A ERC votou o caso Relvas como eu já esperava: os nomeados pelo PS queriam-no punir e os nomeados do PSD queriam-no ilibar. Dá vontade de perguntar o porquê de a ERC existir. Podia ser substituída com economia de meios por uma calculadora.
“(…) a ERC dá por provado apenas aquilo onde existe uma coincidência entre as partes. Em tudo o que não há rigorosa coincidência, a ERC dá por não-provado. Ora, isto não faz sentido pois é aí que está, justamente, o âmago da questão – houve ou não pressões inaceitáveis do ministro Miguel Relvas sobre o PÚBLICO? Mantemos que sim, como de resto desde o primeiro momento.”
Traduzindo por miúdos, a directora do Público diz que a ERC dá razão ao jornal em tudo o que foi possível apurar como prova; quando houve conflito de versões, e não sendo possível apurar para lá de qualquer dúvida o que aconteceu na realidade, a ERC optou por ilibar o acusado; e a directora Bárbara Reis achou mal.
Ora eu, vá lá saber-se porquê, sempre achei interessante como a “presunção de inocência” é considerada um valor civilizacional ou um empecilho – conforme os seus recipientes. No caso Relvas, a directora Bárbara Reis pretendia isto: há conflito de versões, é a palavra de um contra a palavra de outro, não é possível obter provas, logo a ERC devia acreditar piamente em si e considerar Relvas um supino mentiroso, logo Relvas é culpado. Porque os jornalistas de política são seres impolutos e a sua palavra deve ser considerada letra de lei.
Um dos meus problemas com um certo tipo de jornalista é que, intimamente, todos querem o seu Watergatezinho pessoal.