disse Jorge Sampaio citado pelo Expresso, assim mesmo O Santana. Isto mostra muito o tipo de pessoa que é o nebulosíssimo Sampaio. Não estou, por exemplo, a ver Cavaco Silva dizer “Fartei-me do Pinto de Sousa como PM, estava a levar o país à bancarrota”– mas, enfim, cada um é como é.

 

Tal como é sintomático que Sampaio diga, sobre a sua dissolução de um parlamento maioritário e convocação de eleições antecipadas, “De vez em quando é preciso dar voz ao povo – e percebi qual era o sentimento do povo”. Sim, é preciso dar a voz ao povo mas só quando pressentimos que o seu “sentimento” nos convém.

 

Sampaio nomeou Santana porque o PS, liderado por um Ferro Rodrigues encalacrado no processo Casa Pia, não estava em condições de disputar eleições. Depois de Sócrates ter tomado o poder no partido, demitiu o governo na primeira oportunidade com uns pretextos manhosíssimos. Sampaio não fez mais do que imolar Santana Lopes e gerir a sua própria agenda conforme as conveniências para o seu partido. Sampaio não passou de um Soares em modo sonso.