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Especulações sobre Rosa, a RDP, Angola e mais alguns nomes

O Público titula que “A RDP acaba com espaço de opinião que serviu de palco a críticas dura a Angola“.

 

Em poucas palavras, a história é-nos apresentada assim: o jornalista Pedro Rosa Mendes, conhecedor dos meios corruptos angolanos, emitiu uma crónica na Antena 1 em que criticou duramente a emissão do Prós & Contras, feita recentemente a partir de Angola, e que contou com a presença de Miguel Relvas. Em consequência, uns quantos telefonemas terão sido feitos e o programa foi terminado.

 

Se isto se passou assim, não tenho o menor dos problemas em condenar. Da mesma forma, condenei o fim do Plano Inclinado, na Sic-Notícias, “repensado” precisamente depois da emissão em que o convidado Henrique Neto teceu duras críticas ao PS e mencionou diversas vezes as ligações da Maçonaria ao poder político (no caso particular, ao poder socialista). Não me recordo, contudo, de ver nessa altura o escarcéu exaltado de agora.

 

E eu estou particularmente à vontade porque sempre abominei o Prós & Contras e nunca senti empatia para com Miguel Relvas, que me recorda demasiado esse personagem daninho do socratismo chamado Pedro Silva Pereira. Mas se há talento que não nego no primeiro, é habilidade política. Por isso, parece-me estranho que tenha executado este plano tão mal-amanhado, sabendo perfeitamente que não poderia deixar de ser uma castanha que lhe rebentaria na boca.

 

Eu não gostaria que tivéssemos trocado um Governo que controlava a Comunicação Social pública por outro que deseja controlar a Comunicação Social pública – mesmo que a pretexto da diplomacia. A única vantagem vinda da troca seria, então, que embora ambos o desejem fazer por conveniência política, no governo anterior também havia que contar com o factor neurose de Sócrates.

 

Os suspeitos do costume, claro, já vieram pedir explicações. Como sempre nestas ocasiões, dado o passado recente, o arzinho indignado deste PS não merece senão uma gargalhada – ou um acesso de vómito.

 

Mas há um parágrafo em particular que me chamou a atenção:

 

“A Antena 1 é um canal de rádio que faz serviço público de comunicação e, como tal, deve esclarecer o que se passou com total transparência. Queremos saber se houve alguma influência da tutela para que a direcção de informação ou de programas tomasse esta posição em relação a uma opinião livre, ou se estas direcções, para fazerem algum frete ao Governo, tomaram esta decisão”, afirmou o deputado socialista João Portugal.

 

“A Antena 1 é um canal de rádio que faz serviço público de comunicação”; “opinião pública”; “frete ao governo”. Quem leia isto fica com a ideia de que a Antena 1 é um espaço impoluto e, até hoje, completamente protegido dos poderes vigentes.

 

Não nos tomem por parvos!

 

Percorramos a grelha de programas opinativos, ouçamos algumas emissões de cada e depressa percebemos como uma larga fatia tinha critérios editoriais e inclinações ideológicas claramente próximas do PS socrático. Vejamos os nomes dos seus responsáveis e é notável a coincidência de tantos deles serem próximos do socialismo.

 

Recordo-me de ouvir um punhado de emissões do Contraditório. O Prós&Contras repugnava-me por ser um Prós&Prós. O Contraditório era fiel ao seu nome – mas apenas em relação ao PSD, e não parecia ser senão um espaço onde Carlos Magno aproveitava qualquer ocasião para babar o seu despeito por Cavaco Silva e amor pelo “dr. Soares”.

 

Recordo-me também de um programa de Pedro Rolo Duarte, penso que aos Domingos de manhã, com um punhado de convidados razoavelmente sensatos (a Carla Quevedo, por exemplo). Calhou, acaso por certo, que o painel de comentadores fosse remodelado por altura das legislativas de 2009: as vozes mais afastadas do socratismo retiraram-se e a primeira “convidada especial” foi – a tontinha Lídia Jorge. Digam lá se este mundo não é pequeno.

 

Mas nem havia necessidade de invocar estes exemplos para especular que a Antena 1 é um viveiro de gente próxima do ex-poder socialista ou que, não o sendo, não se importou de compactuar com ele. Bastava recordar o caso de Eduarda Maio, a independentíssima Subdirectora de Informação da Antena1, que escreveu a hagiografia “O Menino de Ouro do PS” e foi a voz do polémico anúncio “os grevistas estão contra quem quer chegar a horas”.

 

A deputada Catarina Martins (já é a segunda vez em poucos dias que tropeço nela) interpelou por escrito Miguel Relvas:

 

“É de registar a coincidência temporal entre a difusão da referida crónica – que é crítica sobre a emissão de um programa que teve como representante do Governo justamente o ministro que tutela a comunicação social – e a decisão de suspensão deste espaço de opinião”

 

Ora se é verdade, como afirma o director-geral da RTP e RDP, que a decisão de terminar a série estava tomada há muito tempo, antes do referido programa ter sido emitido, e que os contratos dos colaboradores terminam a 31 de Janeiro, eu posso inverter o argumento de Catarina Martins:

 

É de referir a coincidência temporal entre o final do contrato dos colaboradores e a difusão da referida crónica.

 

Eu coloco vários “ses” por agora, tendo apesar de tudo a convicção de que, sem provas materiais, será mais um processo pantanoso com a palavra de uns contra a dos outros. É possível especular que se trata de um caso de censura à posteriori com os dedinhos gordos de Miguel Relvas lá metidos. Mas também me é possível especular que se trata de um espectáculo pirotécnico montado por colaboradores com opiniões de esquerda, em final de contrato com um canal informativo estatal tutelado por um governo de centro-direita. E que já teve os seus resultados: até há poucos dias, eu não fazia a mais pequena ideia de quem era Raquel Freire.

 

Especulações à parte, isto é mais uma demonstração de como tem de ser revisto – por baixo – o papel do Estado na Comunicação Social.

O torcicolo

Coisas que me apraz dizer sobre esta petição que reclama a destituição de Cavaco Silva por causa do episódio reformas:

 

1) ao continuar na prática de ridicularias destas, a Esquerda corre o risco de não ser levada a sério se alguma vez falar de algo realmente grave.

 

2) a Esquerda nunca conseguiu perdoar que alguém conotado com o centro/Direita, e ainda por cima não oriundo da dita “aristocracia” social, conquistasse a Presidência da República. A Esquerda sempre parece considerar este cargo como um direito seu. Tenham lá paciência, rapazes, mas isto tem um nome – democracia.

 

3) são criadas petições por Cavaco ter feito umas declarações patetas. Não me recordo de as mesmas pessoas criarem petições quando foram descobertos os vários casos cinzentos que rodearam Sócrates, esses sim casos de justiça e carácter (Universidade Independente, TVI, Cova da Beira, etc). A Esquerda é muito moralista mas, quando a bola está no seu campo, são tomados por súbito torcicolo e não conseguem ver nada. O escrutínio é só válido para um dos lados.

 

4) a propósito deste episódio, são expostas e analisadas nos jornais as declarações de rendimentos e a origem das reformas auferidas por Cavaco Silva. Isso faz imensa gente salivar de gozo, de dedinho em riste. Um jornal publicou detalhes sobre o exílio dourado de Sócrates: expõe a credibilidade questionada e questionável da Sciences-Po que quase faz, por comparação, a Independente parecer Oxford; e mostra a imensa indefinição do que Sócrates está lá a (não) fazer. As mesmas gentes babam mas, aqui, de raiva, arrepanhando os cabelos aos punhados por causa do que consideram uma vergonhosa intromissão na privacidade de “um cidadão”.

Much Ado About Nothing

António Mega Ferreira mereceu a minha simpatia quando não se mostrou particularmente entusiasmado com a ida da Colecção Berardo para o Centro Cultural de Belém, transformando este de facto num Centro Cultural Berardo. Joe Berardo mereceu a minha simpatia quando sugeriu a demissão de Mega Ferreira do CCB.

 

A não recondução de Mega Ferreira como administrador do CCB e a nomeação de Vasco Graça Moura para o substituir tem sido tema de vozes e textos irados vindos da esquerda. Catarina Martins, do BE, e a tontinha Canavilhas, do PS, foram particularmente activas. O que eu acho que este tema merece é isto: . Ou seja, nada.

 

Só que é um mundo imperfeito, este em que vivemos. Num mundo perfeito, o que aconteceu seria pacífico – até pelas pessoas envolvidas.

 

(…) tem sido particularmente evidente uma “estratégia de afastamento sem qualquer justificação que é muitíssimo preocupante”, diz Catarina Martins, do Bloco de Esquerda.


Ao caso da substituição de Mega Ferreira por Graça Moura na presidência do CCB, a deputada junta o de Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia, e o de Diogo Infante, ex-responsável artístico pelo Teatro Nacional D. Maria II, para falar de “um clima pouco saudável” e de uma Secretaria de Estado apostada em calar todas as vozes discordantes.

 

De Luis Raposo não falo porque não acompanhei o processo. De Diogo Infante, penso que a deputada não devia fazer tese tão calorenta.

 

Não tenho particular opinião em relação à carreira de actor de Diogo Infante – pela razão de não a ter acompanhado. No entanto, a passagem pelo Teatro Nacional D. Maria II mostra várias facetas do seu carácter: a entrada foi uma iniquidade; a sua saída, uma birra. Mas este parece ser o perfil do homem moderno tal como é preconizado pela filosofia socretina: falho de escrúpulos, acima das regras.

 

Em 2010 e 2011, as direcções do D. Maria II e de outros teatros receberam ordens para reduzir os custos de funcionamento em 15%. Diogo Infante fez ouvidos de mercador; os outros teatros cumpriram. E os emissores destas ordens – governo PS, ministra Canavilhas – demitiram Infante pelo incumprimento? Chamaram-no ao menos para um puxão de orelhas? Não. Amocharam. Olharam para o lado.

 

Desconheço que poderes especiais Diogo Infante possui para poder incumprir aquilo que outros acatam. Talvez fique bem na capa da Caras e a tutela da altura achasse que isso era levar o Teatro às cabeleireiras. Mas se a normalidade reinasse, Catarina Martins não teria dito o que disse – pela simples razão de Diogo Infante já ter sido corrido do seu posto há muito mais tempo.

 

Passo então para aquilo que deu origem a este ruído: Mega Ferreira e o CCB. Canavilhas, sempre ela, afirma inegável que Mega Ferreira fez dois mandatos excelentes:

 

Não há absolutamente nada a apontar a Mega Ferreira, nem ao nível programático e artístico, nem ao nível da gestão.

 

Canavilhas terá mais razão do que pensa. Talvez seja um facto que não haja nada a apontar à gestão de Mega Ferreira. Não há Festa da Música, transformada numa pífia Os Dias Da Música Em Belém. Não há Centro de Exposições, transformado em Museu Colecção Berardo pela negociata patrocinada por Sócrates. Não há novos módulos onde seriam instalados um auditório, uma biblioteca e uma área multiusos. Mas não há, acima de tudo, uma defesa do CCB. Possuísse Mega Ferreira uma espinha ainda direita e teria batido com a porta quando Sócrates lhe impôs a negociata Berardo. Mas não: na melhor das hipóteses, amuou – porque o chequezinho ao fim do mês é necessário para os charutos e as Montblanc.

 

Canavilhas diz mais: 

 

(…) a saída de Mega Ferreira só pode ser explicada por motivações partidárias. 

 

Neste caso, acho perfeitamente natural que sim. Aliás: neste caso, desejo sinceramente que sim. A ex-ministra por certo esqueceu a falta de elegância atroz com que, nas últimas legislativas, Mega Ferreira mostrou publicamente o seu apoio a Sócrates contra Passos Coelho:

 

Também António Mega Ferreira falou sobre o principal adversário do PS nas eleições, mas em vez de nomear Pedro Passos Coelho referiu-se sempre a um “líder partidário cujo nome não me ocorre”.

 

Depois desta actuação, tivesse Mega Ferreira um pingo de carácter e poria o seu lugar à disposição de Passos Coelho mal este tomasse posse – até para não colocar o seu amigo Francisco José Viegas numa posição obviamente desconfortável. 

Uma vocação precoce

Rosa Figueiredo, directora do Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo, (…) Diz estar convencida de que este caso “isolado” não é mais do que “uma tempestade num copo de água”.

 

Este caso “isolado” é um aluno de 12 anos que, segundo a notícia, ameaçou colegas (uma delas com seis anos) com navalhas, e em cujo arsenal de “material pedagógico” se contam paus e até uma pressão de ar. A sra. directora admite que se trata de um aluno “problemático que necessita de ser integrado”.

 

Permito-me uma divergência de opinião com a sra. directora. Este aluno não precisa de ser integrado. Primeiro, ele precisa de ser isolado, a sua sociopatia latente diagnosticada e controlada e só depois, quando já não for um perigo para os seus colegas, reintegrado normalmente. A Wikipedia está cheia de serial-killers que foram “reintegrados” sem os cuidados devidos.

Saúde Pública

Não me surpreende este pequeno número circense. De gente desprovida de escrúpulos, de vergonha, de moral, de inteligência própria e de qualquer ideia de honra, serventuários caninos de um conspirador cujo único interesse é o que o espelho lhe devolve, nada se pode esperar.

 

Mas questiono-me, já que estamos numa de fiscalizações sucessivas, se será possível pedir ao Tribunal Constitucional a fiscalização sucessiva das bancadas parlamentares do PS e BE. Tenho a certeza de que a presença nas cadeiras parlamentares de idiotas (dis)funcionais e loucos furiosos como Alberto Costa, Vitalino Canas e Isabel Moreira, violará várias leis – não apenas de bom-gosto, mas também de Saúde Pública.

(Falta de) Legitimidade

António José Seguro reage aos novos nomes indicados para os órgãos sociais da EDP. Entre outras coisas, afirma que deve existir uma “fronteira entre a política e os negócios”.

 

Seguro ainda não percebeu que se candidatou e foi eleito secretário-geral do PS? E que devia existir um período de nojo, com duração nunca inferior a 12 anos, durante o qual o PS – qualquer pessoa do PS! – se devia abster de criticar putativas promiscuidades entre política e negócios – por manifesta falta de legitimidade?

 

Ou Seguro não estava cá quando a Mota-Engil desencantou Jorge Coelho? Estaria de férias aquando da OPA da Sonae à PT? Perdeu os óculos e não viu a negociata BCP via CGD, o mais repugnante exemplo de ingerência de um partido nos negócios, que colocou o não menos repugnante Armando Vara na administração do maior banco privado português?