Eu não tenho interesse naquilo a que se chama o futebol português. Repugna-me as gentes muitíssimo pouco recomendáveis que o dominam nas direcções de clubes, ligas e afins; e causa-me estranheza o efeito debilitante que consegue provocar na actividade mental de algumas pessoas por norma inteligentes. Mas tendo olhos para ver e ouvidos para ouvir, não consegui evitar saber as novas vindas do Sporting.
Recordei imediatamente uma conversa que tive no ano passado com pessoa amiga (monólogo seu é um termo mais honesto, como é hábito quando a temática é futebol), que conjuga o raro fenómeno de ser fervoroso sócio de um clube (no caso, o Benfica, mas podia ser outro qualquer) sem que isso o faça regredir ao reino vegetal. Na altura, afirmei que no espaço de uma geração o Sporting estaria reduzido ao nível actual de um Belenenses. Ele riu-se, com a ternura que os sábios evidenciam perante um leigo, garantindo que tal nunca aconteceria.
Vejo agora que pequei por optimismo. Não será no espaço de uma geração – uma década deve ser suficiente.