
Foi frequente, ao longo dos anos, ouvir elogios à postura de Paulo Portas enquanto governante, dando o exemplo da anterior coligação (iniciada com Barroso e terminada com Santana Lopes). Portas, dizia-se, podia ser um político temperamental e irrascível mas, enquanto governante, demonstrava ser capaz de uma imensa lealdade e postura de Estado.
Tretas.
Paulo Portas nunca me inspirou grande confiança. Mesmo enquanto jornalista, nunca passou de um político – pois o que era o Independente senão um projecto político? Paulo Portas sempre mostrou ter a projecção da sua pessoa como único móbil da sua actuação. Na nossa democracia de quatro décadas, apenas Mário Soares terá protagonizado um maior e mais ilustre rol de traições e mudanças de discurso.
Para mim, a pose de estadista que manteve durante a coligação com Barroso/Santana, e até agora na coligação com Passos Coelho, deveu-se a uma única razão: não lhe conveio fazer de outro modo. As pessoas não deixam de ser aquilo que são – apenas o escondem durante algum tempo.