Quer gostemos disso, quer não, Joe Berardo é o perfeito exemplo de um certo tipo de português: saloio, espertalhaço e que se alcandora à base de esquemas. Quando este tipo de pessoa alcança “sucesso”, exibe-o com uma falta de gosto atroz, seja na maison apalaçada com que assassina a paisagem, seja no consumo extravagante de quem confunde abundância com estilo.
Foi, pois, com total naturalidade que formou com José Sócrates uma aliança tácita evidente em diversos episódios (CCB, PT, BCP). Eles eram duas almas gémeas destinadas a entenderem-se: duas bolhas de ego, dois escavadores de buracos.
O BCP, para entrar no qual Berardo conseguiu, graças à sua parceria com a máfia socrática, financiar-se em mil milhões de euros (1.000.000.000!!!), está-se a desagregar valendo uma magra fracção daquilo que valia na altura. A colecção Berardo afundou o Centro Cultural de Belém na semi-irrelevância. Até a outrora orgulhosa Papelaria Fernandes, na qual ele meteu as mãozinhas gananciosas, agoniza lentamente.
O problema destes chicos-espertos é que o seu sucesso, em acontecendo, se baseia num instinto de desenrascanço e de pulhice em vez de num pensamento estruturado. Se a sorte acaba, eles e os seus esquemas revelam-se como aquilo que são: bluffs que, ao explodirem, deixam uma paisagem de destroços. E até nisto Joe Berardo e José Sócrates são almas gémeas.