A Visão enuncia o que tramou Miguel Macedo na Operação Labirinto. Pois eu afirmo: em última análise, o que tramou Miguel Macedo foi o não ser um ministro socialista e não estarmos num governo socialista.
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De que se ri Sócrates?
De que se ri Sócrates? E de que se riem Vitalino Canas, o baladeiro José Lello, o menino-dos-papás Paulo Campos e restantes figurões, figurinhas e figurantes desta fotografia?
Talvez se riam porque Rui Rangel, o juiz que tem um longo historial de calotes a mecânicos e clínicas de lipoaspiração abdominal, que tem pública e repetidamente criticado o trabalho de Carlos Alexandre no processo de José Sócrates, que é suficientemente amigo de José Sócrates para combinar almoços com ele em Nova Iorque – foi sorteado em Julho para apreciar um recurso da defesa de Sócrates. Rangel podia pedir escusa por claro conflito de interesses? Poder podia – mas não era a mesma coisa.
De que se ri este gangue da fotografia? De todos nós.
Soltem os prisioneiros
O caduco e, pelos vistos, inimputável Soares afirma que qualquer pessoa lúcida reconhece que José Sócrates deve ser posto em liberdade quanto antes e com os devidos pedidos de desculpa. Eu acho que são devidos pedidos de desculpa, sim – mas é por não ter sido seriamente investigado antes. E, já agora, a mesma necessidade de investigação aplica-se a muitas pessoas que andam por aí a exigir a sua libertação.
Agarrem-me senão…
Cândida Almeida recorre ao velho esquema das insinuações: fala de algo… dizendo que não pode falar sobre esse algo. Segundo o Correio da Manhã, terá reconhecido que a investigação a Dias Loureiro relacionada com o BPN foi abafada.
Primeiro: estamos a falar de quando o primeiro-ministro era o ex-querido-líder Sócrates, o tal “Menino de Ouro do PS” cuja hagiografia foi apresentada por… Dias Loureiro, que se “emocionou com o lado dos afectos” de Sócrates. Como é bom de ver, uma mão lava a outra.
Segundo: Cândida Almeida não “pode explicar” porque é que a investigação a Dias Loureiro não avançou. OK. Mas então e todas as outras (a Sócrates incluído) que não avançaram, “pode explicar”?
Um homem à parte
As pessoas podem começar a pensar que eu tenho um qualquer problema particular com o PS. Posso dizer, com absoluta sinceridade, que tal é muito distante da verdade: eu começo é a ter um problema com a generalidade do PS.
Vera Jardim, um dos eternos actores do nosso regime, veio dizer que o ex-Querido-Líder tem o direito de violar a lei para “se defender”. Isto é o assumir sem rodeios por parte do Partido Socialista que a legalidade é um conceito apenas aplicável aos outros, enquanto ele próprio, mercê do seu nascimento ou predestinação, está isentado dessas chatices.
Mas a questão é, também, outra. Para se defender das investigações no caso Freeport, Sócrates já fizera avançar Lopes da Mota com ameaças de represálias caso os inquéritos não fossem encerrados com rapidez – e, imagino eu, “resultados satisfatórios”. [Lopes da Mota, convém lembrar, não é virgem na manipulação de casos judiciais envolvendo figuras gradas do PS.] Mais tarde, para se defender do escrutínio de Manuela Moura Guedes, Sócrates e sus muchachos conspiraram para a compra da TVI por um grupo que lhe desse garantias de respeitinho.
Ou seja: de há muito que José Sócrates recorre à ilegalidade para se defender . Aliás, cada vez mais parece evidente que, para Sócrates, a ilegalidade é um estilo de vida.
O Segredo
Andam agora os defensores de Sócrates muito preocupados com a violação dessa coisa chamada “segredo de justiça”. Eu gostava de saber, em particular, o que diz sobre o tema o líder parlamentar socialista Ferro Rodrigues, que há uns anos foi gravado a dizer precisamente estar-se cagando para o segredo de justiça.
Sócrates no devido lugar [2]
Este tipo de crime, pela sua própria essência, torna-se muito difícil de provar. Contudo, não me sai da cabeça que para um juiz deter um ex-primeiro-ministro, e ainda por cima um com o perfil público de José Sócrates, tem de estar acrescidamente convicto da linha de investigação. Para tal, imagino que possua informações que considera seguras: por exemplo, obtidas via alguém que esteja dentro do circuito da banca. Pessoa que conheço aventava que teria sido Vara a “soprar” isto ao ouvido de alguém interessado. Não acredito nisso: os mafiosos, honra lhes seja feita, não costumam delatar amigos com quem partilham uma vida de “negócios”. Por outro lado, recordei-me da ameaça, nos idos de Setembro, proferida pelo dinossáurico Soares: que quando Ricardo Salgado falasse, e iria falar, as coisas iriam ficar de outra maneira. Será que…?
Sócrates no lugar devido
Ontem à noite não vi televisão nem liguei o computador. Hoje de manhã, não vi televisão nem liguei o computador. Já passava do meio-dia quando, num quiosque, li na primeira página do DN “José Sócrates detido”. Continuei a andar alguns metros até interiorizar aquelas três palavras e recuei para me convencer de não ter imaginado aquilo que lera. Pensei como era curioso eu ter estado, durante tantas horas, naquela espécie de bolha, completamente alheado do que sucedera.

Quem me conhece, sabe que não sou um optimista. Fui vencido tantas vezes que o meu espírito já não contempla a hipótese. Imagino que seja possível que amanhã Sócrates seja libertado e regresse à sua vidinha, com o seu sorrisinho hipócrita e acrescido da auréola de mártir. Mas hoje, pelo menos hoje, vivi num país em que um escroque, por mais bem envernizado, tem de olhar por cima do ombro. E isso, caramba!, foi bom.
Citius
O relatório do IGFEJ sobre o colapso do Citius indica que “chefias intermédias terão omitido informações importantes durante todo o processo”.
“(…) as suspeitas, a confirmarem-se […] poderão configurar a prática de ilícitos de natureza disciplinar ou criminal.”
Isto tem de ser investigado e bem investigado. Quando se afirma que podem ter existido ilícitos de natureza “disciplinar” ou “criminal”, está-se a lançar a suspeita de que pode ter havido negligência ou, muito pior, sabotagem. E eu quero saber, para lá de qualquer dúvida, se temos actores políticos na função pública suficientemente irresponsáveis e amorais para usarem um dos pilares do Estado de Direito nos seus joguinhos de poder.
Catanada
Hoje, no périplo noticioso que habitualmente faço, fiquei a saber que, neste país, é possível atropelar alguém intencionalmente e agredi-lo com uma catana (!!) e, ainda assim, aguardar julgamento em liberdade. Viva a democracia!

