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James Gandolfini

Com tantos mafiosos que andam por aí, alguns até já mencionados neste blogue, foi o actor que fez de mafioso quem morreu…

Os Sopranos não foi apenas uma excelente série de crime – Os Sopranos marcou o início de uma nova época de ouro na ficção televisiva. Os canais de cabo permitiram a criação de conteúdos menos filtrados, com um ritmo de narrativa mais realista e personagens mais complexos; o DVD trouxe aos produtores um meio adicional de retorno financeiro. Em comparação com uma Hollywood em crise de criatividade, asfixiada pelo peso dos orçamentos, e que se limita hoje a gerir franchises e a refazer (mal) aquilo que fez (bem) no passado, a televisão é agora um oásis de talento e imaginação. E temos que agradecer muito a este mafioso que, como tanta gente, morava nos subúrbios e se metia de manhã no carro para ir trabalhar.

A manta curta

Ao contrário do trabalhador de uma empresa privada, o funcionário público tem a possibilidade de, em datas predeterminadas, votar pelo despedimento do patrão que não o satisfaça. Mas isto, curiosamente, nunca entra nas contas do tal “princípio da igualdade”.

 

O “princípio da igualdade” encalhado na Constituição e tão galhardamente defendido agora pelos senhores juízes do TC é, conforme as conveniências, uma manta curta.

Vandalismos

A coberto da noite, alguém rasgou uns painéis da Fundação José Saramago. De pronto, esta veio insurgir-se – e, não se contendo, fez uma associação extremamente forçada entre estes actos de vandalismo e outros “actos de vandalismo” que afirma estarem sendo praticados contra “a soberania e os direitos” de Portugal. Uma coisa é evidente: o espírito gratuito de José Saramago sobrevive na fundação com o seu nome.

 

Como eu não gosto de vandalismos, não tenho problema algum em também condenar esta reinterpretação gráfica que alguém fez aos ditos painéis. Mas, pela mesma razão, acho muitíssimo mais danoso o acto de vandalismo que António Costa perpetrou contra a Casa dos Bicos – ao dá-la para guarida da Fundação José Saramago.

Não a César o que não é de César


(fotografia daqui)

Passei há um par de dias pela rua do Ouro e encontrei a Papelaria da Moda fechada e trancada. Neste mundo cada vez mais digital, em que uma Parker Jotter é exposta na prateleira da “escrita de luxo”, o encerramento destes estabelecimentos entristece-me.

 

Mas sejamos justos, e enalteçamos o que merece ser enaltecido: tanto quando sei, desta vez Joe Berardo não parece estar envolvido.

Não-notícia

Associação José Afonso apoia manifestação de 2 de Março.


Dizer que a Associação José Afonso apoia QUALQUER manifestação tem o mesmo valor que dizer que a água molha.

 

Mas não deixa de ser irónico: à associação com o nome de José Afonso, artista que cantava a igualdade entre os homens (embora, como qualquer bom comunista, quisesse dizer “só os do meu lado são dignos dessa igualdade”), dá-se uma visibilidade nada igualitária. Por esse Portugal fora, há imensas associações, igualmente úteis e desejosas de ver publicado o seu apoio à manifestação mas que, por não terem o nome de alguém famoso, são disso privadas. Só para dar um exemplo: a Associação Cultural e Recreativa da Vila do Corcunda, conhecida de alguns pelos seus torneios de chinquilho.

O jogo da Glória

 

Li em alguns blogues afectos à Esquerda, e nas caixas de comentários dos jornais, protestos pelo aproveitamento político que a Direita (como os senhores da Esquerda gostam de cuspir as consoantes da palavra Direita) estaria fazendo deste episódio Glória Araújo. A senhora, dizem eles, cometeu um erro na sua vida privada, pede desculpa por isso e esquece-se o assunto.

 

Estão, estes senhores, a querer enviesar a questão.

 

Aquilo que um deputado faz na privacidade é com ele. Não me interessa para nada se um deputado, seja de que bancada for, celebra o seu aniversário com bebedeiras de cair ou açoites nas nádegas. Se não é ilegal e não é contrário a princípios que defende na sua actividade, não tenho nada a ver com isso.

 

Mas quando alguém, seja ele quem for, acha ser boa ideia conduzir com uma taxa de álcool de 2,4g/l, não está a fazer algo privado. Está, isso sim, a cometer um crime e a colocar terceiros em perigo – e isto não é um acto privado, é um acto público (e bem público).