Então, vamos a ver se eu percebo.
Há anos, a Esquerda rasgava as vestes por Santana Lopes ser nomeado primeiro-ministro pela bancada com maioria parlamentar e cujo programa eleitoral tinha sido o mais votado – com o argumento de que não tinha sido ELE o eleito pelos votantes.
Hoje, a mesma Esquerda não vê problemas em formar governo com um primeiro-ministro que SE APRESENTOU a eleições e cujo programa eleitoral NÃO FOI o mais votado. Na verdade, se a Esquerda argumenta que perto de 62% do eleitorado rejeitou o programa eleitoral da coligação, quase 68% rejeitou o do PS – incluindo os eleitores daqueles partidos que se querem agora, muito convenientemente, juntar a ele.
Não, coerência – ou falta dela – não é a palavra adequada. Canalhice – esta é que é a palavra que eu procurava.