Pedro Picoito apresenta aqui uma teoria para a pressa de Soares filho-do-pai em substituir o director do CCB. Na essência, ter-se-á tratado apenas de colocar lá alguém mais “sensível” às negociações com Berardo.
Aquivos por Autor: João Sousa
Gralhas?
Eu explico: gralha é escrever punto em vez de pinto, ou querer escrever passado e sair passdo, ou mesmo potra quando era porta o pretendido. Todas as “gralhas” e “erratas” que vêm sendo apostas ao Orçamento de Estado que, antes de o ser, já é o seu próprio Rectificativo, não são “gralhas”: são incompetência na melhor das hipóteses – ou pulhice na pior. E dados os actores desta triste comédia, inclino-me para a segunda.
Da coerência
Há pouco mais de um ano, todos queriam ser Charlie Hebdo e ai de quem não quisesse ser Charlie. Hoje, nenhum quer ser Henrique Raposo – e por vontade deles, nem o próprio o pode ser. Assim se vê a coerência desta esquerdinha. O direito à liberdade de expressão depende, afinal, do lado do espectro em que está situado aquele que se expressa. Há um ano cobriam a cabeça com cinzas. Hoje insultam, ameaçam, fecham contas de Facebook, obrigam a alterar o local da apresentação do livro e imagino-os mesmo sedentos de seguir o exemplo de uns outros cavalheiros que, em 1933, também decidiram manifestar o seu desagrado com certos livros:
Um cretino é sempre um cretino

João filho-do-pai Soares diz, a propósito da polémica CCB, que não tem nada que lhe pese na consciência. Escusava de se ter dado ao trabalho: há muito tempo que reparámos não ter qualquer consciência que lhe possa pesar – é mesmo um traço genético…
Um grunho

Reversões em massa de toda e qualquer medida que reduzisse a influência do Estado na atribuição de benesses ao seu funcionalismo; compra, com o dinheiro do contribuinte, de lugares em empresas privadas; nivelação por baixo do ensino; perseguição ao governador do Banco Central; regresso à subsidiodependência dos agentes culturais; saneamento do director do CCB, etc, etc.
O que estamos a observar no nosso rectangulozinho com Costa, Santos Silva, Centeno, Soares, César e etc, é a História que se repete. Quando um ditador sobe ao poder, quando um líder sabe que não tem a legitimidade moral para exercer o cargo, limita-se a governar pela força e a eliminar, pela mera hipótese de uma dissonância, todos os que possam minar a ilusão de poder do “Grande Chefe”, substituindo-os nos cargos de decisão por apaniguados bem amestrados.
O comportamento do pseudo-Ministro da Cultura João-filho-do-pai-Soares ao longo deste processo CCB é… soárico. O anafado filho-do-pai sabe que, não fosse pertencer à “família real” da nossa República, estaria votado a uma vida de insignificância no canto de um qualquer escritório de advogados a fazer reconhecimento presencial de assinaturas. Todo o achincalhamento público que praticou sobre o pretérito director António Lamas é próprio da sua figurinha: o medíocre escritor erótico; o ridículo que queria cobrir Lisboa com ladrilhos; o grunho que recordava, com um risinho boçal, as putas do Parque Eduardo VII e rejeitava o vermelho porque “para vermelho já lhe bastava as gajas uma vez por mês“; o filho do soba que gostava de mandar desaparecer o senhor guarda. Ver João Soares a liderar um Ministério da Cultura desperta-me a mesma sensação que ver uma poia a boiar num reservatório de água.
Mais uma razão
Aqui está mais uma razão para ter simpatia por Passos Coelho: Alberto João Jardim não votou PSD nas últimas eleições.
Saber o que dizer
O pequenino e nada augusto César dos Açores diz: “o que ficou hoje evidenciado é que o PSD e o CDS não sabem o que dizer sobre este Orçamento”. Ora tendo em conta aquilo que foi afirmado e desmentido, nos últimos dias, por Costa e Centeno e restantes muchachos, é o próprio PS que não faz a mínima ideia do que dizer sobre o seu próprio Orçamento.
RESPECT
Ferro Rodrigues pediu respeito entre as bancadas durante a discussão do Orçamento de Estado. Tem piada – pedir que as bancadas façam aquilo que ele próprio não faz.
O bilhete
Vamos ver se eu pecebo.
Durante quatro anos, Pacheco Pereira pelejou contra os neoliberais que estavam a subjugar tudo à ditadura dos números. António Costa, apresentado como “uma lufada de ar fresco” pela artistalhada peticionária que se gosta de dizer independente e anti-sistema mas sempre apoia o que vem do Largo do Rato, era o novo Messias que iria heroicamente cortar as cabeças da hidra austeritária e traria de novo a Arte (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a arte é sempre maiusculada) para o quotidiano.
Pois o que faz, meses depois, o primeiro quando convidado para Serralves pelo segundo? Cobra entradas onde antes havia gratuitidade, subjugando o acesso do povo à Cultura (assim mesmo, com maiúscula porque para os socialistas a Cultura é sempre ministeriável) perante a ditadura dos números.
O nosso unicórnio
João César das Neves diz que “o crescimento em Portugal é uma questão arqueológica”. Eu até diria mais: deixe-se Costa e Centeno à solta durante muito mais tempo e o crescimento em Portugal tornar-se-á, não um assunto de arqueologia – mas sim um conceito mitológico.
