Dada a sua omnipresença neste caso, ainda estou a ver a mãe de Sócrates ficar na nossa História como uma Ma Barker à portuguesa – mas receio que sem Boney M para celebrá-la em canção.
Dada a sua omnipresença neste caso, ainda estou a ver a mãe de Sócrates ficar na nossa História como uma Ma Barker à portuguesa – mas receio que sem Boney M para celebrá-la em canção.

Tao cíclico como o cubo mágico, regressou a alguma blogosfera o não-problema do piropo. As gentes de Esquerda querem-no proibir porque… as gentes de Esquerda gostam de proibir. As gentes de Direita aceitam esta putativa proibição por quererem evitar o rótulo de machistas ou, pior, marialvas direitolas.
Não vou escrever aqui sobre o piropo. Vou, antes, afirmar que seria mais produtivo se estas gentes redireccionassem a sua sanha censória para um flagelo que, este sim, assola os espaços públicos: o hiphop e kuduro emitido balisticamente pelas colunas dos telemóveis dos mitras.
Eu sei perfeitamente que os defensores do politicamente correcto não tocarão neste assunto nem com pinças: o piropeiro é o macho opressor; os mitras, pelo contrário, logo terão uma socióloga ou historiadora bem penteada a defendê-los como oprimidos sócio-económicos.
E, no entanto, há cidades no Brasil que proíbem (e punem!) a reprodução de música nos transportes públicos. No Japão nem sequer é necessária legislação, pois o simples acto de se falar ao telemóvel num transporte público é encarado como falta de educação.
Isto não é uma questão de censura ou de impedir a identidade pessoal: é apenas proteger a nossa privacidade, o nosso direito ao espaço pessoal num local público. Não é, sequer, muito complicado: bastaria legislar pela não reprodução de música nos mesmos locais públicos onde não se pode fumar.
Na verdade, nem deveria ser necessária legislação: bastaria bom-senso e educação.

O presidente da Câmara da Covilhã, eleito pelo PS, achou Sócrates merecedor de uma medalha de ouro municipal. Por coincidência, na mesma cerimónia a Câmara entregou uma medalha de mérito à Universidade da Beira Interior. Por coincidência, Sócrates é membro do Conselho Geral desta universidade (na qualidade de personalidade externa). Por coincidência, esta universidade, em cujo Conselho Geral está a personalidade externa Sócrates, atribuiu no dia seguinte um doutoramento “honoris causa” a Zeinal Bava, tristemente conhecido nestes dias como um dos mais influentes carrascos da PT e, talvez, o mais fiel executante da estratégia socrática para a empresa.
A Ordem dos Engenheiros avisa que vão faltar engenheiros civis em Portugal. E para piorar, há alguns que são anunciados na televisão como “engenheiro” sem o serem.
Li algures que Rui Veloso vai abrir os “Grandes Concertos” do Casino do Estoril. Engano. Qualquer concerto de Rui Veloso é um Longo concerto – mas um Grande concerto não será seguramente.
O Museu do Brinquedo, em Sintra, vai fechar. A Fundação Arbués Moreira, responsável por ele, afirmou que não é possível assegurar a sua sustentabilidade financeira pois, vivendo muito da bilheteira, o museu apenas teve 7000 visitantes nos primeiros quatro meses deste ano, contra 8200 em igual período no ano passado.
7000 visitantes entre Janeiro e Abril deste ano. Fixemos este número.
A ANA, ao avaliar os primeiros três anos de vida do aeroporto de Beja, considerou-o “positivo”. Segundo números da própria ANA, o aeroporto de Beja teve 2281 passageiros em 2011, 2011 passageiros em 2012 e 2332 passageiros em 2013. Façamos a conta:
2281 + 2011 + 2332 = 6624
O Museu do Brinquedo teve mais utilizadores em quatro meses do que o aeroporto de Beja em três anos. O Museu é considerado financeiramente insustentável por quem o gere; o aeroporto de Beja é considerado “positivo” por quem o gere.
A diferença entre um Estado Social e um Déspota Benevolente é mínima.
(in Irrealidades Virtuais, de Alfred Bester)
Quando Pedro Adão e Silva vai à televisão, do outro lado da mesa está Pedro Marques Lopes. Quando Pedro Marques Lopes vai à rádio, Pedro Adão e Silva está no outro microfone.
Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva passam mais tempo juntos do que muitos casais…
José Rodrigues dos Santos disse em entrevista recente que:
“Ler um romance meu é como estar a ver uma grande produção de Hollywood.”
O rapaz não deixa de ter bastante razão. Tanto o livro de Rodrigues dos Santos como o blockbuster hollywoodesco fazem-se anunciar por maciças campanhas publicitárias; depois revelam-se longos, cansativos, barulhentos, histéricos, pouco credíveis; no fim, deixam ambos a sensação de tempo e dinheiro desperdiçados.