As orelhas de um “Ídolo”

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Confesso que, após 6 meses de ausência, fico um pouco desconcertado pelo facto do objecto do meu regresso ser isto.

 

Acontece que estou farto. Totalmente farto de uma sociedade mesquinha e obtusa que se esconde por trás de um véu opaco de politicamente correcto e socialmente aceitável. Neste admirável mundo novo em que vivemos, tudo é bullying. 

 

Acerca deste caso, tenho uma visão diferente. Acredito que se o rapaz tivesse uma voz formidável e fosse um génio a interpretar Rihanna (?!) dificilmente teria sido chutado para o canto obscuro dos “cromos” daquele formato televisivo e ornamentado com uns adereços de que, na realidade, não precisava. Acredito, também, que fora uma qualquer distorção tremenda das suas capacidades cognitivas, o nosso cantor sabia que não teria qualquer hipótese de sequer ser ouvido pelo júri, quanto mais de ser apurado para uma próxima fase do programa.

 

O que motivou, então, a sua participação? Arrisco que o desejo de ser engraçadinho. De ocupar o tempo da produção com umas palhaçadas e de se tornar o herói improvável do agrupamento de escolas Gaia Nascente. Sucede que lhe saiu o tiro pela culatra. Mas Deus nos livre de assumir que o rapaz tem de lidar com as consequências dos seus actos. Não. Aqui e agora, é muito mais confortável dizer que foi vítima de bullying.

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