Ferro Rodrigues pediu respeito entre as bancadas durante a discussão do Orçamento de Estado. Tem piada – pedir que as bancadas façam aquilo que ele próprio não faz.
O bilhete
Vamos ver se eu pecebo.
Durante quatro anos, Pacheco Pereira pelejou contra os neoliberais que estavam a subjugar tudo à ditadura dos números. António Costa, apresentado como “uma lufada de ar fresco” pela artistalhada peticionária que se gosta de dizer independente e anti-sistema mas sempre apoia o que vem do Largo do Rato, era o novo Messias que iria heroicamente cortar as cabeças da hidra austeritária e traria de novo a Arte (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a arte é sempre maiusculada) para o quotidiano.
Pois o que faz, meses depois, o primeiro quando convidado para Serralves pelo segundo? Cobra entradas onde antes havia gratuitidade, subjugando o acesso do povo à Cultura (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a Cultura é sempre ministeriável) perante a ditadura dos números.
O nosso unicórnio
João César das Neves diz que “o crescimento em Portugal é uma questão arqueológica”. Eu até diria mais: deixe-se Costa e Centeno à solta durante muito mais tempo e o crescimento em Portugal tornar-se-á, não um assunto de arqueologia – mas sim um conceito mitológico.
Assédio moral
Não há ninguém que telefone ao Sindicato respectivo para denunciar uma clara situação de assédio moral sobre Carlos Costa? Aquilo que António Costa está a fazer é da cartilha esquerdista: semear o caos na sociedade para depois apresentar a sua Nova Ordem.
António Costa responsabiliza Carlos Costa por os “lesados do BES” ainda não terem sido ressarcidos. Curiosamente, ainda não ouvi António Costa querer que Ricardo Salgado e sus muchachos sejam responsabilizados por lesarem os “lesados do BES”.
António Costa igualmente menciona a “solução” proposta pelo seu governo e que recolhe, segundo diz, o apoio de praticamente todas as entidades envolvidas – a começar pela tal entidade opaca chamada “lesados do BES”. A transparência habitual de Costa leva a que tal solução seja mais ou menos desconhecida do eleitor e contribuinte. A manter-se o padrão visto no Banif, António Costa não fará desaparecer “lesados do BES ” – simplesmente nos transformará a todos “lesados do BES”.
Um inovador
António Costa, reconheçamos, é um inovador. Conseguiu ser primeiro-ministro depois de perder as eleições; agora consegue apresentar múltiplos orçamentos rectificativos ainda antes de apresentar o Orçamento de Estado.
Um minuto
Enquanto leu este post, o governo reviu por duas vezes as contas do Orçamento.
Fala o roto do nu
Sabemos que a coisa está malparada quando é José Lello quem recomenda contenção…

(da capa de hoje do jornal I)
ABRAM ALAS AO NETO-DO-AVÔ!

Graça Fonseca saltou da vereação da Educação/Cultura na Câmara de Lisboa para o governo de Costa. O ministro da cultura nesse governo é João Soares. A substituta de Graça Fonseca na CML contrata – o filho de João Soares para prestar à vereação “serviços de assessoria em produção de eventos e gestão cultural”, em troca de cujos serviços a Câmara lhe pagará 2800 euros mensais.
A Câmara de Lisboa justifica a contratação invocando “a especial aptidão técnica e intelectual, bem como experiência profissional” deste neto-do-avô. Como o perfil no LinkedIn deste brilhante Soares está inacessível, espremamos as (poucas) notícias feitas sobre o assunto para nos podermos deslumbrar com o rico historial do jovem neto da democracia:
– assistente administrativo entre 2005 e 2009 na Câmara da Amadora (por coincidência, também PS)
– senior document specialist na produtora Cinepalco em 2010;
– secretariado da Fundação Gulbenkian em Paris durante parte de 2012;
– document specialist durante três meses na Sociedade dos Amigos da Cinemateca em São Paulo;
– executive assistant, durante parte de 2014, na produtora de vídeo francesa TV Only International;
– secretário de uma pequena sociedade de advogados desde Janeiro de 2015.
Perante tal currículo, a “experiência profissional” de Mário Barroso Soares que a Câmara de Lisboa invoca como móbil para a contratação parece-me ser – empregado de escritório. Quanto às “especiais aptidões técnicas e intelectuais” que se adivinham naquelas alíneas? Tirar fotocópias; saber utilizar um furador; conseguir abrir as argolas de um dossiê sem partir uma unha; ordenar alfabeticamente as facturas dos fornecedores de esferográficas e de sabonete; e telefonar para o senhor da máquina de café quando esta avaria.
O que eu questiono, cara Câmara de Lisboa, nem é o pagares cerca de 2800 euros mensais (perto de 600 contos em moeda antiga ou, em moeda de Centeno, um privilegiado e meio) a um “assessor de produção de eventos”. É um valor que me parece algo exuberante, reconheço-o, mas talvez seja justo. O que me é difícil de abarcar é o olhar de lince que te permitiu encontrar um assessor de 2800 euros no mesmo currículo em que eu só consegui ver – um secretário!
A eterna tentação da esquerda de meter o bedelho naquilo que não lhes diz respeito
O PS quer impor às empresas cotadas em bolsa um mínimo de 1/3 de mulheres nos seus conselhos de administração. Imagino que, se as empresas não tiverem como cumprir tais quotas, podem pedir ao próprio PS que forneça várias das suas militantes para os lugares em falta.
Mas o que raio tem o governo a ver com quantas mulheres, ou homens, ou indecisos, as empresas privadas cotadas na Bolsa têm na gestão? E que legitimidade tem este PS para impor, ao sector privado, 1/3 de mulheres nas administrações, quando o seu próprio governo é constituído por menos de 1/4 de ministras?
Apreciemos enquanto podemos
Apreciemos o humor de “Mário Sentino” enquanto o Twitter não suspender a conta porque alguém se indigna. Finjamos não reparar que é proibida a indignação com contas satíricas sobre políticos de direita.