A notícia do jornal Público diz que um secretário de estado do governo anterior está a ser investigado por possível corrupção. O que foi que o jornal Público conseguiu enfiar no título?
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Falta de fibras

Luis Carito, vice-presidente da Câmara de Portimão eleito pelo PS, é um de cinco arguidos num caso de corrupção, administração danosa, branqueamento, participação económica e associação criminosa.
O que me chamou a atenção para este caso não foi a ligação de mais alguns autarcas a casos de corrupção (como diria o homem omnipresente, “uma banalidade”), nem sequer a hipótese de alguns corruptos serem punidos (algo tão raro em Portugal que, estatisticamente, não vale a pena eu ter esperança nisso). Não: o que me maravihou foi o detalhe de Luis Carito, durante as buscas domiciliárias de que foi alvo, ter comido, cru e sem tempero, um documento que retirou das mãos (de manteiga) dos inspectores da PJ.
Há quem possa ver nisto uma tentativa de ocultar provas. Eu não vejo a coisa assim. Parece-me, sim, que isto é a evidência de inimputabilidade por transtornos mentais: é óbvio, por andar a comer documentos, que Luis Carito sofre de pica.
Nada ficou provado
Parece que para um caso de corrupção ser punido em Portugal, é preciso que os corrompidos e corruptores declarem, em papel lacrado e com assinaturas reconhecidas por notário, que se corromperam. Pelo menos, é isso o que concluo desta notícia.
Foi encontrada, na casa de um dos arguidos, uma “avultada quantia de dinheiro” – mais de 70 mil euros. Isto, indício de corrupção? Claro que não, é só o dinheiro para as compras do supermercado.
Era bom, era…
Ex-primeiro-ministro detido em França para ser ouvido por suspeita de corrupção.
Só é pena que o tal ex-primeiro-ministro seja francês…
Mas há uma certa ironia nisto: a França, implacável para com os seus, serve de asilo para os dos outros.
